Logo Revista Viver Brasil - Assim é viver
Quinta, 24 de Maio de 2012

Artes Plásticas

Texto: Ana Clara Furtado | Fotos: Fábio Marçal de Oliveira
Opiniões ou sugestões sobre a matéria?
Mande e-mail para: redacao@revistaviverbrasil.com.br
A mulher vestida de branco, Lise, com sombrinha na mão, é referência ao quadro do francês Renoir, sua primeira pintura de grande repercussão. Colocada em um contexto totalmente diferente, a tranquilidade da tela original cessa, principalmente com a presença de mitológicos faunos, trópicos, embriagados, que parecem insistir em incomodar e seduzir a donzela. Já a cobra – cujo olfato é na língua –, em primeiro plano, amedronta o pequeno passarinho ao lado de seu ninho e da natureza morta, metáfora para o sentimento de acuamento. A história de ameaça e proteção, contada por pinceladas que exploram talentosamente a tinta, pode ser lida de diferentes formas pelo olhar do espectador que viaja na obra Olfato, do artista plástico Leo Brizola. A pintura integra uma série produzida pelo mineiro que explora os cinco sentidos e, ao lado de objetos de tortura e telas que abordam, entre outros temas, nus femininos em contextos mitológicos, entra em exposição dia 10 de dezembro, na Galeria Agnus Dei, em Belo Horizonte. Nela, o multifacetado artista, acostumado com grandes dimensões, viaja agora pelos pequenos formatos, interage objetos, pinturas e paisagens e brinca mais uma vez com o que o fascina fazer: arte realista, instigante, levemente perturbadora e intensamente criativa.

O artista



 O sentido estético da arte existe, mas Leo admite que não seja sua busca principal. Em 31 anos de carreira define-se como barroco e exagerado, avesso  à elegância formal de pinturas clean ou minimalistas. Inquieto, o que o move neste universo é falar de seu tempo, como uma testemunha que transmite sensações às sublinhas da pintura. Pintar, inclusive, sempre foi algo introspectivo, o qual ele nunca fez na frente dos outros, nem durante os cursos de Artes Plásticas e Belas Artes, quando se dedicava ainda à litogravura. Foi com o empurrão dos pais, que notaram seus cadernos cheios de desenhos, que entrou para aulas de pintura, aos 15 anos. Desde então, experimentou diferentes áreas em matéria de expressão. O desenho é pontual; vem como febre e vai embora rápido também. A fotografia, quando resolveu explorar o mundo eletrônico, ele fez e gostou. Viajou ainda pelas minúcias do bordado e divertiu-se no campo da música. Mas foi de fato na pintura de figuração mais realista, em dimensões maiores, que se fixou. Atualmente, ao lado de outros artistas, entre eles Tatiana Cavinato, Miguel Gontijo, André Burian e Walter Trindade, ele trabalha em um curioso projeto: um troca-troca de telas em que um inicia uma pintura, outro continua, e assim por diante. O resultado desta inusitada experiência deve ser exposto no ano que vem.

  • Serviço:
    Exposição Leo Brizola Pinturas/Objetos Pequenos Formatos
    De 10 a 30 de dezembro, na Galeria Agnus Dei
     Rua Santa Catarina, 1.155, Lourdes