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Quinta, 24 de Maio de 2012

Personagens

Exclusivíssimo

Maior especialista em mercado de luxo no Brasil, Carlos Ferreirinha fala das perspectivas do setor para os próximos anos no país

Texto: Márcia Gimenez | Fotos: Paulo Werner e Divulgação
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Quando se fala de mercado de luxo no Brasil, impossível não pensar em Carlos Ferreirinha. Atuando há 16 anos no setor, o consultor é um dos grandes especialistas – senão o maior – no promissor negócio do consumo de produtos premium no país. Natural de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, e radicado em São Paulo, Ferreirinha tem em sua empresa, a MCF, um polo de ideias para o desenvolvimento de mercado, novos negócios e formação de empreendedores na área. Graduado em administração de empresas, ele foi por sete anos o principal executivo da francesa Louis Vuitton na América Latina, e nessa função ganhou visibilidade. “Criaram a divisão da América Latina, e nela ajudei a iniciar a operação da grife em outros países. Coordenar 12 mercados diversos foi um extraordinário desafio”, diz. O balanço de sua atuação não poderia ser melhor. O faturamento nos mercados existentes quintuplicou, e a empresa passou a operar em países onde antes não entrava. “Mas é preciso ressaltar que foi um trabalho em equipe. Quan­do entrei a Vuitton empregava 20 funcionários na Amé­rica Latina, e ao sair deixei o grupo de 150 pessoas.” Pressionado para assumir novas responsabilidades – e novos mercados – pela gigante francesa, o consultor preferiu deixar a empresa. “Senti que já havia dado meu tempo”, afirma, com simplicidade.
Carlos Ferreirinha: “Perspectivas são muito boas”



Após um período de férias Ferreirinha foi convidado por Paulo Skaf – hoje presidente da Federação das In­dústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) – a desenvolver projeto de consultoria para a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit). Assim surgiu a MCF. Hoje, além de prestar consultoria a empresários, a MCF oferece cursos, palestras, análises de mercado e serviços de planejamento estratégico. “Nosso foco são os empreendedores brasileiros interessados em investir no mercado do luxo.”

Ferreirinha analisa que há muito trabalho a fazer no setor. “O mercado de luxo está em crescimento contínuo no Brasil, mas longe de amadurecer.” Ele enumera os problemas que identifica na área: muita burocracia (para a importação de produtos), consumo altamente concentrado em São Paulo e Rio de Janeiro, corrupção, carga tributária irreal e falta de conhecimento. Mesmo assim vale a pena investir no luxo no país? “Sim, o brasileiro é um consumidor impulsivo e ao mesmo tempo atualizado com as tendências. No médio, longo prazo as perspectivas são muito boas”, garante.

Ainda que reconheça o potencial do país, Ferreirinha tem os pés no chão. O Brasil continua não sendo prioridade para as grandes corporações de luxo, e é utópico considerar que um dia possamos passar à frente da Europa, dos Estados Unidos ou da China no setor. “Mas o fato é que com a boa fase econômica passamos a ser considerados como possibilidade, e nisso reside nossa chance de crescimento.”