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Quinta, 24 de Maio de 2012

Turismo

Para ir a dois

Casais de enamorados encontram no resort Kiaroa, na Bahia, ambiente propício para dias românticos emoldurados por uma natureza quase intocada

Texto: Silvânia Arriel | Fotos: Nélio Rodrigues
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Mata, micos, passarinhos preenchem o olhar. Tem-se a impressão de que está numa parte intocada da natureza se não fosse os bangalôs e as suítes cobertos de piaçaba, espalhados e ligados por rampas. Bem em frente, a praia quase deserta não fosse os poucos hóspedes a lagartear em cômodas espreguiçadeiras. Antes daquela visão serenada em terra, há a de cima, do pequeno avião que pousa na pista a passos nada sôfregos da recepção, depois de 40 minutos de voo entre Sal­vador e a península de Maraú, no sul da Bahia, com 48 ilhas a quebrar a monotonia do oceano Atlântico. Abre-se, é um preâmbulo, para aquele esparramado resort, o Kiaroa, parecido a hotéis da Oceania, até o nome é da pérola negra da Polinésia Francesa.

Se há os sofisticados bangalôs Bali, Moorea e Malindi com piscinas privativas, há as suítes Tropical, pouco menos luxuosas, a lembrar que se está no Brasil, com sua flora e fauna da região preservadas. Sem fios de eletricidade a enfear a natureza: eles se escondem no subterrâneo. Deixam à vista, entremeados à mata que cresce sem interferência do homem, a piscina socializada de 800 m², o mar de todos, o bangalô de reunião com café, chá e bolo à vontade durante as tardes, o spa, o restaurante, o bar da praia com preços nem tão acessíveis à turma da classe média mais para baixo.

O video desta matéria você confere na próxima semana

Vista aérea do Kiaroa, em Maraú: mata preservada



“Quando cheguei, não achei tão requintado como havia pensado. De­pois vi que a sofisticação estava na simplicidade”, diz a arquiteta Gláucia Britto. Em os funcionários saberem os nomes dos hóspedes, no jantar à luz de vela, sem entra-e-sai nem disputa de lugar ao sol, à mesa ou qualquer lugar que seja. Na liberdade de usar o que bem entender, sem exigências de trajes para ir ao restaurante de apurado cardápio, renovado todo santo dia pelo chef Antônio Bispo, ex-Fasano, de São Paulo. Só não permite menores de 12 anos. A exceção é feita nos meses de julho e dezembro.

Lá se vê mais casais, em lua-de-mel, em comemoração aos anos juntos, em busca da proximidade largueada com o tempo ou nem tanto. Não há como não se achegar naquele pedaço de 240 mil m² e 2,8% de área construída, antes uma fazenda, sem casa. “Meu pai era gerente e vim aqui para mostrar a divisa no dia 1º de maio de 2002”, lembra Valdenor Fernandes dos San­tos. Virou paisagista a pedido do novo dono, o italiano Fer­ruccio Bo­nazzi, que ergueu o hotel em 13 me­ses e começou pela pista de pouso. Precisava facilitar o acesso. Investiu na decoração com trabalho de artesãos locais. “Queria um lugar fora da vila e aqui está a 1,2 km de lá, com praia que não tinha ninguém”, diz Bonazzi.

Barco na península de Maraú: são 48 ilhas



A vila aí é de Barra Grande, sem calçamento, o que o motivou também a construir o resort ali, a enviar a roupa de cama para ser lavada fora, antes em Salvador, hoje em Ilhéus, a pensar em estação de tratamento de água. Era o segundo amor ao correr de olhos. O primeiro foi Morro de São Paulo, quando ao ir vender barco se encantou com o lugar, comprou uma pousada, convenceu a mulher, a psicóloga San­dra Lopes, a morar lá. Havia se cansado da vida em São Paulo, onde se aportou para montar estaleiro. “Ele pretendia curtir, viver sossegado, mas trabalha mais aqui do que lá”, conta Sandra. “É instrutor de mergulho e nunca mergulhou”. Decepcionou com a falta de estrutura de Morro de São Paulo e parou na península de Maraú, no Kiaroa, inaugurado em dezembro de 2003.
Gláucia Britto, com Otei Nogueira Filho: “A gente vira meio baiano”



“A proposta é ter lazer natural”, diz o empresário. Há 80 funcionários a cuidar do local, do spa e de espichar o passeio a outros locais, de bicicleta, monociclo ou de lancha, numa volta pelas ilhas ao redor. “Já começa com a aventura de ir de caminhão de boia-fria”, diz Gláu­cia, que estava com o marido, o empresário Otei Nogueira Filho. É, até entrar na lancha, atracada no píer da vila ou do Centro Náutico da Ilha do Campinho, extensão do resort, os hóspedes vão nesta condução, pelas estradas de terra que chocalham, mas nada desagradável para quem tem o almoço quente e o barco que desliza pela frente rumo a ilhas desertas. A primeira, um monte de areia, a Coroa Vermelha, depois, Pedra Furada. Há pedra por todos os cantos, paga-se 2 reais por pessoa para ir lá. Seguem Ilha Grande, do Sapinho, onde pode almoçar debaixo de árvores, do Goió e Tremembé, o encontro de cachoeira com o mar.

O pessoal mergulha na água fria e depois é retornar, com o pôr-do-sol, afinado com a natureza, ao produzir imagens que superam o olhar. Mas aí, veio o corte naquela bela paisagem: um dos motores da lancha parou. “Acho que é gasolina adulterada”, avisa o comandante Diesel. Ele e o guia Rodrigo Gomes de Magalhães pedem socorro, por celular, e 40 a 50 minutos depois outra lancha chega para resgatar os 14 passageiros.

Ilha de Goió, com estreita faixa de areia: tranquilidade



Voltam ao hotel no caminhão de boia-fria, nas estradas que chocalham, mas têm pela frente o jantar à luz de vela, preparado pelo chef Bispo, com pratos de comida internacional e regional. “Aqui a gente vira meio baiano, sem pressa, sem compromisso”, afirma a arquiteta. Sem estresse naquela mata de tantos anos, com o mar ao fundo, o oceano Atlântico. Quase não passa, só os hóspedes.

Retrato do Kiaroa



Como é
- Fica em 240 mil m², sendo 2,8% de área construída
- São 28 acomodações: 14 suítes e 14 bangalôs. Estes últimos têm piscina privativa ou banheira de hidromassagem, no caso do Malindi
- Piscina comum de 800 m²
- 80 funcionários, média de 3 para cada quarto
- 65% dos hóspedes são brasileiros, 35% estrangeiros (ingleses, portugueses,
norte-americanos, argentinos)
- Não aceita menores de 12 anos. A exceção é nos meses de julho e dezembro
- Há o Spa Armonia, com massagens para casais, individuais, que vão do watsu, reflexologia até as feitas com especiarias e preços de 80 a 550 reais
www.mywaytrip.com.br
Bangalô Moorea: dois banheiros e piscina exclusiva

Diárias*



- Suíte Tropical: 700 
- Bangalô Moorea: 1.585
- Bangalô Malindi: 1.585
- Bangalô Moorea master: 1.913
- Bangalô Bali: 2.350

(*) Em reais, mais 10% de serviço e 5% de ISS.

- A diária inclui café da manhã, jantar com bebidas não alcoólicas e o translado de avião quando superior a 6 noites. Menos que isto, paga-se 450 por pessoa, ida e volta de Salvador ao Kiaroa

Fonte: Kiaroa

Os bastidores desta matéria você confere a partir de quarta-feira, 21 de outubro