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Quinta, 24 de Maio de 2012

Política

Caiu na rede

... é político. Especialistas analisam o poder que os sites de relacionamento terão nas eleições de 2010, mas advertem: o resultado só será positivo caso a utilização seja adequada

Texto: Miriam Gomes Chalfin | Fotos: Renato Araújo/ABr
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Depois de mobilizar milhares de eleitores em sua campanha pela internet, no ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se tornou espécie de inspiração para políticos brasileiros que começam a enxergar, na rede mundial de computadores, uma ferramenta poderosa para as eleições de 2010. Ainda mais agora com a reforma eleitoral, que liberou a propaganda na internet e manifestações em blogs e sites de relacionamento, como Orkut e Facebook, e de mensagens instantâneas, como o Twitter. Mas até que ponto a rede pode interferir numa eleição?

Para Helcimara de Souza Telles, pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e PhD. em Ciência Política, a internet não é uma mostra dos eleitores brasileiros – o número de pessoas que têm acesso a ela ainda é pequeno –, mas é um meio importante. “Os partidos que não usarem a rede podem ficar para trás, mas ela não vai definir eleição. Vai, sim, municiar o eleitor para ampliar o número de informações sobre o candidato e ampliá-las para outras pessoas. Seu uso pode funcionar bem para os pequenos partidos, que têm pouco tempo na TV, meio que ainda atinge a grande massa da população”, afirma. Outra constatação que deve ser levada em conta: apesar de o brasileiro passar mais tempo sentado diante do computador (22 horas por dia) do que o norte-americano (19 horas), nos Estados Unidos o acesso à internet já se democratizou. Aqui, segundo dados do IBGE, apenas 40% dos brasileiros têm acesso à rede. E, na maior parte do tempo, buscam mais lazer do que informação.

Na opinião da professora, o público que acessa a rede é mais crítico, tem maior nível de escolaridade e pode buscar as informações que quiser. Diferentemente da TV, cuja propaganda política é a mesma e simultânea, em todo o território nacional, para públicos diferentes. “Mas o que promove mesmo o candidato é um conjunto de fatores, entre os quais a internet. Nesse sentido, a reforma eleitoral foi positiva porque garante o direito à manifestação e à liberdade de expressão”, diz. Para o doutor em Ciência Política Malco Braga, da PUC Minas, a internet é um instrumento muito rápido de divulgação, que permite ao candidato fortalecer o vínculo com o eleitor e ainda criar multiplicadores da sua proposta. Isso pode ser feito principalmente a partir das redes sociais, como o Twitter, que traz comentários, críticas e até ironias, gerando grande repercussão. Nesse meio, os candidatos contam o que fazem, tecem comentários sobre assuntos diversos, trocam ideias, respondem a perguntas de internautas, se defendem de acusações. “Ele inova em relação às outras redes porque permite, em curto espaço de tempo, acessar um grande número de pessoas, mobilizá-las para comício, por exemplo, e divulgar novidades da campanha”, destaca o professor.

E os políticos brasileiros já estão entendendo a força dessa ferramenta. Prova disso é o site PoliTweets (www.politweets.com.br), que reúne perfis de 165 deles, com o total de 277.390 seguidores até o último dia 26 de setembro. O mais popular deles é o governador José Serra (PSDB-SP), que, na mesma data, contabilizava 100.612 seguidores. O único limite, segundo o professor Malco Braga, é com relação às calúnias e difamações – apesar de a reforma vedar o anonimato e assegurar o direito de resposta. “Mas não será fácil a Justiça Eleitoral acompanhar a agilidade da internet”, acrescenta.

Para o direitor de Criação da Talk Interactive, Moriael Pai­va, a internet deve ser usada como mais um instrumento de mobilização. “Ela é rápida e tem o poder interativo que deve ajudar qualquer movimento político. O que muda agora é a chance de fazer isso sem o limite de um site, o que era inconcebível”, opina. O Twitter, segundo ele, se destaca como um lugar para que políticos conversem e cheguem mais perto de seus apoiadores. “Mas ainda não é espaço para qualquer um e muito menos para se fazer propaganda. É um meio interativo, de duas vias. Se um político está pronto para sair livremente nas ruas de uma grande cidade e encarar de perto seus eleitores, conversar numa boa, ele está pronto para o Twitter. Mas muitos políticos não têm essa condição hoje”, diz Paiva. De acordo com ele, o candidato que entender que as redes sociais, como Orkut e Twitter, são espaços de conversa e interação, e não de propaganda, já sai em vantagem. “É uma fórmula simples, mas que a maioria ainda não usa.”

Com a reforma eleitoral, mudam-se também as estratégias de campanha. “Sem dúvida, as campanhas, que antes tinham folder e santinho, vão investir também em mídias sociais”, diz o professor Malco Braga. Para Moriael Paiva, uma das principais vantagens da internet é que ela pode conversar com todo mundo da forma mais adequada. “Atender a pessoa que não conhece o candidato, a outra que já o conhece e quer firmar posição, aquelas que podem ajudar na campanha e até a que não gosta do candidato, mas que pode ser convencida do contrário. Para cada caso, uma abordagem, um conteúdo, uma mensagem. De argumentos fortes a material de campanha”, finaliza.

Reforma Eleitoral e Internet



  • O texto aprovado determina que “é livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato durante a campanha eleitoral, por meio da rede mundial de computadores”
  • A propaganda na internet está liberada em portal do partido ou do candidato, nas páginas de relacionamento da rede, como Orkut, nos sites de mensagens instantâneas, como o Twitter, e em blogs
  • Eleitores poderão fazer doações a campanhas por meio da internet
  • O uso da internet está proibido por parte de empresas ou órgãos da administração direta e indireta da União, estados e municípios. A multa para quem desobedecer à determinação vai de R$ 5 mil a R$ 30 mil
  • A propaganda que aparece nas páginas dos jornais impressos poderão ser reproduzidas nas páginas dos respectivos veículos na internet. Entretanto, não se pode comprar espaço exclusivamente na web

Políticos no Twitter



O site www.politweets.com.br reunia, até o dia 26 de setembro, 165 políticos brasileiros, sendo:

  • 62 vereadores
  • 54 deputados federais
  • 20 deputados estaduais
  • 19 senadores
  • 7 prefeitos
  • 3 governadores

Frases



Frases retiradas do Twitter dos políticos

  • José Serra

"Sou muitíssimo grato aos primeiros que me seguiram e me ensinaram, me deram dicas, me deixaram à vontade, me animaram a ficar."
 25/9/2009 4h26

"É uma surpresa ter mais de cem mil seguidores, em quatro meses e pouco. Entrei aqui de curioso em18 de maio e mal sabia o que era Twitter."
 25/9/2009 12h22

  • Aloizio Mercadante

"O governo brasileiro teve hoje integral apoio da ONU, que condenou os atos de intimidação e exigiu o fim do cerco à embaixada brasileira."
 25/9/2009 15h12

  • Cristovam Buarque

"As pesquisas eleitorais mostram que a eleição de 2010 não será um plebiscito amarrado. O eleitor começa a ter alternativas."
 22/9/2009 15h37

  • Gabriel Chalita

"Todos os dias há um desafio que se renova. Escrever mais um capítulo da nossa história. Com dignidade! Bom dia."
 26/9/2009 9h5

  • Fernando Gabeira

"Congresso criou comissão para ir a Honduras. Estou fora. Brasil deixou de ser mediador para ser contendor."
 22/9/2009, 17h50

Mais seguidos



Os cinco mais seguidos, segundo o site www.politweets.com.br são:

  • governador José Serra ­ (PSDB-SP), com 100.612 seguidores
  • senador Aloizio Mercadante (PT-SP), com 26.212 seguidores
  • senador Cristovam Buarque (PDT-DF), com 16.787 seguidores
  • vereador Gabriel Chalita (PSDB-SP), com 16.499 seguidores
  • deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), com 14.831 seguidores