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Quinta, 24 de Maio de 2012

Mercado Financeiro

Salto na Bolsa

Diante do momento positivo, especialistas analisam se há fôlego suficiente para que o Ibovespa quebre seu recorde histórico de 73.516 pontos até o fim de 2009

Texto: Elisângela Orlando e Terezinha Moreira | Fotos: Pedro Vilela
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Que a economia mundial já deu os primeiros passos para sair da recessão, ninguém mais duvida. Reza o ditado que depois da tempestade vem a bonança, mas, como o mercado financeiro vive de expectativas, esse período de calmaria parece ter chegado antes mesmo do fim do temporal. Pelo menos no Brasil. Prova disso é a escalada, nos últimos meses, do Ibovespa, principal índice do mercado de capitais que expressa, na forma de pontos, a evolução dos preços das ações mais negociadas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Nas primeiras semanas de outubro, o Ibovespa chegou a superar os 64 mil pontos. A marca ainda está distante de sua máxima histórica, de 73.516 pontos, atingida em 20 de maio de 2008, mas é um sinal dos bons ventos que têm embalado o sono de muitos investidores. Entretanto, para bater esse recorde, a Bolsa teria de subir, aproximadamente, mais 14,9%, o que gera outra dúvida: há mais espaço para alta dessa magnitude ainda este ano?

Para o professor Aureliano Bres­san, do Instituto de Ciên­cias Econômicas da Uni­versidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o movimento na Bolsa de Valores está ligado a três fatores: o cenário econômico mundial, os preços das commodities e a elevação do Brasil a grau de investimento pela agência de classificação de risco Moody's. “Tudo isto tende a atrair mais recursos. É de se esperar correção para o ano que vem, mas não é possível quantificá-la”, opina. Ainda conforme Bressan, os 63 mil pontos atingidos pela Ibovespa este ano não devem ser mantidos, a tendência é que caia, mas em um movimento normal na Bolsa de Valores. “Agora é hora de ganhar. Os investidores vão colocar seus papéis à venda, causando movimento massivo, o que naturalmente reduz o preço das ações e provoca queda. Mas depois as coisas voltam ao normal. É a volatilidade comum do mercado de capitais”, assevera o professor da UFMG. Ele diz que para 2010 é difícil prever os movimentos do mercado de ações, mas a perspectiva é de maior elevação em função da retomada de crescimento no pós-crise.

O professor de Finanças Eduardo Coutinho, do Ibmec, endossa o coro dos que não acreditam que o Ibovespa mantenha essa trajetória ascendente até o final do ano. Segundo ele, a tendência é de estabilidade. Ele credita a alta registrada até o momento ao retorno do investidor estrangeiro, mas ressalta que as reações positivas decorrentes dessa volta já foram sentidas pelo mercado de ações. Na opinião do especialista, isso significa que o momento de ganhos extraordinários com investimentos na Bolsa de Valores já passou e que não deve haver grandes alterações nesse quadro até dezembro.

Mas há divergências. Alguns especialistas apostam que, apesar de ser difícil prever o comportamento do mercado de ações, há fôlego para que o Ibovespa suba mais este ano, podendo, inclusive, superar a mar­ca dos 73 mil pontos. É o que afirma o presidente da Associação dos Ana­listas e Profissionais de Investi­men­tos do Mercado de Capitais de Minas Gerais (Apimec-MG), José Domingos Vieira Furtado. Ele sinaliza que pode haver certa volatilidade no curto pra­zo, mas reforça que as perspectivas de alta são boas. “Houve valorização de empresas menores, que foram lançadas recentemente na Bolsa, mas papéis de grandes empresas como Petro­bras, Vale e diversas siderúrgicas, que têm peso muito maior, ainda não tiveram valorização. Se isso acontecer, pode haver nova alta ainda este ano”, defende o especialista . O cenário de 2010, porém, deve ser bem diferente, na avaliação do presidente da Apimec.  Ele frisa que, devido às eleições, no próximo ano o mercado de ações deve ser marcado pela volatilidade.