Mineirinho valente, come quieto, trupico mineiro, rola bola, encontro marcado. Pode não parecer, mas esses são alguns nomes de pratos campeões do Comida di Buteco. Prestes a entrar na sua 10ª edição em Belo Horizonte, a história do evento reúne iguarias de dar água na boca de qualquer botequeiro. Muitas delas, de tão saborosas, proporcionaram aos donos dos estabelecimentos não só um troféu, mas garantem até hoje um lugar no pódio nos quesitos faturamento e público recorde.
Vencedor na primeira edição, o proprietário do Bar do Careca, Orsínio Gonçalves Ferreira, famoso pelo dom na cozinha e pelos poucos fios que lhe restam na cabeça, colhe os louros de sua vitória mesmo quase uma década depois da consagração. “Participar do festival ajuda em todos os sentidos. Amplia a divulgação, melhora o lado financeiro, gera empregos e traz novos fregueses”, diz Careca, que há 23 anos mantém o seu negócio no bairro Cachoeirinha, sempre acordando às 6h30 e indo dormir às 2 horas da manhã. A obra-prima que rendeu o título de campeão foi um prato feito com língua de boi, comercializado atualmente por 21,90 reais em quantidade suficiente para abastecer de duas a três pessoas. Em média, são vendidos cerca de 300 pratos por mês! Para acompanhar, a sugestão é uma porção de arroz branco (4,90 reais) ou pãezinhos (0,30).
O empresário e chef mantém segredo sobre sua próxima criação. Apenas adianta: “Tem a ver com peixe”. No mais, diz que pretende ampliar o quadro de funcionários. “E quem for bom continua com a gente, já que durante três meses na fase pós-evento o número de clientes fica entre 50% e 60% maior”, antecipa.
Em sua terceira participação no festival, o Bar da Cida, no bairro Floramar, também comemora os bons ventos soprados pelo Comida di Buteco. Em 2008, o pequeno, mas aconchegante estabelecimento de esquina, arrebatou o primeiríssimo lugar com o rola bola: almôndegas ao molho da casa com batatas, acompanhadas de pãozinho. De lá para cá, a casa vende cerca de 500 porções por mês, ao preço de 17,90 reais cada. Quem tiver com menos apetite, tem a opção de pedir meia. Nesse caso, o tira-gosto custa 9,90 e serve duas pessoas com fome moderada.
“Quando ganhamos, a gente chegava para trabalhar e já tinha seis, sete carros na porta esperando”, lembra o sócio Francisco Antônio Chagas. Segundo ele, a participação o obrigou a contratar mais sete empregados, além dos cinco que já trabalhavam no estabelecimento. “Hoje, vem gente de tudo quanto é lado de BH e até de outros estados. Com isso, nosso faturamento melhorou uns 30%”, diz. Para este ano, a aposta continua sendo carne de boi. “Mas não posso dizer mais nada.”
Localizado no bairro Caiçara, o Bar do Véio também passou a ser ponto de parada de belo-horizontinos e forasteiros que adoram a combinação loira gelada e tira-gosto. “Já recebemos até gringo. Com a participação no festival, nosso movimento cresceu uns 20%”, afirma Marcelo Gomes Fantini, dono do estabelecimento em sociedade com os irmãos Célio, Vagner e Fábio, todos filhos de Célio Fantini, o Véio.
Para Fantini, o vitorioso come quieto – cabeça de lombo com creme de legumes, molho de abacaxi , hortelã e batatas –, vitorioso em 2007, foi a consagração de um trabalho de vários anos. “Prova disso é que já fomos campeões nos quesitos higiene e cerveja gelada em diversas ocasiões”, propaga. O prato campeão custa 24 reais. Para fazer uma boquinha, a sugestão é o torresmo de barriga. São cerca de 15 pedidos por dia. “Trabalhamos muito, mas o retorno vale a pena”, observa.
Outra cozinha movimentada é a do Bar do Zezé, que fica no Barreiro de Baixo. “Depois de participar do evento pela primeira vez, em 2004, desmanchei a mercearia que tinha para ampliar o bar”, conta Zezé, como prefere ser chamado. Das suas panelas, já saíram dois campeões do Comida di Buteco. Em 2004, levou o ouro o mineiríssimo encontro marcado, mistura de jiló, carne e angu, comercializado hoje por 10 reais. Já em 2006, chegou na frente o trupico mineiro, cujos ingredientes são feijão carioquinha, pé de porco, linguiça defumada, costelinha, mostarda refogada, torresmo e farinha. A porção inteira serve duas pessoas e custa 16 reais. Metade do prato sai a 9.
Campeão em 2003, o Bar do Careca, no bairro Floramar, já carimbou seu passaporte para a próxima edição. “Desde 2002, quando entrei na disputa, que o bar está sempre cheio. A casa passou a receber entre 40% e 50% mais clientes”, comemora o proprietário Amarildo Alves da Costa. “Sou careca, pescador, safado e muito bonito também”, brinca, ao explicar a origem do nome de seu estabelecimento.
Segundo ele, o carro-chefe do bar ainda é a traíra sem espinho, detentora de mais de 80% dos pedidos. “Se não tiver traíra, não precisamos nem abrir a casa”, diz. O preço do prato varia de 30 a 60 reais. Tanto sucesso vindo das águas inspirou o empresário a elaborar o próximo concorrente. Ele mantém a boca fechada, mas um cliente sentado em uma mesa vizinha deixa escapar. “Vai ser tilápia na praia do Careca”, adianta. É esperar pra ver....
Campeões em edições anteriores, mas fora do 10º festival, Mercearia do Lili, no Santo Antônio, e Casa Cheia, no Mercado Central, lamentam a saída. “O evento é particular e a decisão não coube a mim. Mesmo assim, vou lançar um prato novo”, diz Ilmar Antônio de Jesus, proprietário do Casa Cheia, onde o mineirinho valente – canjiquinha com costelinha – é uma das estrelas do cardápio. O prato, campeão em 2005, sai a 14,50.
Já Dércio Antônio Ferreira Dias, da Mercearia do Lili, que em 2002 conquistou o paladar do público com a costela de boi sem osso, afirma que até agora não houve contato por parte da organização do Comida di Buteco. “Nossa última participação foi em 2007. E não sei como vai ser daqui para frente”, comenta ele, acrescentando que todos os concorrentes do festival são sucesso de venda. A delícia campeã é vendida por 22,90 reais. Agora resta esperar para degustar os próximos campeões de audiência.