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Quinta, 24 de Maio de 2012

Empresa

Uma jovem de 75 anos

Ela já vivenciou várias crises, turbulências econômicas e, após sete décadas e meia, mostra fôlego de adolescente

Texto: Elisângela Orlando | Fotos: Divulgação
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Ela está prestes a completar 75 anos, mas o vigor é o de uma jovem que acabou de sair da puberdade e ainda tem a vida inteira pela frente. Afinal, é preciso muito fôlego para sobreviver a inúmeras crises políticas, mudan­ças no cenário mundial, vários períodos de recessão e aos altos e baixos na economia brasileira e internacional ocorridos desde 1934, quando a Mascarenhas Bar­bo­sa Ros­coe S/A Construções foi fundada. Só mesmo uma companhia com bases sólidas poderia chegar a esta idade e ainda ter planos e metas a cumprir, sem se deixar levar por mais uma crise econômica, como a que tem abalado os mercados e empresas nacionais e estrangeiras desde o final de 2008.

Prova disso é que, depois de fechar o ano passado com faturamento de aproximadamente 400 milhões de reais, valor mais de 200% maior que o obtido em 2007, de 170 milhões, a empresa, focada em construção pesada e industrial, estima encerrar 2009 com resultado pelo menos igual ao do ano passado. Mas, se depender da expectativa do gerente comercial da Mas­care­nhas, Luiz Alexandre Monteiro Pires, essa meta deve ser ultrapassada e o balanço final será ainda melhor, com aumento de 10% frente a 2008.

Grua importada da Alemanha em 2009 pela ETS



Motivos para tanto otimismo não faltam. Em janeiro, a companhia fechou contrato de mais de 200 milhões de reais com a VSB - Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil. Somente esta obra, realizada em Jeceaba, na região Central de Minas, é responsável pela geração de três mil novos postos de trabalho. Além disso, a Mascarenhas está à frente das obras civis na planta siderúrgica para produção de lingotes de aço de alta qualidade da Thyssenkrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), em Itajaí, no Rio de Janeiro. Cerca de 80% do projeto já está concluído. Uma das ações que impulsionou os resultados positivos obtidos pela empresa em 2008 foi a parceria fechada com a Gerdau Açominas para a execução da obra da sinterização e outras unidades da siderúrgica no município de Ouro Branco, a 116 km de Belo Horizonte, região Central do estado. “Esses são apenas alguns dos projetos que justificam os bons números da companhia”, diz o diretor presidente da empresa, Luiz Fernando Pires.

Vale ressaltar, porém, que a trajetória bem-sucedida da construtora mineira havia começado bem antes, em 9 de abril de 1934, quando os jovens engenheiros Antônio Mascarenhas Barbosa e João Roscoe criaram a empresa. Dois anos mais tarde, a companhia venceria sua primeira grande concorrência pública, ficando responsável pela construção do Hospital Estadual Colônia São Francisco de Assis, em Bambuí, na região Centro-Oeste de Minas. Com Juscelino Kubitschek na Presidência, na década de 1950, conhecida como a era do desenvolvimento, a Masca­re­nhas Barbosa Roscoe assumiu obras ainda maiores, como a construção da trefilaria da Belgo, em Con­tagem, na Grande Belo Ho­ri­zonte. Cerca de 30 anos depois, nos turbulentos anos 1980, a empresa conseguiu manter-se firme diante da forte crise econômica que abalou o país, realizando obras importantes para a Companhia Side­rúr­gica de Tubarão e sendo responsável pela reforma de um dos símbolos da capital mineira: a Es­tação Central de Belo Horizonte.

Obra da Mascarenhas na Belocal, em Arcos (MG)



A primeira mudança acionária aconteceu em 1990, quando, após 56 anos de trabalho, João Roscoe decidiu deixar a companhia. A família Mascarenhas Barbosa saiu da empresa em 1994. Para dar continuidade à história de sucesso surge Luiz Gonzaga Quirino Tannus, do Rio de Janeiro, que adquire a empresa e chama o colega de faculdade Luiz Fernando Pires para aju­dá-lo na empreitada. De diretor exe­cutivo, em 1999, Pires  passa a presidir a construtora.  Com a mudança na direção da companhia, a construtora ganhou ainda mais fôlego e, na década de 1990, fez várias obras de destaque, superando os desafios inerentes a um período que ficou marcado no país pela baixa atividade econômica.

No novo milênio, a curva de crescimento manteve-se positiva. O presidente da Mascarenhas Barbosa Roscoe, Luiz Fernando Pires, não esconde que a atual crise econômica fez com que muitas empresas recuassem em alguns projetos, postergassem os prazos de conclusão de várias obras e adiassem muitos investimentos. “En­tretanto, como muitos contratos já haviam sido fechados em 2008 e também no início de 2009, as perspectivas otimistas para o ano permanecem inalteradas”, afirma. A empresa, cujas obras atualmente estão 100% concentradas no centro-sul do país, também participa de várias licitações nas regiões Norte e Nordeste, o que também contribui para as previsões positivas.

Viaduto Antônio Mascarenhas Barbosa: obra da construtora feita na década de 1960



Hoje, Pires administra a empre­sa com profissionais experientes e que estão há muito tempo na empresa, além de jovens profissionais em formação que já ssumiram grandes responsabilidades, entre estes seus dois filhos. Antevendo o que vem pela frente, a companhia já está se preparando para o processo de sucessão. Para is­so, tem investido em cursos e buscado a consultoria de instituições co­mo a Fundação Dom Cabral e o Instituto de Educação Tecnológica (Ietec). Tanta precaução tem motivos. Segundo o presidente da Mas­carenhas, geralmente é nos períodos de crise ou de sucessão que muitas empresas morrem. “Não são apenas meus filhos que estão se preparando, mas todo o corpo gerencial da empresa. O objetivo é que a transição ocorra da forma mais tranquila possível.”

Atualmente, a construtora é o principal negócio da família, que também possui outras empresas em áreas distintas. Uma delas é a ETS – Engenharia, Tecnologia e Ser­viços, focada no aluguel de equi­pamentos para a própria Mas­carenhas e também para o mercado de modo geral. O grupo possui ainda uma empresa de estacionamento em Niterói (RJ), a Ni­terói Park, além da Charita Con­ces­sionária S.A., que tem uma concessão viária (túnel) de liagação entre duas regiões da cidade de Niterói, além de uma firma que atua no segmento imobiliário, a Pires e Asso­ciados, que constrói imóveis para as classes C e D em Belo Horizonte e Contagem.

Se­gun­do Pires, o objetivo do grupo é  aumentar a participação no segmento de concessão rodoviária tanto no âmbito estadual, quanto federal. “A tendência é que a privatização de estradas no Brasil aumente. Em Minas, por exemplo, há muitas rodovias para serem privatizadas, o que faz essa área ser muito promissora.” É muito fôlego para uma senhora de 75 anos, bem vividos por sinal.