Gandhi já dizia: “A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte.” E foi isso que a artista plástica, bordadeira, pintora, escultora, escritora e advogada Beth Lírio fez com a sua. Desde que se aposentou, por tempo de serviço, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais ela se dedica intensamente às manifestações artísticas, principalmente, ao que se refere ao bordado, à sua história e à criação do espaço para a sua valorização – o Museu do Bordado.
Tudo começou assim: camisola de 1815. Essa foi a primeira peça bordada a dar início ao acervo que hoje compõe o museu. Toalhas, fronhas, vestidos de noiva, bolsas e objetos usados para a criação dos pontos fazem parte do acervo, que atualmente possui mais de 2 mil peças. Trata-se do primeiro Museu do Bordado do Brasil e está instalado na casa de Beth Lírio. A artista plástica, que aprendeu a bordar com a mãe, Irene Lírio, tem escrito cartas às autoridades públicas para que eles disponibilizem uma casa onde possa funcionar o museu.
Tudo começou pouco antes de 2006, quando Beth, ao fazer um trabalho, pediu aos amigos que lhe enviassem peças bordadas. Entretanto, ela não imaginava que tanta ajuda faria com que detivesse em mãos um grande acervo de peças antigas. É onde entra a participação do amigo da artista plástica e assessor político da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Leandro Martins. Ele doou mais de 400 peças ao museu e ainda sugeriu a criação da Associação Amigos da História do Bordado. “Beth colecionava várias peças e tinha muito material. Com a associação, ela teria recursos e poderia angariar fundos”, conta. Leandro acredita que através do Museu do Bordado é possível fazer um resgate da cultura brasileira.
É o que também pensa a artista plástica Belkiss Diniz. Ela acompanhou toda a criação do museu e já doou muitos artigos bordados, incluindo o seu vestido de noiva e o enxoval de sua mãe. Belkiss afirma que, no museu, encontram-se as lembranças mais valiosas. “A mesma camisola com que eu, meu pai e meu filho fomos batizados, vou doar ao museu”, conta. Já a jornalista Tetê Rios doou o enxoval de sua mãe, da década de 50. Para ela, fica difícil para Beth agendar as visitas, já que o museu acontece em sua casa. “Ninguém acordou para essa iniciativa isolada. É a Beth quem sustenta o museu e ela tira dinheiro do próprio bolso. É preciso a ajuda do poder público”, afirma.
Serviço
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