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Quinta, 24 de Maio de 2012

Beleza

Naturalmente bela

A cirurgia plástica evoluiu, e muito, e a ordem agora é fazer pequenas intervenções ao longo do tempo em prol de uma aparência sem artificialismos

Texto: Luciana Avelino | Fotos: Pedro Vilela
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Há quase meio século da frenética largada rumo à cirurgia plástica, o segmento brasileiro evoluiu, e muito. Com técnicas se modernizando progressivamente, as operações estão cada vez mais eficientes, vide a redução do tamanho das cicatrizes, quase que ocultas. Hoje, plástica em alta é a que exibe resultados bem naturais e valoriza a estética facial individual. “Quando se torna claro que o visual melhorou, rejuvenesceu, mas não se pode afirmar exatamente o que mudou”, diz Jorge Antônio de Menezes, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – MG.

Resultados harmônicos, procedimentos estéticos e cirúrgicos me­nos invasivos possíveis. De acordo com a médica Ian Goedert Duarte, este tema tem sido frequente nos congressos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. A tendência é deixar a pessoa bonita, promover bom envelhecimento. “Oferecer meios para envelhecer com qualidade de vida, aparência suave, sem grande discrepância com a idade biológica.” Ian costuma dizer que o ideal é harmonizar os sinais do tempo.  

A dica da cirurgiã plástica parece ter sido acolhida por Dilma Rousseff, que no início do ano surgiu com visíveis intervenções estéticas. A nova imagem da ministra da Casa Civil divulgada nos quatro cantos da mídia nacional é exemplo de transformação moderada bem-sucedida. Embora não seja possível afirmar ao certo os passos do rejuvenescimento – apesar de toda especulação dos meios de comunicação mesmo ante a negativa dos médicos responsáveis em emitir declarações à imprensa –, Dilma agora conta com aparência mais jovial, descansada.

Embora muitos tratamentos e recursos possam retardar a cirurgia plástica, como toxina botulínica, preenchimentos, peelings e lasers, o cirurgião Jorge Me­nezes acredita que, em determinados casos, ela é o único caminho para se rejuvenescer de fato. “Com a idade, a textura da pele se modifica, há perda óssea, muscular e de gordura. Por isso, a cirurgia de face não só imprime melhor aspecto, como reposiciona estruturas internas, promovendo preenchimento.”

 Apesar do poder transformador da plástica, os profissionais afirmam que o ideal é cuidar da aparência ao longo da vida. Adotar uma estética preventiva que inclua, à medida do necessário, procedimentos e tratamentos suaves e, não, render-se ao bisturi quando sinais de envelhecimento estiverem tão evidentes. A toxina botulínica, por exemplo, muitas vezes recriminada, é excelente artifício para driblar rugas de expressão: vincos entre as sobrancelhas, rugas frontais, pés-de-galinha. “Hoje, os profissionais estão bem conscientes e as aplicações tendem a ser mais comedidas. O objetivo é amenizar o envelhecimento, manter a naturalidade da expressão facial, sem o aspecto embonecado.” 

Para a médica Ian Duarte, a indicação para começar a cuidar da estética e se prevenir contra o envelhecimento deve iniciar ainda na infância, com uso de filtro solar. Já a partir dos 25 anos, recomenda cosméticos apropriados para cada tipo de pele. “Para aplicação de toxina botulínica não há idade adequada e, sim, melhor indicação. O procedimento pode até ser recomendado antes dos 30 para rugas profundas entre as sobrancelhas, por exemplo. O intuito é não deixar que as marcas se acentuem.” E foi justamente em prol da prevenção, que Cynthia Assis Gonzaga, agente de viagem e modelo, começou a fazer aplicações de toxina botulínica e sessões de peeling de cristal, ano passado, aos 25 anos. “Tinha marcas visíveis na testa e entre os olhos que me incomodavam. Comple­mento com o peeling uma vez por mês para eliminar manchas, clarear e renovar a pele.”

Além da toxina botulínica, campeã de preferência nos consultórios médicos em função da facilidade de aplicação, eficácia e custo, liftings de face – processos cirúrgicos com pequenos cortes na pele –, lipoaspiração, abdominoplastia e silicone são técnicas também em alta.  Apesar de as mulheres ainda serem recordistas em procedimentos dessa natureza, o público masculino está bem mais à vontade nessa seara, como cirurgias de papada e pálpebra, implantes de cabelo. Pesquisas recentes realizadas com altos executivos revelaram que os profissionais já demonstram cuidado de não ostentar expressões que revelem preocupação, como testas franzidas em excesso. 

Embora se considere apenas cuidadosa com a aparência, a decoradora Maria Helena Botrel, 52, submeteu-se há dois anos, às cirurgias plásticas de face e pálpebras. “A segurança passada pelo meu cirurgião superou certos receios. Mas acredito que fiz na hora certa.” Para ela, até os 40 anos é possível manter certa jovialidade com tratamentos ligeiros. Já com mais idade, a realidade é outra. “Com o tempo, a lei da gravidade fica mais incisiva e, os recursos, menos eficazes. ” Antes da dupla plástica, a decoradora mantinha apenas rituais básicos, como limpeza e tonificação constantes da pele, uso de cremes manipulados e aplicações de toxina botulínica. 

Conceição Maria da Cunha, 64, é outra adepta de intervenções pontuais à medida que os anos passam. Revela que procura profissionais da área estética da mesma forma que vai ao cardiologista, mastologista. “Não espero ter problemas para ir.” A primeira intervenção ocorreu há 15 anos. Mesmo assim, a cirurgia de pálpebras decorreu a partir de recomendação médica, já que seu campo de visão estava comprometido.

A partir daí, vieram aplicações de toxina botulínica na testa e ao lado dos olhos, preenchimentos entre as sombrancelhas e nas laterais da boca, tratamento com laser para eliminar manchas no rosto, colo, carboxiterapia no rosto e pescoço e lipo no pescoço para eliminar queixo duplo. “Nunca fiz nada muito radical por ter receio de mudar a minha feição. Tenho consciência de que excessos costumam ser doentios e quase nunca rendem bons resultados.” Na visão de Ian Duarte, uma das consequências do exagero em prol da estética é a perda das personalidades física e psíquica. “Corre-se o risco de nunca ficar satisfeito fisicamente. É preciso também ter cuidado com novidades. Nem todas promessas podem ser cumpridas.”

Se a tendência do segmento se torna cada vez mais distante das plásticas realizadas no início da década de 60, que muitas vezes transformavam biótipos de origem, a demanda por cirurgias estéticas continua em  ascensão. O Brasil saltou do segundo país do mundo a fazer plásticas para o primeiro, ao lado dos Estados Unidos. É justamente a valorização do brasileiro em torno da aparência, o maior estímulo pela procura pelo bisturi. “A vaidade associada ao apelo tropical faz da jovitalidade, forma física e beleza valores incondicionais na cultura do Brasil”, declara Jorge Menezes.