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Quinta, 24 de Maio de 2012

Artigo

Mar de Lama

O Castelogate tirou o deputado Edmar Moreira da corregedoria, e hoje o empaca no Conselho de Ética, por ausência da dita cuja

Texto: Wagner Gomes
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Wagner Gomes - Administrador de empresas

Nada mais batido que este termo cunhado por Carlos Lacerda na extinta Tribuna da Imprensa, para desqualificar o governo de Getúlio Vargas a quem acusava de corrupção. De lá para cá, tornou-se comum e repetitivo. Antigamente ele se restringia ao triângulo: governo, oposição e imprensa. Hoje se disseminou. São tantas as práticas condenáveis, que até a imprensa se perde ao enumerá-las. A verba indenizatória é um escândalo antigo, pois data de 2003 e tem sua origem no Senado. O Castelogate tirou o deputado Edmar Moreira da corregedoria, e hoje o empaca no Conselho de Ética, por ausência da dita cuja. Notas fiscais que deveriam justificar e lastrear quaisquer gastos com origem nos recursos arrecadados por tributos federais, transformam-se em segredos de estado. O diretor do Senado, Agaciel Maia, conseguiu a mágica de, mesmo sendo assalariado, tornar-se o feliz proprietário de uma mansão de alguns milhões de reais. Ocorreu pagamento de horas extras a servidores do Senado em pleno mês de férias, enquanto o seu diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi cedia apartamento funcional para seus filhos morarem, graciosamente.


O nepotismo no serviço público, proibido por súmula vinculante, adquire nova faceta, gerando anticorpos, através de empresas terceirizadas. Três deputados pagavam suas empregadas domésticas com recursos da Câmara. Claro que somente elas foram punidas com demissão. E o uso de jatinhos por senadores, cujo pagamento utilizava verbas de passagens áreas? O deputado Fábio Faria, invejoso que é, aproveita essa mesma verba para demonstrar o seu imenso amor por Adriane Galisteu, bancado com nosso pobre dinheirinho, adornando, ainda, o seu camarote no Carnatal com atores globais, empresários e estilistas – todos viajando sob a égide dessa nefasta fonte de recursos.


Ministros deputados usam, sem a menor cerimônia, essa mesma regalia. Tudo isso sem falar no turismo internacional com cotas de passagens áreas, que bancam integrantes das família de nossos nobres representantes. Até a viúva do correto senador Jefferson Peres foi cooptada, ao ser orientada em requerer indenização pelas passagens não utilizadas pelo falecido, no período de janeiro a abril de 2008. Mas tudo isso já está resolvido com a edição de novas regras para o seu uso – agora com benesses explicitamente escancaradas – e, claro, para não haver dúvidas, com o perdão de todos os delitos passados.

A sociedade está perplexa com a mania que se generaliza no mundo político, quer seja governo ou oposição, de multiplicar os bens materiais, enquanto dividem a escala de valores intrínsecos à honra e à moral. Nossos representantes, de tão insensíveis, estão sempre a confundir legalidade com moralidade. A impotência diante de tais absurdos está prestes a romper o seu dique e uma nova geração de caras pintadas pode vir a povoar as ruas, exigindo mudanças na farra do Congresso, cujos desmandos remetem os delitos da era Collor de Mello ao Juizado de Pequenas Causas, na visão do senador Pedro Simon.