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Quinta, 24 de Maio de 2012

Artigo

A caminho de 2010

A doença de Dilma trouxe um fato novo, assanhando antigos pretendentes petistas, que se puseram de plantão, caso tenha que haver troca

Texto: Paulo César de Oliveira
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Paulo César de Oliveira -

Querendo ou não o país, 2010 chegou. As disputas para presidente e governadores já começaram. Talvez não para o eleitor, assustado com a crise econômica  e com o fantasma do desemprego.


Foi o presidente Lula que antecipou o processo. Sem um nome confiável entre os velhos companheiros políticos, foi obrigado a inventar a ministra Dilma Rousseff, uma pedetista convertida ao petismo (ou lulismo?), que nunca tomou banho de urna, mas que impressionou o presidente pela capacidade de trabalho.


E aí, como precisava viabilizá-la internamente, contornando a resistência dos petistas mais tradicionais, deflagrou o processo sucessório dentro do partido. Deu a ministra como fato consumado, colocou-a a tiracolo e saiu em campanha.

 

A doença da ministra trouxe, no entanto, um fato novo, assanhando antigos pretendentes petistas, que se puseram de plantão, caso tenha que haver  troca. Fora do PT, Ciro Gomes, do PSB, um aliado pouco confiável pelo destempero verbal, levantou a voz, sinalizando que está às ordens.

 

O PMDB continua à disposição para ocupar a vaga de vice. Tanto pode ser de Dilma, pela situação, como de Serra ou Aécio pela oposição. Os peemedebistas sabem apenas que não terão candidatura própria, mas só ano que vem definem de que lado estarão.


Lançando sua candidata, Lula forçou  Aécio e Serra partirem para o embate. Eles já estiveram mais distantes politicamente, afastados pela discussão das prévias. Certos de que separados perdem a disputa, sinalizam que farão das prévias não uma disputa fratricida, mas  pré-campanha eleitoral, apresentando o projeto tucano para o país. Quem vencer terá o apoio do outro.


Locomotiva federal andando, os carros estaduais vão atrás. Em Minas, a situação é a mais complicada. O vice, Antonio Anastasia, é candidatíssimo, agora, mas vai depender do que o governador Aécio Neves for. Se ele disputar a Presidência, a sucessão em Minas pode virar moeda de troca para buscar apoios. Já se ele sair para o Senado, Anastasia assegura a vaga.


Situação semelhante vivem Hélio Costa, líder das pesquisas, Patrus Ananias e Fernando Pimentel, do PT. Dependendo das composições federais, Costa pode sair vice de Dilma, candidato a governador ou a senador, com o apoio de Patrus e Pimentel que ainda brigam internamente, sem saber se o partido terá ou não candidatura própria ao governo estadual.


Em São Paulo, Serra não sabe se disputa a reeleição ou a Presidência da República, deixando Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab perdidos e ansiosos. No Rio, Sérgio Cabral, do PMDB, que sonhou ser vice do PT, agora fala em reeleição, talvez enfrentando Lindemberg Faria, prefeito de Nova Iguaçu, que não abre mão de encabeçar uma chapa petista.


Já em Brasília, a disputa pode ser entre o peemedebista Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, candidato do DEM à reeleição. Coincidentemente todos dois renunciaram para não serem cassados. O vice, Paulo Octávio, com quem Arruda tinha combinado dividir o mandato, dois anos de governo para cada um e não cumpriu, vai disputar o Senado, fugindo assim da disputa acirrada pelo governo do Distrito Federal.


E assim caminha o 2009, com cara de 2010, apesar da crise que preocupa o mundo. Mas não nossos políticos.