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Quinta, 20 de Junho de 2013

Artigo

Dilma cede e troca ministro

Pode ser que o ato da presidente some pontos na sua popularidade, sobretudo na classe média. Mas, sem dúvida, dará mais força à oposição, cuja bandeira tem sido a de cavalgar na garupa das denúncias da imprensa

Texto: Carlos Lindenberg
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Carlos Lindenberg - Jornalista

Não é fácil entender nem explicar o que acontece com um governo que perde – ou troca, se quiserem – seis ministros em apenas dez meses. É a contabilidade da era Dilma que, se não assusta, pelo menos aturde, os que acompanham o dia a dia dos governos. A rigor, era de se esperar alguma coisa parecida. Dilma se expôs à sanha das denúncias ao deixar sangrar à vontade o então ministro Antonio Palocci, o primeiro a cair, talvez na tentativa, tímida provavelmente, de tentar salvar o seu principal pretoriano. Mas, ao resolver enfrentar a realidade e demitir Palocci, o fez no pior momento: quando o ministro estava em situação indefensável, já diante das acusações que lhe fazia a imprensa. E ao demitir Palocci – pedidos de demissão nesse caso são mero teatro – a presidente mostrou à mídia que é sensível a denúncias. 

Ficou claro, a partir daí, que Dilma teria que demitir um ministro por mês ou um auxiliar a cada denúncia. E que elas não parariam. Os fatos comprovam o que se previu. Não foi um ministro por mês, foi um ministro a quase cada dois meses, num total de seis até agora e ninguém garante que outros também não caiam daqui até o final do ano. Para a presidente Dilma, a situação não é ruim nem boa, depende de como se olha. Se ela conseguir harmonizar a base governista no Congresso, menos mal. Se não, terá dificuldades. Ultrapassado esse obstáculo, Dilma poderá ganhar em duas frentes, embora nesse período tenha até perdido popularidade.

Na primeira frente, ela ganhará junto à opinião pública. A população, a despeito da derrapada de um mês atrás, tem aprovado as medidas da presidente, lhe dando o crédito da chamada “faxina ética”. Na segunda frente, internamente, também ganhará ficando livre de supostamente indesejáveis e aproveitando a limpa para montar um ministério à sua maneira e feição, já que se diz que os ministros na sua maioria lhe foram indicados pelo ex-presidente Lula. 

De qualquer forma, essa troca constante de ministros não deixa de atrapalhar o governo e é por isso que a oposição comemora esses fatos que, na verdade, nem foram criados por ela, senão por amigos e correligionários fora do espectro partidário, mas nem por isso desconectados do jogo político-eleitoral. A oposição, contudo, não está conseguindo fazer a parte que lhe cabe nesse embate, qual seja, a criação de um ambiente propício à instalação de uma CPI para que uma parte alimente a outra – como foi feito, por exemplo, no início do governo Lula, ainda que sem qualquer resultado prático. O importante para o governo, no momento, é a manutenção da governabilidade. E essa, por enquanto, não está afetada pela queda dos ministros, nem mesmo no caso do PC do B, o mais fiel aliado do PT nesse tempo de governo lulopetista, como dizem os jornais.

De todas as demissões, a do ministro Orlando Silva foi a mais complicada. Dilma parecia ter parado com as exonerações provocadas por denúncias da imprensa. No caso do ministro do Esporte, ela chegou a criticar a imprensa pelo que chamou de “linchamento público” de seu auxiliar, a quem recebeu em audiência – ao contrário dos outros – e em cuja defesa proclamou o exercício da “presunção da inocência”. Como as denúncias não pararam, nem parariam, a presidente acabou surpreendendo o próprio PC do B, a quem pediu o cargo, num momento, inclusive, em que o Supremo Tribunal abriu investigação para saber se as denúncias eram ou não verdadeiras, desde que o acusador não apresentou nenhuma prova do que dizia. E antes mesmo que o Supremo dissesse qualquer coisa, a presidente destituiu o ministro. Pode ser que o ato da presidente some pontos na sua popularidade, sobretudo na classe média. Mas, sem dúvida, dará mais força à oposição, cuja bandeira tem sido a de cavalgar na garupa das denúncias da imprensa – e com êxito. Que o digam os seis ministros demitidos nesses 10 longos meses.