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Sexta, 10 de Fevereiro de 2012

Artigo

Minas Assimétrica

(...) uma adequada infraestrutura é apenas condição necessária, mas não suficiente para que uma região possa se desenvolver

Texto: Paulo Haddad
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Paulo Haddad - Professor do Ibmec/MG. Foi 
ministro do Planejamento e da Fazenda no governo Itamar Franco

Com a divulgação dos valores do PIB per capita de 2007 dos municípios brasileiros, é possível que se tenha um retrato mais preciso da realidade econômica de Minas Gerais. Um fato se destaca: dos 853 municípios do estado, 199 têm PIB per capita inferior a 30% do brasileiro. Quando se consideram os municípios mineiros com valores inferiores a 50% do PIB per capita brasileiro, o número cresce para 533.

No início dos anos 1970, era comum a opinião pública considerar como municípios economicamente deprimidos, muitos daqueles que se localizavam acima do paralelo 19. Ou seja, estavam localizados no Norte de Minas, no Vale do Jequitinhonha e no Vale do Mucuri.

A nova geografia econômica de Minas Gerais mostra esses municípios economicamente deprimidos se espraiando também para quatro microrregiões do Vale do Rio Doce e para algumas subáreas da Zona da Mata. Temos, pois, cerca de 200 municípios situados agora à direita da BR-040 na direção Rio-Brasília, que têm como características socioeconômicas:

  • baixas taxas de crescimento econômico
  • insuficiência de absorção de mão de obra (elevadas taxas de desemprego aberto, de subemprego ou de desemprego disfarçado)
  • elevados índices de pobreza e de carências sociais
  • fortes desequilíbrios socioeconômicos e intrarregionais (entre zonas urbanas e rurais)
  • infraestrutura econômica e social em precárias condições de uso
  • elevado grau de dependência de transferências do governo federal, tanto para as famílias residentes quanto para as prefeituras

Caricaturando, é como se você, viajando do Rio para Brasília, olhasse para sua direita e visse uma Minas com o retrato socioeconômico do Nordeste brasileiro, e para a sua esquerda, uma Minas com o retrato da próspera economia do interior de São Paulo. Observaria uma diagonal saindo da Zona da Mata em direção ao Noroeste de Minas, dividindo o mapa do estado em dualidade espacial básica e não mais em paralelo definindo uma questão Norte-Sul.

Sem dúvida, quase todos esses municípios tiveram nos últimos oito anos uma expressiva melhoria na sua infraestrutura econômica e social. Mas, uma adequada infraestrutura é apenas condição necessária, mas não suficiente para que uma região possa se desenvolver.

O processo de desenvolvimento de uma região ou de um município, que lhe permite superar os seus problemas sociais e mobilizar suas potencialidades econômicas, depende de sua capacidade endógena de organização social e política para modelar o seu próprio futuro, que se associa ao aumento da autonomia regional ou local para a tomada de decisões, ao aumento da capacidade para reter e reinvestir parcela expressiva do excedente econômico gerado pelo seu processo de crescimento, a um crescente processo de inclusão social, a um processo permanente de conservação e preservação do ecossistema regional ou local.

Guimarães Rosa afirmava que, pela sua diversidade cultural e social, Minas são muitas. Vista do ponto de vista dos indicadores socioeconômicos, infelizmente, essa diversidade se exprime por uma Minas espacialmente abrangente com muitos bolsões de subdesenvolvimento e de pobreza. Ainda Guimarães Rosa é que dizia “uma coisa é pôr ideias arranjadas; outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil-e-tantas misérias... de sorte que carece de se escolher”. Que tal colocar essas questões nas agendas dos candidatos às eleições deste ano?