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Quinta, 24 de Maio de 2012

Artigo

Lembram-se do mar de óleo?

Desta explosão deverá resultar um dos maiores desastres ecológicos da história

Texto: Paulo César de Oliveira
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Paulo César de Oliveira -

O assunto está sumindo dos noticiários. Quase não se fala mais do vazamento de petróleo no Golfo do México, provocado pela explosão de uma plataforma da BP, gigante inglesa do setor. O equipamento de “quinta geração” de repente, explodiu, matando uma dezena de trabalhadores e deixando vazar um volume de óleo que ninguém sabe ao certo qual é. Dizem apenas ser 14 vezes maior do que se pensava. Desta explosão deverá resultar um dos maiores desastres ecológicos da história. Deixará também nos especialistas, e em nós, cidadãos comuns, que não perdemos os fatos de vista apenas porque eles saíram do noticiário, grandes dúvidas. Dúvidas quanto aos riscos da exploração do petróleo nas profundezas do mar. A cada dia o homem vai mais fundo à procura de energia. A plataforma que explodiu podia atingir oito mil metros de profundidade, mas operava nos cinco mil metros. O pré sal que o Brasil quer explorar está a sete mil metros. O que fazer para se corrigir um vazamento de grandes proporções, nesta profundidade? É isto que preocupa, é esta pergunta que nem mesmo os maiores especialistas sabem responder. 

Também como não sabem responder quais danos ecológicos um acidente assim pode causar. Os técnicos sabem estimar a produção, os economistas estimam a que preço um barril extraí­do do pré sal é viável, mas ainda conhecem pouco da biologia marítima das profundezas das águas. Há quem fale, com base em quê não sei, que são pelo menos dez milhões de espécies marinhas a serem identificadas e estudadas. Como delas nada se sabe, não há então como dimensionar os estragos que sua destruição podem causar ao mar e às suas formas de vida. São poucos também os conhecimentos sobre as correntes marítimas e suas variações em tal profundidade ou sobre a temperatura das águas. E estes fatores, dizem os que trabalham com as pla­taformas, podem ser responsáveis por acidentes como o de agora. Por aqui, na bacia de Campos, já tivemos a explosão de uma plataforma da Petrobras, que causou sé­rios problemas ao meio ambiente. Mas esta, argumentam os entendidos, estava mais próxima, portanto com potencial maior para causar transtornos em terra. As do pré sal estarão a praticamente 300 quilômetros da costa o que, em tese, significa riscos menores de danos diretos. É o que dizem, pois não há qualquer experiência com vazamento num cam­po a uma profundidade tão grande. Enquanto se tenta criar uma tecnologia para solucionar o vazamento atual, que está fora do noticiário, mas continua provocando estragos, ficam as dúvidas sobre nossa capacidade de extrair óleo do pré sal. Por isso temos o direito e o dever, de cobrar prudência. Na exploração e na venda de ilusões. Para ficar nos temas do noticiário nacional e internacional, a crise envolvendo o Irã precisa ter uma solução pacífica. Não é possível o mundo  continuar sobressaltado indefinidamente pela ameaça nuclear. Já é tempo de uma definição que envolva todos numa discussão séria sobre o assunto. A banalização da vida por grupos terroristas tornou ainda mais urgente um entendimento das nações sobre as armas e a energia nuclear.

A importância deste entendimento justifica a tentativa brasileira de ser protagonista do processo de sua construção. Nosso esforço não pode ser visto apenas como uma  tentativa do presi­dente Lula de se transformar em liderança mundial. Rotular assim o esforço de nossa diplomacia é faltar com a verdade. O Itamaraty, e até mesmo Lula, podem ter incorrido no erro da inocência, até da falta de experiência, mas não podem ser acusados de agirem com má-fé. O desejo da criação de uma nova ordem mundial não é apenas do Brasil. Ele cresce pelo mundo. Para a maioria, a nova ordem é apenas uma utopia. Mas tudo o que é realidade hoje, foi utopia um dia.