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Quinta, 24 de Maio de 2012

Artigo

O colapso do dólar

Texto: Wagner Gomes
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Wagner Gomes - Administrador de empresas

Estaria o Euro desafiando a reputação do dólar americano? Avinash Persaud, presidente da consultoria financeira britânica Intelligence Capital Limited, expõe assim seu ponto de vista: acredito que a atual crise financeira vai apressar o fim do dólar como a moeda de reserva do mundo. Efetivamente, contra ele, conspiram fatos como a fragilidade dos bancos americanos que, aliada aos abalos das instituições reguladoras, a exemplo do Federal Reserve, fragiliza a liderança política dos EUA. A Europa desenvolveu sua própria moeda e ao vê-la em permanente processo de valorização, mostra sua competência frente à moeda americana. Seus líderes, no entanto, não mostram predisposição de a transformarem em reserva mundial. Uma potência em franca ascensão econômica, como a China, poderia candidatar-se a ter sua moeda como eventual sucessora do dólar? Dificilmente isto ocorreria, pois a China não tem o mercado aberto ou instituições, com credibilidade, para assumir esse papel, embora Avinash Persaud lembre que essa era a mesma situação dos EUA no século passado, eis que até 1913 não possuíam, ainda, um Banco Central.

Algumas poucas décadas após, sua moeda já desafiava a libra esterlina em todo o mundo. Há que se considerar que a China, após ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão em bens lastreados em dólar, tem enorme interesse em mantê-lo forte, tornando-se, pois, um fiel da balança nesse frágil equilíbrio financeiro que vivenciamos. Já o gigante americano, que muitos julgam ferido de morte, tem fatores de peso que o resguardam nesse cenário favorável a mudanças: uma formidável posição geopolítica, amparada por forte presença militar e por sua conhecida capacidade de superação e renovação de conceitos e valores. Por tudo isso os grandes fóruns econômicos tentam adivinhar o futuro do dólar, cuja visão mais se assemelha a uma gangorra em seus movimentos de sobe e desce, em desconcertante oscilação. O seu uso como moeda internacional resultou do sucesso militar da América na Segunda Guerra Mundial e, desde então, reina soberano e absoluto, respondendo hoje por mais de 40% do comércio internacional. Lembrem-se de que o euro tem atendido à União Européia, e a dupla iene japonês com yuan chinês domina ao sul da Ásia. O fato é que os produtores americanos estão em verdadeira lua de mel com esse quadro, pois, com sua moeda mais fraca melhoraram, significativamente, as exportações, que vêm reanimando sua combalida economia. O mais provável, a exemplo do que já vem ocorrendo quase imperceptivelmente, é que, em breve, não mais haverá um único país sendo o guardião da ordem econômica mundial como vinha ocorrendo nas últimas décadas e, tampouco, reinará uma moeda única. As reservas dos países formar-se-ão com uma cesta de moedas, determinando uma nova forma de equilíbrio das potências econômicas. E o dólar que hoje parece, a um só tempo, não ser a moeda dos Estados Unidos, mas sim um problema mundial, tornar-se-á, apenas, uma das moedas do mundo, e, substancialmente, um problema americano por excelência.