Belo Horizonte, 11/03/2010
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09/03/2010 às 16:02

Ceará: Copa 2014

Brasil


O Ceará revelou boas surpresas quando fui fazer a matéria sobre a Copa 2014 em Fortaleza. Como era na semana anterior ao carnaval, eu receava não conseguir fazer todas as entrevistas que planejava e que teria dificuldades em apurar como estão os preparativos da cidade para o mundial. Mas, que nada! As pessoas foram muito solícitas e atenciosas. Pareciam nem se importar quando eu confundia falando que sou do Correio Semanal, sendo que estava ali fazendo matéria para a Viver Brasil. (Explico: é que mesmo trabalhando só no jornal, o nosso editor me convidou para participar da série de reportagens sobre a Copa para a revista, já que a gente é da mesma equipe e as viagens prometiam ser superbacanas).

As fontes oficiais fizeram questão de nos mostrar por que eles foram os primeiros a apresentar o projeto de candidatura como cidade-sede dos jogos para a Fifa. O interesse é mesmo acelerar os prazos de obras que há tempos vêm sendo planejadas (e muito esperadas pelos moradores).

Mas não dava para ficar só nas fontes oficiais. Procuramos conversar com os moradores, turistas, e, por sugestão do fotógrafo Nélio Rodrigues, com filhos ilustres do estado. A primeira indicação que recebi foi para falar com o arquiteto, compositor e poeta Fausto Nilo. Que inclusive era o grande homenageado do Carnaval de Fortaleza 2010. Não é por acaso que ele é querido na cidade: concedeu-nos uma entrevista primorosa e a conversa perpassou assuntos que foram da cultura brasileira a filosofias urbanísticas ao redor do mundo. Foi ele quem nos levou ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, um lugar ótimo para passear e se divertir, que acolhe diversas manifestações culturais da região.

Conversamos também como o Fagner, que além de ser cantor, é um apaixonado por futebol. Amigo íntimo de nosso governador, ele se revelou um “amigo” de Minas e, mesmo com a agenda apertada, acabou nos proporcionando ótimas risadas na orla da praia de Iracema.

No dia anterior à nossa partida, conseguimos falar com o Falcão. Que figura formidável! Por telefone me disse que só poderia conversar melhor à noite e que preferia que fosse no bar que ele sempre vai quando está em Fortaleza. Como ele vive na estrada com seus shows, quando aparece, junta uma turma de amigos. A cerveja e a entrevista foram muito agradáveis e, não por acaso, ele foi escolhido para a foto de abertura da matéria. É um símbolo da alegria, inteligência e descontração da cidade.

Tereza Rodrigues

Matéria: http://www.revistaviverbrasil.com.br/materia_01.php?edicao_sessao_id=762

  Tereza com o cantor Fagner
  Tereza com o cantor Fagner
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08/03/2010 às 16:41

Ilha Grande

Brasil

Assisti atônita, juntamente com milhões de brasileiros, a tragédia que abalou Angra dos Reis no primeiro dia deste ano. Infelizmente a destruição causada pelas chuvas, enchentes e desmoronamentos já são esperados nessa época. Todo ano é a mesma coisa. Um desastre comove o Brasil em dezembro ou janeiro. Mas o que aconteceu ali, naquele pequeno pedaço do paraíso carioca, foi diferente. A começar pelo dia. Aquele que era para ser um dia de festa, esperança e renovação, começou de forma inacreditável para os moradores da pequena vila do Bananal. É claro que a dor e sofrimento causados pelo desastre são sempre difíceis, independentemente do dia. Mas logo no primeiro dia do ano? Com 365 dias, tinha que ser bem na noite de réveillon? Perguntas que intrigam. Respostas que não existem.

Enfim, além do dia ser tristemente surpreendente, o local também não era dos mais esperados. Crescemos ouvindo que esses desmoronamentos são resultados da irresponsabilidade do homem, que devasta a natureza, deixa o solo impermeável, constrói em locais inapropriados. E aí não tem jeito. Basta uma chuva mais forte, que o morro fica em estado de alerta. Hoje é dia de muito barraco desabar. É o que, lamentavelmente, costumamos ouvir e pensar.

Mas ali não. O que ocorreu em Ilha Grande foi diferente. Fugiu a todas as previsões e precedentes. Uma pousada luxuosa, construída em um local nobre da ilha, simplesmente desabou. Não que a tragédia de Ilha Grande seja de maior importância ou comoção do que as que acontecem todos os anos nas favelas das grandes cidades. De forma alguma. Mas uma tragédia num local como esse, totalmente inusitado, considerado um porto mais do que seguro, reflete não somente na vida das famílias que perderam entes queridos, mas de toda uma população.

E foi o que comprovamos em nossa ida à ilha. A pauta, por sinal, surgiu desse questionamento. Qual será o impacto de uma tragédia como essa para o turismo, em um local em que tudo gira em torno desta atividade? E ainda, como anda a vida das pessoas abaladas pelo episódio, após 30, 60 dias. Eu e o fotógrafo Daniel de Cerqueira fomos para Angra na época do Carnaval. Os dois já conheciam o local e ficamos horrorizados ao ver de perto o morro que desabou. Adentrar na pousada Sankay não foi das melhores experiências de nossas vidas. Estilhaços de champanhe, colchões molhados, e destroços nos remetiam, o tempo todo, à noite trágica e tudo que tinha passado ali.

Nossas previsões sobre a queda do turismo foi confirmada. Como supúnhamos, a tragédia abalou toda a cadeia hoteleira e as atividades afins, como restaurantes, comércios, artesanato, transporte marítimo e até terrestre. Logo na rodoviária, quando estávamos na fila para comprar passagens para Ilha Grande, uma moça nos olhou com olhos esbugalhados ao perguntarmos sobre a melhor forma de chegar à Enseada do Bananal. Não disse nada, mas sua expressão era como se quisesse dizer: Vocês não viram o que aconteceu lá? Será que são loucos ou desavisados? Deve ter pensado a moça.

Pensamentos e temores como esse é que, lamentavelmente, afetam o turismo na região. Não é preciso ser um geógrafo para perceber que a tragédia no Bananal foi uma fatalidade e um evento isolado. Mas sabemos que muitas pessoas nem sequer têm o trabalho de olhar no mapa a localização da enseada. Só de ouvir o nome Ilha Grande ou Angra dos Reis a maioria quer distância. E é por isso que pousadeiros de moradores da Enseada do Bananal estão tendo tanto trabalho para atrair os visitantes de volta à ilha, que continua linda e grande, como sempre foi. O movimento criado por eles não podia ter nome mais adequado. Afinal, a sabedoria milenar japonesa sabe que a vida continua e que é preciso seguir em frente. Portanto, gambare!

Nayara Menezes

Matéria: http://www.revistaviverbrasil.com.br/materia_01.php?edicao_sessao_id=763

  Moradores na Enseada do Bananal que fazem parte do movimento Gambare
  Moradores na Enseada do Bananal que fazem parte do movimento Gambare
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08/03/2010 às 16:33

Opus Dei

Brasil

Diz Victor Hugo, no livro "Os Miseráveis", que ser santo é exceção. A regra é ser justo. Eles querem ser santos. No início deste ano, numa conversa, soube que uma garota havia deixado a família para ficar enclausurada. Interessei-me pela história. Quis saber onde, por quê, o que a levou a isto. Quem me contou, parou por aí. Fucei a internet e como sempre houve a resposta: cheguei aos centros do Opus Dei em Belo Horizonte. Tão perto, na Savassi, no Mangabeiras. Tão igual, como qualquer outra casa, prédio residencial. Nada que destoasse como, por exemplo, os conventos.

Atenderam-nos tão bem a mim e o repórter fotográfico Daniel de Cerqueira. Serviram café, biscoitos, pães de queijo. Responderam a todas as perguntas, sem se esquivar, mudar o tom de voz. Tudo linear, sem imperfeições nesta gente tão humana. Para tudo havia respostas, exemplos, que se repetiam em ideias prontas. E, coincidência ou não, nas lembranças de quem havia passado por lá. A autoflagelação se assemelha à musculação, à depilação. Tudo é normal, faz chegar a ser santo mesmo sendo homem.

Fazem trabalho social? Vão às favelas, doam roupas, levam bombons. Os dissidentes dizem que isto é só para atrair quem vive vida farta, de que poderia entrar nos centros do Opus e fazer mais pelos outros. Mas parariam por aí, a extensão se restringe a eles, à justiça deles. Sai com sensação estranha e confesso, neste terreno complicado da religião, em que tudo deveria ser mais simples. Como a vida também.

Silvânia Arriel

Matéria: http://www.revistaviverbrasil.com.br/materia_01.php?edicao_sessao_id=746

  Mulheres rezam em casa do Opus Dei em Belo Horizonte
  Mulheres rezam em casa do Opus Dei em Belo Horizonte
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26/02/2010 às 19:05

Fúria no trânsito

Brasil

Quando nos submetemos a determinada situação todos os dias, é comum se acostumar a certas anormalidades. Ficamos “cauterizados”. É o que acontece com a violência do trânsito nosso de cada dia.

Para fazer uma reportagem sobre o tema, propus ao editor ficar de plantão em alguns pontos de Belo Horizonte: o cruzamento da avenida do Contorno com a Nossa Senhora do Carmo e a avenida Afonso Pena com a rua Espírito Santo. Como mero observador, percebi o quanto é difícil manter-se calmo no trânsito desta cidade. A falta de educação é recorrente, tanto em distintas senhoras quanto em garbosos cavalheiros. Nem os pedestres saem impunes. O próprio repórter, aliás, também cometeu infrações, ao atravessar a rua com o semáforo para carros aberto – e, possivelmente, também foi xingado.

Talvez, apenas talvez, a matéria a respeito da violência no trânsito devesse ter sido produzida esta semana, quando a greve dos motoristas e cobradores de ônibus em BH explodiu. Sim, pois se os motoristas já são agressivos em dias “normais”, imagine quando o caos definitivamente se instaura.

Fernando Torres

Matéria: http://www.revistaviverbrasil.com.br/materia_01.php?edicao_sessao_id=726

  
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23/02/2010 às 18:04

REFORMA PSIQUIÁTRICA

Brasil

Um mundo totalmente desconhecido e a tentativa de desvendar um pouco dos mistérios da mente humana. Missão ousada e complicada até mesmo para cientistas renomados da área. A reformulação do modelo de assistência em saúde mental – a tão discutida reforma psiquiátrica – começou há 30 anos, mas é um assunto que não pode ser deixado de lado. Para retomar esse debate, visitei instituições municipais e estaduais da rede pública de saúde mental. Pude perceber que a inserção social, familiar, econômica e profissional do portador de sofrimento mental ainda é algo que está longe de se concretizar.

Iniciativas existem tanto dos hospitais psiquiátricos visitados – Galba Veloso, Instituto Raul Soares e Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB) – quanto dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) que, em Belo Horizonte, recebem o nome de Centros de Referência de Saúde Mental (Cersams). Mas a luta contra a lógica manicomial teria mais sucesso se houvesse mais integração entre a rede hospitalar estadual e os serviços substitutivos da prefeitura da capital.

Infelizmente, após minhas incursões nesses locais, percebi que essas barreiras ideológicas contribuem ainda mais para que a pessoa que sofre algum tipo de transtorno mental seja segregada e tratada com preconceito pela sociedade, tendo seu direito de cidadã cerceado.

Que fique bem claro que não sou a favor das internações hospitalares psiquiátricas que isolam os pacientes, sobretudo as de longa permanência. Entretanto, não posso deixar de relatar as mudanças positivas que essas instituições sofreram ao longo dos anos. E há casos e casos. Exemplo disso é que o escritor Ferreira Gullar, pai de dois filhos esquizofrênicos, foi alvo de severas críticas ao dizer que a campanha contra a internação de pacientes com problemas mentais era demagogia. Na ocasião, ele falou sobre a luta que enfrentou durante décadas com os filhos doentes e assinalou que só quem convive de perto com um esquizofrênico sabe o que isso significa.

Os serviços substitutivos certamente são dignos de aplausos por sua tentativa de promover a reconstrução dos laços sociais dessas pessoas, mas seus defensores não podem ignorar que, hoje, a rede ainda é pequena e que os recursos financeiros são escassos.

Um assunto tão delicado não poderia ser abordado em apenas uma matéria. Em razão disso, a Viver Brasil optou por fazer uma série de três reportagens sobre a evolução da reforma psiquiátrica no país. Na próxima edição, vou relatar como foram as visitas e fazer um contraponto entre esses dois modelos de atendimento com base no que vi, ouvi e senti.

Elisângela Orlando

Matéria: http://www.revistaviverbrasil.com.br/materia_01.php?edicao_sessao_id=730

  Pacientes no Hospital Psiquiátrico Raul Soares
  Pacientes no Hospital Psiquiátrico Raul Soares
  Jogo de futebol no mesmo hospital
  Jogo de futebol no mesmo hospital
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05/02/2010 às 15:20

Natal, uma cidade da Copa 2014

Brasil

Era adolescente quando Natal me despertou a atenção, fora dos estudos de geografia na escola, que na minha época era entediante. Os livros, ao contrário de hoje, não traziam fotos, somente mapas horrorosos, e nada daquilo que considero fascinante: conhecer lugares, povos e culturas. Meu pai era comerciante e contratou um funcionário do Rio Grande Norte, que passou a ser chamado de Potiguar, nome da nação tupi que habitava o estado e denominação dada a quem nasce na região. Curiosa, passei a perguntá-lo tudo sobre o Rio Grande do Norte até ser chamada a atenção.

Potiguar era tudo de diferente do meu mundo e eu, de cara, adorei suas histórias malucas. Contou-me que desde criança gostava de fugir de casa, vivia sendo procurado pelos pais, até que virou mecânico de navios. Com isso, conheceu países e não me lembro porque veio parar em Minas. Articulado, ele ensinava violão para a filharada do patrão – eram sete - e até matemática. Como gostava sempre de fugir, um dia desapareceu do nosso convívio e nunca mais voltou.

Alguns anos mais tarde, jornalista, fui escalada no jornal Hoje em Dia para fazer reportagem de turismo em Natal. Fiquei fascinada e voltei depois, desta vez a passeio com o meu marido, numa viagem inesquecível. Mais de 15 anos se passaram, quando o editor-executivo, Homero Dolabella, me comunica que teria de fazer matéria em Natal para a série Cidades da Copa de 2014, publicadas pela Viver Brasil. Na hora, tentei convencê-lo a escalar outra pessoa. A vida deu uma reviravolta, meu marido, Alécio Cunha, havia falecido há um mês e tudo que queria era ficar perto do meu filho, João Antônio.

Homero, no entanto, me convenceu a ir, trabalhar de quarta a sexta-feira e depois passar o final de semana com o meu pequeno na cidade litorânea. Como tenho um irmão que mora lá, achei a ideia boa. Li uma frase de João Guimarães Rosa que guardo na minha mesa - “Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria ... Depois, retoma coisas e pessoas para ver se já somos capazes da alegria sozinhos ... Essa ... a alegria que ele quer “. Fui em frente.

Ao chegar a Natal, encontrei uma cidade diferente daquela do início dos anos 90, com muitas casas e ar de vila de pescadores na orla. Hoje a Cidade do Sol, como é chamada, ostenta edifícios modernos, supermercados imensos e shoppings, muitos shoppings nas largas avenidas. Ganhou ar futurista.

Meu colega Nélio Rodrigues, editor de fotografia, não parou um minuto diante do cenário da cidade. Num calor escaldante, subiu em edifício de 40 andares para clicar o estádio Machadão que será destruído para dar lugar a moderna Arena das Dunas. Não foi difícil obter informações nos órgãos do estado e prefeitura, ambos comandados por mulheres: Vânia de Faria (PSB) é governadora e a jovem Micarla de Sousa (PV), prefeita. O povo é hospitaleiro e pronto para dar informações. A cidade tem poucas obras em execução para a Copa. A maioria dos projetos está em fase de licitação ou aguardando recursos. Mas o fôlego para trabalhar para receber a Copa é grande entre os gestores.

Lá, como todo o Nordeste, o contraste social é tão grande como a beleza das praias. De um lado, bairros com prédios luxuosos e, a menos de 20 quilômetros, municípios muito pobres. Depois de três dias em repartições e obras na cidade, foi a vez de ver Natal como turista. Foram muitas as lembranças das últimas viagens. Mas a vida continua dando voltas, tantas que meu sobrinho, Francisco, que virá ao mundo nos próximos dias, nascerá em terra potiguar.

Márcia Queirós

Matéria: http://www.revistaviverbrasil.com.br/materia_01.php?edicao_sessao_id=700

  Natal
  Natal
  Repórter Márcia nada com o filho em Natal
  Repórter Márcia nada com o filho em Natal
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05/02/2010 às 14:42

Relato de um sobrevivente

Brasil

Tinha acabado de retornar de longas férias. Após 30 dias de descanso, estava naquele ritmo lento, preguiçoso, só pegando no tranco. Mas como vida de jornalista não tem moleza, logo no meu segundo dia de retorno às férias meu editor me brindou com a matéria de capa desta edição. No princípio, confesso que imaginei que teria que rebolar pra dar conta, fazer de um limão uma limonada. Tinha apenas uma fonte, o capitão Leonardo Zanini, comandante de companhia da Força de Paz no Haiti. Sem contar que a entrevista seria feita por email, já que ele ainda se encontrava em Porto Príncipe e as condições de comunicação eram bastante difíceis. Mas, como a vida sempre surpreende a gente, a entrevista com o comandante foi muito proveitosa.

Desde o início, Leonardo foi muito solícito e respondeu a todas as perguntas com riqueza de detalhes. A esposa Graziela também colaborou, dando seu depoimento sobre a apreensão de receber a notícia do terremoto estando aqui no Brasil. Fiquei imaginando como deve ser difícil saber de uma coisa dessas pela televisão, e não ter como falar com seu ente querido, no caso dela o marido, para saber como ele está... Foram mais de três horas de angústia sem nenhuma notícia.

Depois de conversar com Leonardo e Graziela, parti para o desafio, redigir a matéria de forma que não ficasse cansativa, pois, tinha apenas a história de um homem pra contar e, ainda, que despertasse o interesse das pessoas em ler. Afinal, já havia se passado mais de 15 dias do acontecido e praticamente tudo já tinha sido falado sobre Haiti. Já havia ocorrido uma verdadeira overdose de notícias na primeira semana. Então, na segunda, quase nada era novidade. Por isso, me esforcei para focar no relato do capitão Zanini. Contar toda sua trajetória em Porto Príncipe, desde que chegou lá, há sete meses. Entender como é viver um dia como aquele; o que se passa pela cabeça no momento em que você se dá conta que está em meio a um terremoto; o que fica de uma experiência como essa e outras coisas do tipo, que geralmente todos temos interesse em saber.

Para quebrar a narrativa da minha fonte e não deixar a matéria monótona, recorri a informações sobre o Haiti e, principalmente, sobre a Missão de Paz da ONU, liderada pelos brasileiros. Minha colega Eliana Fonseca me ajudou nessa tarefa, apurando os dados com o Ministério da Defesa. Enfim, terminado o texto, acho que a limonada não ficou tão azeda, como supunha. Na verdade, gostei do resultado final. Espero que vocês gostem também. Que a história do capitão Zanini acrescente alguma coisa na vida de vocês, pois, na minha acrescentou muito. É muito bom sabermos que existem muitos capitães Zaninis no Haiti e em várias partes do mundo. Pessoas que dedicam suas vidas, como a admirável Zilda Arns, que também estava lá, mas que, infelizmente, não teve a mesma sorte ou desígnio divino, que o capitão Leonardo. Que suas histórias sirvam para nos inspirar a, quem sabe um dia, tomar coragem e sair mundo afora com uma única missão: Fazer o bem, sem olhar a quem!

Nayara Menezes

Matéria: http://www.revistaviverbrasil.com.br/materia_01.php?edicao_sessao_id=694

  Capitão Zanini no Haiti (fotos: arquivo pessoal)
  Capitão Zanini no Haiti (fotos: arquivo pessoal)
  
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15/01/2010 às 16:07

Viagem Virtual

Brasil

No decorrer da minha vida, sempre tive dificuldades em lidar com a morte. Fui amadurecendo, aumentando minha compreensão, mas ainda hoje sou como a maioria da população, sei lidar mal com esse fato duro, porém ao mesmo tempo tão normal, que fará parte da trajetória de cada um de nós. Quando cheguei ao Hospital do Câncer em Uberlândia, minha expectativa era de como seriam essas pessoas que lidam com a morte concretamente, que não floreiam ao falar do fim. A primeira percepção é que os pacientes dos cuidados paliativos – a ala da qual ninguém quer fazer parte, a quem indica que não há mais recursos médicos, desejam dignidade, querem viver o restante de suas vidas bem e têm uma delicadeza com o outro que é impressionante. E dá-lhes histórias, muitas.

Como cheguei bem cedo ao hospital, fui conhecendo todas as alas e a primeira impressão foi a melhor possível: um grupo de voluntários do Grupo Luta Pela Vida, com um sorrisão no rosto, oferecia um lanche delicioso para cada paciente e seu acompanhante. Antes da viagem virtual, ainda na recepção do hospital, pude observar as pessoas que chegavam, todas com o diagnóstico de câncer em tratamento. As enfermeiras paravam, os assistentes sociais conversavam, os voluntários agiam como velhos amigos, todos se abraçavam. Sorrisos.

Li alguns livros autobiográficos dos pacientes. São simples, com histórias tocantes. Fiquei tão impressionada com uma frase que estava em um dos livros que resolvi iniciar a matéria com ela: “E a vida continuou com os problemas que todos costumam ter...”. É uma reflexão simples, mas cheia da sabedoria. Ainda que doente terminal, a vida continua com os problemas que todos têm, a única diferença é que os pacientes em cuidados paliativos aprendem a ressignificá-la.

Eles viajam virtualmente e sentem-se imensamente felizes de estar ali. No final, dão algumas sugestões. Querem continuar conhecendo lugares que talvez não possam ir fisicamente. Tudo ali vale a pena. É comemorado. Sentada ali na cadeira do auditório e olhando para cada um deles aprendi um pouco com Eleuzinha, Jacó, Áurea, Olívia, Bonifácio. É como se não houvesse tempo para senões... Não é exagero falar que o Hospital do Câncer é um mundo à parte, em que as pessoas parecem valorar o que é realmente importante.

Eliana Fonseca

Matéria: http://www.revistaviverbrasil.com.br/materia_01.php?edicao_sessao_id=676

  A paciente Áurea Francisca de Jesus durante a viagem virtual
  A paciente Áurea Francisca de Jesus durante a viagem virtual
  Lanche durante a viagem
  Lanche durante a viagem
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15/01/2010 às 16:02

Telluride

Brasil

Quando fui convocada para ir a trabalho a Telluride, estação de esqui no Colorado, imaginei que a viagem seria no mínimo diferente e no máximo surpreendente. Me enganei. Simplesmente foi sensacional, prazerosa. Se não, muito mais do que isso. Telluride é daqueles lugares que você vai e tem a certeza de que as lembranças, experiências vividas lá ficarão guardadas na memória para sempre. Claro que a companhia do grupo das jornalistas convidadas também contribuiu para que o clima fosse bom: Jack (do Hoje em Dia), Cecília (do Correio Brasiliense) e Fernanda (da Viagens Gerais). Com Jack, sintonizei-me de cara. Talvez pelo seu jeito simples e cativante ou pelo seu estado de paixão absoluta por Bernardo (outro jornalista por quem ela estava perdidamente apaixonada – não é que ele a pediu em casamento por e-mail enquanto estávamos viajando?) . Para os habitués de estações de esqui, Telluride é um destino e tanto. Oferece opções de lazer em torno do esporte e afins - como snowboarding, heliski e snowmobiling) a relaxantes serviços de spas e tratamentos de beleza, como o Golden Door, do hotel The Peaks Resort, em que estávamos hospedadas. É realmente incrível a infraestrutura, conforto e requinte disponíveis em meio à neve. Os hotéis são superluxuosos e atendem às exigências mais extravagantes dos clientes. Os cenários nada mais nada menos do que deslumbrantes. Para todos os cantos que se olha, não há erro – montanhas rochosas cobertas de neve e seus indefectíveis pinheiros. E o pôr do sol lindo de viver, de emocionar. Já para quem nunca tinha visto neve, como eu, a sensação de novidade é incrível. Andar a pé, esquiar ou andar de snowmobiling (nunca nem tinha andado de moto comum por pura falta de interesse) com a neve batendo no rosto é bom demais. Ver e sentir a neve pela primeira vez é como talvez avistar o mar também pela primeira vez... Esquiar para mim foi incrivelmente mais fácil do que tinha imaginado. Quando estava esquiando em pleno Colorado, lembrei-me de Homero e Sil, outros editores da revista, dizendo que não me imaginavam esquiando. E, para surpresa deles e minha, como esquiei! Amei a experiência. Com as explicações de Ursula, a instrutora de esqui mais do que gente boa que ficou por conta da equipe de jornalistas, aprendi a proeza de esquiar, sem cair uma vez sequer. Obrigada Ursula pelos “Vivas” e “Bravos, Luciana” a cada avanço mínimo sob o gelo, mesmo me sentindo um robô (robocop segundo Jack), com tanta roupa (emprestada, diga-se de passagem, por Angelica, Daria, Eli e Bruno). Só calcas vestia, na maioria das vezes, quatro, para suportar o frio que nunca tinha sentido na vida de 10, 12, 14 graus negativos... Não há como esquecer Telluride, nem sob o calor de quase 40 graus (agora positivo) deste belíssimo Amazonas, de onde escrevo as linhas deste blog.

Luciana Avelino

Matéria: http://www.revistaviverbrasil.com.br/materia_01.php?edicao_sessao_id=678

  Cidade de Telluride com suas montanhas
  Cidade de Telluride com suas montanhas
  Família diverte-se esquiando
  Família diverte-se esquiando
  Foto de Luciana com a paisagem da cidade
  Foto de Luciana com a paisagem da cidade
  Repórter esquiando em Telluride
  Repórter esquiando em Telluride
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15/01/2010 às 15:47

Oblíquas e dissimuladas

Brasil

Encontrar mulheres infiéis não é uma tarefa exatamente difícil. O problema é convencê-las a falar sobre isso, já que o tema é dos mais delicados e muitas mulheres, quando abordadas diretamente, não confessam o “crime”. Dessa forma, o jeito para realizar essa matéria foi o sigilo, resguardando, tanto quanto possível, repórter e entrevistada. Para isso, as entrevistas foram feitas por MSN, sendo que as personagens foram indicadas por amigas de amigas.

Abordadas de forma amigável, essas mulheres soltaram a língua. Contaram casos da intimidade com os maridos, com os amantes, lamentaram, riram, debocharam e uma delas (a única que eu realmente conhecia e, portanto, entrevistei por telefone) até chorou – pelo amante, vale ressaltar. Uma anônima, mais saidinha, fez a proposta de me conhecer pessoalmente. Até hoje, não rolou.

Fernando Torres

Matéria: http://www.revistaviverbrasil.com.br/materia_01.php?edicao_sessao_id=680

  
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