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InternacionalAs dores da guerraTrinta anos depois, combatentes argentinos expõem o sofrimento dos dias vividos durante o conflito nas Malvinas
Texto: Élida Ramirez | Fotos: Arquivo
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Gustavo Aguirre, 50 anos, instalava as minas nos campos. O objetivo era matar mais gente em menor espaço de tempo. Entre as poucas palavras ditas por ele, entrecortadas por suspiros, confidenciou que dorme apenas duas horas por dia, à base de tranquilizantes. Para ele, o único lado bom da guerra foi ter saído com vida, ao lado do amigo, Victor Ruben Castaño, 49 anos. Isso porque Victor foi abandonado pela tropa um dia antes do final da guerra. Ele conta que sentiu o medo mais forte de sua vida. O destacamento dele foi atacado. Cenas de horror: amigos mortos e feridos. Homens que berravam de dor. O humano que havia em cada um parecia ter se dissipado e a tropa sumiu. Victor estava em uma colina. Sozinho. Aos 19 anos. De frente com um inimigo que não era dele. Fazia disparos automatizados. “Nessa hora, eu não enxergava nada mais. Só atirava, recarregava, atirava mais. Eu me movia rapidamente, mas via a cena em câmara lenta. Quando fiquei de frente com os britânicos superarmados, quis ter mais um segundo de vida para pedir perdão aos meus pais e dois irmãos.” A batalha terminou, mas viu que a sua luta estava apenas começando. “Quando cheguei da guerra, não era mais eu mesmo. Ainda vivia como as rajadas de balas. Sempre no automático. Acreditava que estava bem até o dia em que meu filho mais velho me disse que teve uma criação boa, mas nunca teve um pai.” Ele admite que nunca esteve presente na vida deles. Agora Victor se uniu a Gustavo e, juntos, ajudam comunidades carentes locais. A ideia é estar presente na formação das crianças e ajudar com alimentos, água e infraestrutura.
A união dos veteranos de guerra entre si e com a sociedade é para eles uma resposta ao abandono do governo, explica Juan Carlo Acosta. “Não é preciso brigar, matar e nem morrer para se colocar um ponto de vista ou para lutar por nossos direitos. Por isso, percorro as escolas contando a história real e não o que o governo queria que fosse mostrado.” Ele diz que nem sempre é bem-visto e quer conscientizar crianças e jovens através da educação. “Hoje percebo que o respeito ao próximo está fora de moda, principalmente entre os mais jovens. Em geral, não há uma consciência política.” Vitor endossa a ação do companheiro. E finaliza a entrevista citando o lema que o grupo dos veteranos criou quando se formou. Que fala um pouco da dor de todos, que não passará jamais: “Algum dia conseguiremos olhar nos olhos dos nossos filhos, dos nossos jovens e lhes diremos que nem tudo que fizemos foi suficiente. Mas nunca teremos que dizer que não fizemos nada.” De um jeito ou de outro.
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Saiba mais sobre a Guerra
A guerra das Malvinas começou com a invasão da Argentina no arquipélago de três ilhas, em 2 de abril de 1982. O terrítório era colônia britânica desde 1833. No entanto, os argentinos se consideravam donos da área depois da independência do país de sua metrópole, a Espanha, em 1822. A Espanha era dona das Malvinas e os argentinos queriam ter a posse delas, já que a área é ponto estratégico militar e fala-se da possibilidade de petróleo. Na época, a Argentina passava por uma ditadura militar e alguns pesquisadores alegam que a guerra pode ter sido estratégia do general Leopolfo Galtiere para esticar o governo militar, em crise. Do outro lado do oceano, mais crise. A primeira-ministra britânica, Margareth Thatcher, andava com a popularidade baixa e reagiu com mãos de ferro. No final de abril, quase 30 mil soldados britânicos, em 100 navios, chegaram às Malvinas. O efetivo argentino era menor, cerca de 14 mil soldados e 40 navios. Em 14 de junho, a guerra termina com a rendição dos soldados argentinos. O saldo de mortos foi de 623 argentinos e 249 britânicos, segundo dados oficiais dos dois países.
Sobre as Malvinas:
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