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Especial ComportamentoSexo aos 60, 70, 80 anos...Medicamentos, disposição, finanças equilibradas retiram a data de validade da vida sexual: não há mais limite
Texto: Raquel Ayres | Fotos: Victor Schwaner
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Operado de próstata, diz que isto não afetou a vida sexual do casal. Ele não nega que há, sim, alguma diferença entre o sexo na juventude e na terceira idade. “A intensidade é menor no sentido de que o jovem tem ereção mais duradoura e ao envelhecermos nem tanto. Mas satisfaz do mesmo modo. Se contarmos como é, ninguém acredita.” Detalhe importante: o casal não abre mão do uso de preservativos. Não por confianças ou desconfianças, mas por responsabilidade. Lembram-se da famosa frase: O Ministério da Saúde adverte? Pois é, segundo estudos divulgados, cresceu o número de infectados com o vírus HIV entre pessoas acima de 50 anos.
“A grande novidade do século 21 é o idoso”, afirma a psicóloga Maria Cândida dos Santos, idealizadora do projeto Maioridade. Isto porque até o século 20 a expectativa de vida estava na casa dos 65 anos. “Agora, aos 70, estão aí pelas ruas, de short, com postura e linguagem modernas.” A psicóloga diz que esta realidade já foi captada pela mídia ao mostrar o ator José Mayer, 63 anos, não mais como galã, mas em papel de plena atividade sexual com a atriz Cristiane Torloni. Na novela A Vida da Gente, que terminou em março, um dos núcleos principais trouxe o amor, a paquera e o sexo entre os idosos como tema.
Na opinião de Maria Cândida, a libido mudará conforme o conflito. E passará pela aceitação de que não há perda na sexualidade, e sim intensidade menor. A psicóloga conta que há casos em que, após 20, 30 anos de casamento, o casal separa-se e é comum verem o desejo ressurgir, por novos parceiros, de forma avassaladora. Alguém aí já viu este filme, não é? Isto porque após os 60 pode-se caminhar com mais equilíbrio, existe a certeza de que a vida acaba, olha-se para o fim. “E o sexo significa manter-se vivo até a hora da morte. Há velhinhas de 80 anos que são vorazes.”
Maria Elieusa Chagas não é uma velhinha. Ao contrário, assegura que se sente como uma menininha, mas aos 64 anos diz, com firmeza e sem constrangimento, que, se aos 20 fugia do sexo, agora, procura por ele. “Me considero gatinha e não perdi o desejo.” O bom é que encontrou Ivan Correa, 67 anos, e há quatro estão namorando. Camisolas insinuantes, cinta-liga, roupas novas, streep-tease e o que mais a imaginação ditar faz parte da vida do casal. “Eu já comprei cremes, gotas de sabor para os seios”, confessa ela. “Nunca vi mulher mais fogosa”, assegura Correa. “Se deixar por conta dela, é sexo todo dia.” Mas o casal diz que mantém a média de três vezes na semana, sem o uso de medicamentos e afins.
De bem com a vida, ela não hesita em dizer que a mulher se prejudica quando abre mão do sexo para, por exemplo, dedicar-se apenas a cuidar de netos. “Isto desgasta nossa energia, pois não é nossa responsabilidade. Até dá para viver sem sexo, mas é ruim, a pessoa fica mal-humorada”, afirma com sinceridade. “Penso que tenho que aproveitar o mais possível de mim, o sexo ao máximo, viver, ser feliz. Por isto, hoje, o sexo é melhor. Sei o que quero.” Para o companheiro, não ter preocupações com trabalho e filhos faz o sexo ser compensador. “Atualmente é muito diferente, sem dúvida. A vida sexual não começa na cama, é no baile, na conversa, no encontro. A juventude não sabe disto”, pontua Correa.
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“O sexo é importante para se envelhecer bem”, assegura o doutor em psicologia e autor do livro Relacionamento Amoroso (Publifolha), Ailton Amélio. Ele diz que, se por um lado existe o estereótipo do corpo magro, torneado, e a cultura que inventou o mito da juventude; o sex appeal e a sensualidade não dependem de idade, mas de comportamento.
Segundo Amélio, sem vida sexual a autoimagem torna-se estranha. “É como se a pessoa estivesse mutilada.” Claro que a idade pode, sim, trazer alterações de saúde como diabetes, pressão alta, problemas cardíacos que deterioram a vida sexual. Mas também, segundo ele, pode resultar em menos inibição para o ato sexual. “O velho pode ser mais tolerante com os vários tipos de amor. As pessoas apaixonam-se, fantasiam, ficam românticas iguaizinhas quando jovens.”
E usam suas artimanhas. A viúva Joana Mesquita, 65, ficou mais de sete anos sozinha. Cabeleireira aposentada, em suas palavras nunca sofreu com os sintomas da menopausa, mas ficava em casa, deprimida, tomando remédio. Os namoros duravam pouco. Até que conheceu o ferroviário, também aposentado, Mauro de Souza. Homem charmoso, gentil e cheiroso, logo engataram uma amizade. “Convidei-o para ir para Araxá numa viagem com um grupo, mas só como amigo.” Chegando, a primeira surpresa: o guia entregou uma chave de quarto de casal para eles. Souza não entendeu nada. “Depois do almoço fomos deitar e ele veio com tanto carinho, muito beijo que só não rolou sexo porque tínhamos acabado de almoçar”, conta Joana. “Fomos dançar à noite e eu fiquei pensando como ia ser na hora de dormir”, completa Souza. Ao fim do baile, Joana foi tomar banho e deixou a porta aberta. “Fiquei no quarto, pensando: o que estou fazendo aqui que não entro no banho com ela?” O resto, fica pra imaginação do leitor. Fato é que estão namorando há 10 meses, felizes da vida. Contam que fazem sexo uma vez por semana. “Às vezes eu quero mais, ela fala pra deixar para semana que vem. Procuro realizá-la sexualmente e nem penso em perder a potência sexual.”
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