Há mais de 510 anos Américo Vespúcio viu o rio. Deram-lhe o nome de São Francisco, porque era o dia do santo, 5 de outubro. Gente espalhou-se por suas margens, habitadas por índios, condensou-se em comunidades. Espicharam cidades nos 2.700 quilômetros de Minas até Alagoas, fizeram, fazem histórias verídicas, tristes, alegres, cotidianas, polêmicas, calmas... Há mais de um ano o cinema não subiu o rio, como se repetia desde 2004, para exibir histórias de ficção diferentes ou bem parecidas, retratadas daqueles povos, distantes dos grandes centros urbanos, das telas em salas escuras, metidas em prédios. Agora volta a navegar o São Francisco, no Norte de Minas, ir às praças em 13 cidades, neste final de abril, do descobrimento do Brasil, do Índio, de Tiradentes, até maio.
Vão levar O Palhaço, dos homens brancos, o dos indígenas, o Hotxuá, o Girimunho, gravado lá, em São Romão, e outros filmes nacionais identificados com a cultura daquelas margens. “Estamos à espera”, conta o lavrador Olinto Gonçalves da Silva, do município de Ponto Chique. Em breve, vão chegar de barco o telão, o projetor para exibir as produções, precedidos por documentários sobre as populações locais. Não só estarão na tela, participam também do feitio do curta-metragem: aparecem e assinam. Lá e em fotografias, na oficina Imagem em Movimento, destinada a crianças de 12 a 16 anos.
“É uma brincadeira, com olhar virgem desta meninada. Quem sabe não sai um cineasta ou fotógrafo”, diz Inácio Neves, responsável pelo projeto Cinema no Rio e diretor da CineAr Produções. Colocarão nas telas como veem a vida, sem interferências, como ela é nas margens mineiras do São Francisco. “No próximo semestre, o projeto acontecerá na Bahia.” Prepara agora e adiante o Cinema no Rio, a cada ano mais sucesso de público: já passaram pelas cadeiras desse local aberto 200 mil pessoas nestes seis anos. “É um prazer enorme estar nestas cidades, conhecer suas culturas, difícil até de definir. Só quem vivencia, sabe.” Vê o filme ao vivo.