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Artigo
O Brasil avançou. É verdade. E ninguém contesta os grandes ganhos econômicos e sociais nas duas últimas décadas. Na economia crescemos menos do que temos condições de fazer e nossos avanços sociais estão muito mais relacionados à capacidade de consumo do que a uma efetiva melhoria da qualidade de vida. Falamos com muito orgulho da inclusão social que, na prática, é muito significativo no mercado de consumo, pois nossos indicadores de saúde, educação e saneamento, para falar em alguns apenas, ainda são muito baixos. Nosso povo já consegue comprar geladeiras de ótima qualidade, equipamentos eletrônicos sofisticados e outros bens, para perder tudo nas enchentes e deslizamentos de terra, pois continua morando mal, sem acesso a moradias de qualidade.
E tudo isto acontece porque somos um país irresponsável. Não cuidamos, com seriedade de nossos problemas. Ficamos felizes com pequenas e efêmeras vitórias. Dirão alguns – talvez a maioria – que criticar é fácil, que vivemos talvez o melhor de nossa história social e econômica. Vivemos sim, uma grande fase. Basta olhar a popularidade atingida pela presidente Dilma, sinal de que o povo está feliz, realizado. Empanzinado de notícias favoráveis. Lambuzado de orgulho por sermos a sexta ou quinta economia do mundo. Ótimo. Eu também esperei muito para ver o país chegar até onde está. A alegria de estar não pode, porém, cegar-nos ao ponto de impedir que enxerguemos os caminhos tortuosos que precisamos enfrentar já não para avançar mais, que seria o ideal, mas para nos mantermos aonde chegamos.
O doce porre do crescimento não nos deixa ver que estamos apenas ultrapassando quem está parado. Que nossa velocidade de crescimento não pode ser aumentada por faltarem condições de arranque. Estudos recentes mostram que nossa taxa de crescimento industrial foi 18 vezes inferior à média mundial. Dezoito vezes, segundo os levantamentos do Escritório Holandês de Análise Econômica. E isto não ocorreu por acaso. A irritação da presidente com sua equipe econômica – fato que ela não fez nenhuma questão de esconder – na solenidade de lançamento das medidas de estímulo ao setor industrial, mostra que trabalhamos aos arrancos, ao sabor do improviso. Situação, aliás, constatada pelo Tribunal de Contas da União que, em pareceres recentes, deixou claro que falta governo na conservação da infraestrutura e na fiscalização do setor mineral.
O Dnit conhece a realidade de apenas 25% das milhares de pontes existentes em suas rodovias enquanto o DNPM não tem pessoal e equipamentos para fiscalizar atividades de pesquisa e lavra de minérios. Isto é um escândalo. Mesmo assim e, talvez, quem sabe, até pela ausência de governo, continuamos a crescer. A questão é saber até onde vamos com nossos passos curtos. A economia mundial é cíclica. Funciona com altos e baixos. Estamos, já há algum tempo, na fase da alta. É hora de nos consolidarmos na posição em que estamos e preparar os passos que daremos à frente. Não falo isso, como podem pensar alguns, como crítica. Estou advertindo com a visão de quem está do outro lado do balcão. Do lado de quem produz e que está enxergando nitidamente a perda de terreno no mercado mundial.
Ainda bem que, apesar das críticas, em alguns momentos violentas, dos companheiros que estão no poder, soubemos desenvolver, como nenhum outro país, nosso potencial agrícola. Que tivemos a lucidez de entender que riqueza mineral é para ser explorada e não mantida sob a terra. São estes dois setores que hoje sustentam nossas exportações e asseguram nossa presença no mundo. Terra boa e abundante. Riqueza mineral. Muita água. Vivemos com o patrimônio que Deus nos deu. Já passou da hora de fazermos a nossa parte. De situação e oposição entenderem que o objetivo tem que ser o desenvolvimento econômico como instrumento do desenvolvimento social. O alvo não pode continuar sendo a próxima eleição. O próximo palanque eleitoral. Uma hora, a hora passa.
Paulo Cesar de Oliveira, jornalista
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