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Artigo
A comemoração dos 40 anos de fundação do Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec) nos oferece a oportunidade de refletir sobre a realidade da indústria mineira e brasileira do começo dos anos 70 do século passado e compará-la com a que vivemos hoje. Naquela época, especialmente para Minas Gerais, o objetivo era acelerar o processo de fortalecimento e diversificação de sua indústria, o que, à exceção de São Paulo, valia também para as demais regiões do país. Quatro décadas depois, o grande desafio é frear e reverter o processo de desindustrialização que fragiliza o setor em todo o país, mina a competitividade das empresas brasileiras nos mercados internacionais e escancara o nosso mercado interno a produtos importados das mais diversas origens, sobretudo os de alta intensidade tecnológica e, portanto, de maior valor agregado.
De um lado, há o que comemorar. Além de lembrar a decisiva participação do Cetec no boom de industrialização de Minas Gerais nos anos 70, como instituição integrante de um aparato de fomento e desenvolvimento que se tornou exemplo para o Brasil e que também incluía a Cemig, BDMG, Fundação João Pinheiro e Indi, a celebração dos 40 anos do Cetec aponta para o futuro. Quarenta anos depois, uma nova missão começa a se transformar em realidade a partir da parceria entre o Cetec e o Senai de Minas, o que vai viabilizar a criação, no estado, de um dos maiores e mais importantes centros de inovação e desenvolvimento tecnológico do país. É uma iniciativa, registre-se, que conta com o apoio do governador Antonio Anastasia e dos secretários Nárcio Rodrigues, de Ciência e Tecnologia, e Renata Vilhena, do Planejamento. Nessa parceira unem-se, portanto, o governo do estado e a indústria mineira representada pela Fiemg.
O que nos move é a busca de sinergia entre o poder público e a iniciativa privada, de forma a viabilizar o desenvolvimento de soluções inovadoras, a difusão do conhecimento científico e tecnológico, bem como a capacitação de profissionais para suprir a indústria mineira com soluções tecnológicas essenciais à sua competitividade. A garantia de que vamos cumprir os nossos objetivos são exatamente os primeiros 40 anos do Cetec e o seu histórico de sucesso no desenvolvimento de suas atividades, especialmente, na formação de recursos humanos em nível de excelência.
Iniciativas como essa são importantes e estratégicas para que o país possa enfrentar e vencer as dificuldades que impactam a economia mundial neste momento, com reflexos perversos também sobre o Brasil. O PIB brasileiro de 2,7% registrado em 2011 e, sobretudo, o discreto crescimento da indústria (ao redor de 1,6%), especialmente do setor de transformação (0,1%), reforçam o quadro de redução da participação da indústria no PIB, confirmando a aceleração do processo de desindustrialização verificado nas últimas décadas. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que um quinto dos produtos comercializados no Brasil já é importado, o que equivale a 20%, acima dos 17,8% do ano anterior, evidenciando a tendência de intensificação do processo de enfraquecimento da indústria. Outro dado preocupante mostra que a indústria brasileira de transformação bateu recorde na utilização de insumos importados em 2011, chegando a 22,4% e configurando o mais elevado nível de uma série histórica que começou em 1996.
O pacote anunciado pela presidente Dilma, que reconhecemos e aplaudimos, é positivo, mas não é suficiente. A recuperação da indústria também exige condições isonômicas de competitividade em relação aos concorrentes de outros países, o que implica igualar a carga tributária total incidente sobre produtos importados e nacionais, modernizar as relações trabalhistas e fazer a reforma da Previdência. Em síntese, tudo que a indústria nacional precisa é de um ambiente de negócios que assegure à empresa brasileira isonomia na disputa de mercados.
Olavo Machado, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Sistema Fiemg)
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