|
CapaCaiu na rede......é bem provável se tornar uma bola de neve. daí pode surgir uma avalanche mobilizadora e até uma ingênua anedota
Texto: Raquel Ayres | Fotos: Daniel Teixeira/ AE, Frederico Rozário/ TV Globo, Nélio Rodrigues e arte de Paulo Werner
|
E onde isto vai parar? Só Deus sabe. Mas até pode ser na prefeitura de Belo Horizonte, onde foram repercutir os posts de protestos que choveram no Facebook, relativos ao aumento de 61% no salário dos vereadores. Ainda um pequeno grupo organizou-se a partir do mundo virtual, ganhou as ruas do centro da capital e, munidos de apitos, foram protestar. No dia 23 de janeiro o prefeito Marcio Lacerda vetou o aumento e o resultado da mobilização via rede foi assunto da revista Veja de 1º de fevereiro. Internautas também criaram o site nãovaiderrubar.com, que fiscaliza a opinião dos vereadores acerca do veto. Com fotos e tudo. Luiza, do Canadá para o Brasil, também sabe o que é o poder das redes sociais. A prova são os cachês de até 15 mil reais faturados para fazer presença em festas – pelo menos até que venha a piada seguinte. Já para o modelo Daniel Echaniz, a piada não teve nenhuma graça. Ele foi eliminado do BBB 12 depois que pipocaram no Twitter protestos indignados por sua conduta de suspeita de estupro de uma colega. O tópico danielexpulso chegou a contabilizar 116 mil menções. O Ministério Público interveio e a enxurrada de comentários negativos foi tamanha que a direção do programa expulsou o rapaz. |
Não há limites para o que pode ser discutido pelas redes socaisi. Temas agradáveis à população resultam em mobilizações por causas bastante nobres. Como o movimento Massa Crítica, surgido na Califórnia em 1992 e já espalhado por 300 cidades do mundo que prega o uso da bicicleta como meio de transporte predominante. Por aqui deu origem ao Bicicletada e reúne, toda última sexta feira do mês, adeptos também do skate, patins ou qualquer meio de transporte não motorizado. É o ativismo ao estilo do faça seu próprio movimento. Indo mais fundo, a bola cresceu, rolou e despencou na cabeça do ditador egípcio Hosni Mubarak, após quase 30 anos no poder. Segundo especialistas, a nova geração usou a internet e as redes sociais para o ativismo político. A morte do também ditador Muamar Kadafi, da Líbia, invadiu o Twitter no dia 20 de novembro de 2011 e esteve em primeiro lugar dos Trending Topics mundiais por cerca de quatro horas. “Em momentos como este é possível observar estudantes americanos compartilhando pensamentos com jovens do mundo árabe. São ideias que se espalham mundo afora, independente de etnia, cultura ou comportamento”, avalia o analista de mídias sociais Fernando Leroy. Nada mais tem fim ou fica encoberto. Os debates políticos, por exemplo, encerrados nas TVs, continuam nas redes sociais. “Homens públicos com tabus serão desmascarados, mentiras serão desvendadas. Não há mais espaço para sigilo. Tudo virá à tona”, pontua Leroy. “Se a revolução virtual ainda não está concretizada, está por acontecer”, assegura a socióloga e professora de ciências políticas Angela Albuquerque. Para ela, a agilidade das informações garante a rápida mobilização e, consequentemente, a concretização de ações. “O fato das pessoas, muitas vezes, não precisarem sair de casa faz com que protestar seja mais cômodo.” Tina Rosenberg, autora do livro Join the Club: How Peer Pressure Can Transform the World (tradução do título, ainda não disponível no Brasil, Junte-se ao Clube: Como a Pressão Social pode Transformar o Mundo) diz que as causas das redes sociais passaram a ser nossas principais formas de conexão, o que explica a disposição das pessoas integrarem movimentos, colaborarem umas com as outras, compartilharem ideias. “É o que chamamos de crowdsourcing, pois as pessoas estão, por meio de suas intervenções, contribuindo para gerar melhorias”, analisa Leroy. |
Gerar comentários, construir uma reputação por meio das redes sociais. Também colaborar e criar conteúdos. Caso do artista plástico Erik Fontes, criador do personagem Sr. Skull, um crânio falante que dá o ar da graça no Youtube. “Ele incita as pessoas a interagir por meio de uma pergunta. O caso da Luiza, por exemplo, serviu para reflexões até mesmo sobre a necessidade de se ter determinado talento para virar celebridade. Pessoas que são eleitas para tais finalidades sem nem mesmo terem controle sobre”, pontua Fontes. Com intuito de dar sua colaboração, a advogada Simone Rocha Campos, 48, criou o post Minas - Acorda Brasil “O povo não pode se permitir ser tão roubado. Ou acreditar neste ou aquele político porque seu programa eleitoral na TV tem mais recursos. Não se pode aceitar tudo. As pessoas têm que ver o que o cara faz”, afirma. “Creio que nossas fronteiras estão ampliadas pois as mídias socais nos dão maior poder de intervenção. Um grupo sempre vai puxando o outro e pode até mudar nossa maneira de pensar.” Segundo o psicanalista Pedro Castilho, constatações como a que faz Simone mostram que as mídias sociais estão muito mais fortes do que podíamos imaginar também porque não há mais necessidade de vinculação de ideais às instituições políticas ou religiosas. “Correspondem, no mundo contemporâneo, ao que os gregos denominavam Ágora.”Este espaço era público e central na vida da Grécia. Era onde o cidadão encontrava-se com o outro fosse para trocar mercadorias ou para discutir política; espaço de cidadania. Na rede, estamos concretizando os 15 minutos de fama a que o artista plástico Andy Warhol se referiu. Somos sujeitos à observação e julgamento a partir do que se posta, envia, do que se curtem. Igualmente estamos aptos a emitir opiniões que se pulverizam e espalham sem a interferência dos grandes grupos midiáticos, em proporções nunca vistas |
Luiza no Brasil
|
Maiores redes sociais do mundo
Fonte: Compete, de monitoramento de visitas a websites. 2011 |
Etiqueta na rede
Fonte: revista VIP, fevereiro 2012, editora Abril |