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ViolênciaProteção de papelA procuradora Ana Alice Melo é mais uma entre tantas mulheres que buscam proteção na Lei Maria da Penha e acabam mortas
Texto: Fernando Torres e Terezinha Moreira | Fotos: reprodução e Juliana Dapieve / O Tempo
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O advogado conta que os crimes de ameaça e de agressão leve dificultam a punição do agressor com a prisão preventiva, que dura poucos meses, por serem considerados de menor potencial ofensivo. “A pessoa é presa preventivamente, mas poderá cumprir a ameaça após sua soltura. O monitoramento eletrônico poderia impedir a ida do agressor ao bairro onde a mulher mora. É a forma mais segura, pois o estado não tem condição de colocar policial para vigiar a vítima 24 horas”, diz Rocha.
Mesmo com as falhas no cumprimento da Lei Maria da Penha, a orientação da delegada Renata Fagundes, que investiga o assassinato de Ana Alice, é para que as vítimas sempre busquem as medidas protetivas, para se resguardar e manter distância do agressor. “O pior é que a maioria das mulheres acha que o companheiro não irá fazer nada concreto contra elas. Quem sofre violência doméstica muitas vezes é tão vitimizada que não tem condições psicológicas de reação.”
Por cinco anos, a empresária Juliana (nome fictício), 41, namorou um homem agressivo, que protagonizou cenas de ciúme e possessão, perseguição e até mesmo agressões físicas. “O temor era constante. Sempre que eu dizia que iria terminar o namoro, ele ameaçava me matar caso isso acontecesse”, lembra. Quando tomou coragem para romper a relação, Juliana teve que se esconder por dois meses. “Ele me seguia, ficava na esquina da minha rua e ligava em casa sem dizer nada. Cheguei a sair no porta-malas do carro e ir para lugares bem distantes da cidade, pois acreditava que, se ele tivesse oportunidade, realmente me mataria”, conta. Mas a empresária optou por não relatar o caso na delegacia. “Não acredito na Lei Maria da Penha. Já conheci pessoas que fizeram denúncias e não aconteceu absolutamente nada. Pelo contrário, acho que seria mais um motivo para o agressor concretizar o ataque”, opina.
A delegada Renata reforça a importância da denúncia, mesmo em caso de temor. Ela aponta que uma das medidas protetivas em âmbito da polícia é o acompanhamento à vítima que quiser ir à sua casa retirar pertences pessoais e se transferir para lugar seguro. Se a determinação judicial de manutenção de distância da vítima for descumprida, o agressor pode ter a prisão preventiva decretada. “A mulher não deve ter medo de denunciar. Além do mais, ninguém é capaz de prever o comportamento de outra pessoa”, reitera a delegada.
O advogado criminalista Castelar Guimarães diz que a medida protetiva pode ser estendida a seus familiares e ao seu patrimônio. “Mas não basta a concessão, já que há deficiência do aparato policial, com pouco efetivo para dar prosseguimento a casos de agressão à mulher. A Lei (Maria da Penha) traz avanços significativos, mas falta melhor aparelhamento das polícias civil e militar para que as medidas protetivas sejam efetivadas”, aponta Guimarães. Ele pondera que, via de regra, quem recebe determinação de afastamento cumpre. Não foi o caso do empresário Djalma Veloso que, algumas horas depois do crime, teria cometido suicídio em um motel próximo da residência do casal.
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Bom exemploIniciativa em UberlândiaUberlândia, no Triângulo Mineiro, conta com a ONG SOS Ação Mulher/Família, voltada para a proteção e orientação a mulheres vítimas de agressão doméstica. Em parceria com o Centro de Prevenção à Criminalidade, a ONG acrescentou a medida protetiva de obrigar o agressor a frequentar um grupo de reflexão por determinado período, e tem tido bons resultados. “No entanto, inexplicavelmente, a medida não está sendo recomendada pelo Judiciário”, reclama Marina Zlochevsky. Ela diz que o ideal é que a mulher que sofra ameaça ou agressão procure ajuda. Lamenta que a banalização da violência contra a mulher não seja tão considerada. “O problema é que crianças que convivem em ambiente com violência, estão mais aptas a serem violentas dentro de casa”, analisa Marina. |
Números
Fonte: Anuário das Mulheres Brasileiras 2011 |