Quarta, 23 de Maio de 2012
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Política

Vão se bicar

Partidos começam a se aliar para as eleições deste ano de olho nas de 2014; PT e PSDB devem estar juntos nas cidades maiores

Texto: Sueli Cotta | Fotos: Daniel de Cerqueira, Nélio Rodrigues e arte de Paulo Werner


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A corrida pelo controle político das 853 prefeituras mineiras movimenta os partidos. Em jogo, além da sobrevivência e o crescimento das legendas no interior do estado, está evitar que as possíveis perdas prejudiquem os projetos para 2014, quando haverá eleição para o governo de Minas e Presidência da República. 

PT e PSDB devem manter parcerias não só em Belo Horizonte, mas também em algumas cidades no interior do estado, para desespero de alguns grupos petistas, que resistem a essa aproximação. Petistas e tucanos estão juntos em pelo menos 45 cidades mineiras, em 25 com o prefeito do PSDB e vice do PT e em 20 com prefeitos do PT e vices do PSDB. Os dois partidos se alinharam nas últimas eleições em 202 cidades na chapa ou apoiando o mesmo candidato. 

A prefeitura de Belo Horizonte é um capítulo à parte e, apesar das resistências à repetição da aliança entre PT e PSDB em torno do nome de Marcio Lacerda (PSB), está claro para representantes das duas legendas que a capital mineira é fundamental no projeto político de 2014. Alguns petistas, que trabalham para reeditar a aliança, entendem que o vice indicado pelo partido na chapa de Lacerda estará carimbando o passaporte para a disputa à prefeitura em 2016. 

No projeto dos petistas, além da possível reedição da aliança com Marcio Lacerda, é preciso trabalhar para ampliar o apoio no estado para reeleger a presidente Dilma Rousseff. O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, também sonha em ocupar a cadeira do governador de Minas e tem buscado fortalecer o seu nome para a disputa. Isso, se não houver nenhuma turbulência interna contra a candidatura de Pimentel.

Até mesmo o vice-prefeito Roberto Carvalho, que vinha defendendo ferozmente o lançamento de candidatura própria do PT, recuou e tem se mantido mais reservado e evitado críticas a Lacerda, apesar de ter conseguido mobilizar a militância para que a candidatura própria entrasse na pauta de discussão do partido. “É normal que a repercussão das disputas em Belo Horizonte seja maior. Mas até o final do mês de março o assunto estará definido, mesmo porque muitos líderes do PT já se manifestaram favoráveis à manutenção da aliança com Lacerda”, diz o deputado federal Reginaldo Lopes, presidente estadual do PT.


"Nosso desafio é o de fortalecer o PSDB sem atropelar nossos aliados históricos", Marcus Pestana"
O PT ainda não tem contabilizado em quantas prefeituras estará novamente com o PSDB, mas os dois partidos pretendem manter a aliança. A executiva estadual petista trabalha com a meta de passar de 110 para 150 prefeituras, priorizando as cidades onde já está presente. Para ganhar espaço no interior, PSDB e PT se organizam para controlar principalmente as cidades com mais de 50 mil habitantes e eleger aliados onde não têm chances de vitória para sair na frente na disputa de 2014. 
O PSDB, por sua vez, quer se fortalecer para avalizar a candidatura do senador Aécio Neves à Presidência da República e Minas, onde governou por oito anos, é o seu principal cartão de visitas. O presidente do diretório estadual do PSDB, deputado federal Marcus Pestana acredita que, como o partido está em 829 municípios, há chances de avançar com candidatura própria ou apoiando  aliados. “Nosso desafio é o de fortalecer o PSDB sem atropelar nossos aliados históricos”, afirma Pestana.
 O PSDB tem atualmente 160 prefeituras em Minas e as metas só serão estabelecidas após a definição dos nomes e dos partidos que vão participar do processo eleitoral.  Até o momento o PSDB tem se alinhado com oito partidos e pretende se aproximar também do recém-criado PSD, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. 
Walfrido dos Mares Guia: aliança a pleno vapor
Walfrido dos Mares Guia: aliança a pleno vapor

Já o PSB quer  aproveitar o bom momento do partido nacionalmente e em Belo Horizonte para avançar em Minas. O presidente do diretório municipal, Walfrido dos Mares Guia, tem plano ambicioso. A sua meta é a de passar de 13 para 50 prefeitos. “Isso, sem falar da reeleição de Marcio Lacerda. As conversas para ampliar a aliança estão a pleno vapor, mas falta uma definição do PT e do PSDB, os dois partidos que apresentaram o nome de Lacerda em 2008”, diz. A popularidade de Lacerda na administração municipal é o principal trunfo, mesmo porque Walfrido acredita que já passou o tempo dos “petistas com facas nos dentes”, ao se referir aos radicais do partido, que estão sempre contra a aliança PSB/PT/PSDB. 

PMDB e DEM são os que mais perderam nas últimas eleições e, se encolherem ainda mais, podem não ter fôlego nas negociações para as composições em 2014, e para ocupação de cargos nas administrações municipais. Para recuperar o terreno perdido, o PMDB pretende ter candidatos nas chapas majoritárias nos 850 municípios onde possui diretório. Das 140 cidades que o partido tinha em 2004 caiu para 120 em 2008 e, agora, a meta é chegar a 150 prefeituras, pelos cálculos do presidente do diretório estadual, deputado federal Antônio Andrade. “Vamos trabalhar para ter o maior número de candidatos possível. Onde não conseguirmos, vamos tentar entrar na chapa  majoritária com o nome do vice.” Se o PT decidir-se pelo lançamento de candidatura própria e tiver um nome forte, o PMDB pode apoiar o partido, mas trabalha para ter um candidato para contrapor a administração de Marcio Lacerda.

O DEM, que perdeu vários membros do partido para o recém-criado PSD, pretende lançar candidatura própria nos maiores municípios. “Entre os partidos aliados existe um acordo de que o melhor colocado encabeçará a chapa majoritária”, diz o deputado estadual Gustavo Correa. Em BH, se o PSDB não tiver candidato, o DEM deve se aliar à candidatura de Lacerda.

O PSD, por sua vez, sonha alto. Os líderes do partido aguardam a decisão do Tribunal Superior Eleitoral para se posicionar. A expectativa é de que o partido oficialize a terceira maior bancada no Congresso Nacional e, com isso, consiga um bom tempo no horário eleitoral gratuito. “O que vai significar mais força para negociar com os outros partidos ou lançar candidatura própria”, afirma o recém-filiado Gustavo Valadares.

No PDT a esperança é a de passar dos atuais 52 municípios para 200. Para tanto, o partido está se organizando e abriu diretórios municipais em pelo menos 653 cidades. Em Belo Horizonte estuda-se a possibilidade de lançamento de candidatura própria, mas não está descartado o apoio à reeleição de Marcio Lacerda. “Mesmo ele não tendo cumprido com os compromissos firmados com o PDT”, reclama o deputado Alencar da Silveira Jr.. Um dos coordenadores da campanha de Lacerda, Alencar da Silveira Jr. diz que o prefeito nunca fez o prometido. “Ele me recebe muito bem, mas se continuar a agir assim, ignorando as promessas que faz, Marcio Lacerda será conhecido apenas como um bom administrador e jamais será um bom político”.  

Partidos

Números de prefeituras atuais e projetadas para as eleições de 2012 em MG

veja arte

 
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