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MinasTragédia de todo anoAté quando as chuvas vão destruir casas, alagar ruas, matar? O estado aguarda recursos e especialistas cobram prevenção
Texto: Janaína Oliveira | Fotos: Eduardo Trópia/ Ouropress e divulgação
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O governo de Minas ainda negocia com a Federação a liberação de 2,1 bilhões de reais, que serão investidos em 40 municípios. Deste total, a ideia é destinar 1,4 bilhão a ações preventivas, que incluem intervenções físicas, e 37 milhões em projetos e estudos. Outros 590 milhões de reais serão para saneamento. Por aqui, conseguiu com a Cemig a compra, no valor de 10,5 milhões de reais, do primeiro radar meteorológico. O aparelho fica em Mateus Leme, mas possibilita a melhoria do monitoramento e da segurança meteorológica em toda a Zona Metalúrgica e Campo das Vertentes, boa parte da bacia do Rio Doce, zona da Mata e Alto São Francisco. O restante terá que esperar. Só que gato escaldado, como diz o ditado, tem medo de água fria. “Parece que somente as cidades de Pernambuco sabem e merecem captar recursos”, ironiza William Lobo de Almeida, prefeito de Cataguases e um dos diretores da Associação Mineira dos Municípios, referindo-se ao fato de o chefe da pasta da Integração, Fernando Bezerra, ter destinado 90% da verba de prevenção a desastres para sua terra natal e berço político. Ele ainda reclama da burocracia em uma situação de emergência. “Trata-se de urgência. Mas cada hora te pedem mais um documento. Fizemos o pedido há 15 dias e até o final de janeiro ninguém na região recebeu um centavo”, desabafa. Faltam ainda às prefeituras, principalmente às menores, segundo ele, dinheiro e pessoal qualificado para elaborar os projetos. |
Para Cláudia Pires, diretora do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), a ausência de políticas públicas e investimentos em prevenção aliada à ocupação irregular do solo e à falta de fiscalização formam uma bomba-relógio propícia aos desastres. “É preciso um planejamento, que inclua a educação ambiental urbana e a remoção de famílias que vivem às margens dos rios. Muitos prefeitos não tomam essas atitudes porque as consideram impopulares. Mas a saída certamente passa por aí”, diz. Belo Horizonte é um exemplo de que a prevenção é melhor do que o remédio. Ainda há muito o que ser feito, mas, apesar de dezembro de 2011 ter sido o mês mais chuvoso em 100 anos, a capital não registrou mortes por deslizamentos de encostas – fato que não acontece há mais de três anos. A lição foi aprendida a duras penas e com muito sofrimento. Em 2003, no Morro das Pedras, na região Oeste, seis filhos e três sobrinhos do lavador de carros Antônio Laurêncio morreram soterrados. Entre as vítimas, estava o garoto Felipe dos Santos, que ficou nos escombros por mais de 15 horas. Perdeu a batalha para a terra que insistia em descer e comoveu população, bombeiros e autoridades. De lá pra cá, um trabalho de formiguinha começou. Para saber onde mora o perigo, áreas foram mapeadas e moradores, cadastrados. “A cidade aprendeu com a tragédia e desenvolveu um programa de prevenção de riscos, principalmente com relação aos deslizamentos. Hoje, vistorias, obras e o trabalho com os moradores são realizados com bastante antecedência. Casos isolados ainda existem, mas, perto de outras cidades, BH virou exemplo”, afirma Maria Giovana Parizzi, professora do departamento de Geologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Para ela, a prefeitura vem cumprindo uma tarefa que pode até não render muitos votos, mas que evita catástrofes. Entendeu que prevenir é muito melhor do que reconstruir e chorar as perdas. |