Peças dos museus do Oratório, em Ouro Preto, e de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte, estão em exibição até 14 de fevereiro no Espace Culturel ING, Place Royale de Bruxelas, na Bélgica. Organizada pelo projeto Terra Brasilis, a exposição destina-se principalmente a um público que não conhece o Brasil. Entre as peças, estão o oratório Lapinha, que traz um Menino Jesus, ornado com frutas coloridas, e o oratório Erudito, com a imagem da Nossa Senhora da Apresentação, ambos do período rococó. Os estrangeiros, na certa, não veriam essas riquezas culturais não fosse a história de uma brasileira apaixonada por arte desde a infância. Herdeira do grupo Andrade Gutierrez e colecionadora de arte desde os 14 anos, quando o pai a presenteou com um oratório, Angela Gutierrez, 62, fundou o Instituto Cultural Flávio Gutierrez (ICFG) em 1998. Ela doou suas coleções ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), dando origem aos museus do Oratório e de Artes e Ofícios. Agora, ela luta para a concretização do projeto do Museu de Sant’Ana, em Tiradentes.
Em que estágio encontra-se o Museu de Sant’Ana, em Tiradentes?
O museu já poderia estar inaugurado, não fosse a burocracia do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Ministério da Cultura. Hoje, o projeto arquitetônico está aprovado à espera da publicação. A próxima etapa será a captação de recursos via Lei Rouanet.
Quando surgiu esse amor pela arte?
A essa pergunta eu costumo responder sempre que esse amor pela memória de nossa gente surgiu antes de mim. Pelo exemplo que tive em casa, dos meus pais. Meu sonho é ajudar a preservar o nosso patrimônio cultural que através dos séculos nem sempre foi bem tratado.
Comente um pouco sobre a importância de mostrar as riquezas culturais brasileiras no exterior, a exemplo da exposição na Bélgica?
O olhar estrangeiro sobre a arte e a cultura nos mostra a força do nosso país.
Rio de Janeiro e São Paulo são considerados os maiores polos culturais brasileiros. Belo Horizonte, embora tenha muitas riquezas, ainda é considerada fora do circuito cultural. Os mineiros ainda não estão sabendo “vender o seu peixe”?
Eu concordo, embora reconheça que já caminhamos bastante. É preciso reconhecer que há ainda a ser feito, ressaltando sempre que Minas exporta talentos para o resto do país desde o século 18.
Você realiza grande papel como empreendedora cultural e também já foi secretária de Estado de Cultura em Minas. Como concilia a atividade de empresária com as ações culturais?
É um grande prazer, quando se trabalha com o coração, quando há paixão no que se faz, conciliar é fácil e trabalho nunca me assustou.