Para contar o que virá a seguir faço um esclarecimento, principalmente para os leitores que sabem que minha terra natal é Ouro Fino, município do sul do estado. De fato sou natural daquela cidade conforme consta dos livros de registro civil e da paróquia de Ouro Fino, onde fui batizado. Todavia, se alguém quiser encontrar o endereço de meus pais quando de meu nascimento, não o encontrará em Ouro Fino. Residiam à avenida Alvarenga Peixoto, 210, no distrito de Inconfidentes, conhecido à época como Colônia e emancipado em 1962. Nasci na casa da esquina da avenida com rua Sargento Mor Toledo Piza, quando aquele distrito integrava o município de Ouro Fino. Tenho, pois, a felicidade de ser natural de duas cidades: Ouro Fino e Inconfidentes.
Fato esclarecido, vamos aos fatos.
Já é tradição o almoço na véspera de Natal que reúne vários amigos por inspiração e liderança de Paulo Cesar de Oliveira. PCO tem essa extraordinária capacidade de fazer e agregar amigos, de estimular a conversa solta em torno de uma boa mesa. No almoço de dezembro passado o grupo, constituído por Paulo Cesar, Lúcio Costa, Carlos Lindenberg, Fernando Frauches, o vice-governador Alberto Pinto Coelho, o vice-presidente do Banco do Brasil Robson Rocha e eu, conversava alegremente quando surgiu a dúvida se encontros aparentemente acidentais são simples coincidências ou, ao contrário, são fruto de alguma predestinação. Por exemplo, ali naquela mesa Lúcio Costa e eu temos netos, ainda pequenos com 5 anos de idade, que são também amigos na escola que frequentam. O neto de Carlos Lindenberg é meu sobrinho-neto. Seria coincidência ou predestinação?
Robson Rocha, mineiro que reside em Brasília, acabava de chegar de São Paulo e falava sobre a expansão do banco, principalmente nos Estados Unidos. Descrevia as instalações da agência em Nova Iorque quando eu o interrompi e comentei haver lido naquela manhã no Jornal de Inconfidentes, publicação mensal que recebo regularmente pelo correio, que no dia anterior fora inaugurada naquela cidade do Sul de Minas a agência do Banco do Brasil, localizada na avenida Alvarenga Peixoto, 210. Disse-lhe mais, que o endereço da agência era o mesmo da casa onde nasci e passei a minha infância. Robson imediatamente exclamou: “É inacreditável! Ontem eu deveria estar lá na inauguração, mas tive que cancelar minha participação na última hora em razão de outro compromisso em São Paulo com a presidente Dilma”.
Ele achou interessante que uma agência do Banco do Brasil estivesse situada no local onde nasceu um ex-ministro. Certa feita me falou um ex-prefeito de Inconfidentes, com certeza para alertar-me sobre minha responsabilidade com a terra: “Não será tão cedo que essa cidade de apenas 5 mil habitantes terá outro ministro”. Nunca se sabe. Talvez, difícil mesmo será ter lá outra agência do banco na residência de outro ministro.
O fato é singular e, por sugestão do Robson Rocha, deveria ser registrado. Ele sugeriu comemorá-lo no princípio de fevereiro lá em Inconfidentes. O vice-governador Alberto Pinto Coelho que – por coincidência? – é amigo da prefeita da cidade, aceitou de imediato o convite para nos acompanhar. Espero que todos que estavam naquela mesa possam se juntar a nós.
A referência de meu nascimento e de minha infância em Inconfidentes não é mais apenas a avenida Alvarenga Peixoto, 210, mas também a agência 4865-8 do Banco do Brasil. Para quem dedicou parte de sua vida profissional como executivo no setor bancário, será isso uma simples coincidência? Ou predestinação?