Quais seriam as razões para otimismo e preocupação em 2012? É fato que o Brasil acha-se menos vulnerável às oscilações da conjuntura internacional hoje do que já esteve no passado. No entanto, num mundo contemporâneo marcado pela globalização e interdependência, é necessário estar atento ao que ocorre no cenário internacional e ser capaz de tomar medidas preventivas, quando necessário.
A política macroeconômica praticada no Brasil no período pós-real tem sido bastante pragmática e ancorada no regime de metas de inflação, que baliza as ações das autoridades, principalmente as monetárias, e permite a manutenção da inflação nos limites das metas pré-estabelecidas.
Nota-se que a gestão da política macroeconômica no país evoluiu positivamente nos últimos anos. Cuidou-se para garantir estabilidade institucional e certa previsibilidade às ações das autoridades fazendária e monetária. Tudo isto tem contribuído para aprimorar o ambiente de negócios e estimular os investimentos privados.
Com relação ao impacto da crise internacional sobre o Brasil, pode-se afirmar que o Banco Central tem sido ágil na tomada de decisão impedindo que o Brasil sofra drástica redução da atividade econômica e do emprego em virtude dos acontecimentos internacionais, principalmente na Europa. Por outro lado, a China continuará sendo o motor do crescimento brasileiro mesmo que, conforme esperado, cresça a taxas ligeiramente menores das observadas nos últimos anos.
Além disto, as Olimpíadas e a Copa do Mundo de 2014 exigirão investimentos de grande escala em portos, aeroportos, hotéis e obras de mobilidade urbana em várias regiões do país, o que contribuirá decisivamente para a garantia do emprego, da renda e da atividade produtiva. Temos ainda setores como o agronegócio e a indústria de extração mineral que ocupam posição de vanguarda no mundo e o enorme potencial do pré-sal.
Mas será que temos também razões para preocupações em 2012? Se o futuro imediato traz grandes potencialidades implica também grandes desafios. O Brasil precisa atacar de frente os obstáculos que dificultam o desenvolvimento sustentado e sustentável entre nós: o aumento da produtividade, a melhora da educação, a modernização da infraestrutura e a superação de velhas estruturas que oneram a produção.
É importante também que as reformas voltem à pauta de discussão econômica do país, em particular a tributária, de forma a aproveitar o bom momento econômico vivido e a permitir que o Brasil cresça a taxas próximas a dos países mais dinâmicos da economia mundial, como China e India.
No que tange ao aumento da competitividade a reforma trabalhista ocupa papel central. Vale notar as recentes medidas discutidas em países membros da União Europeia, relacionadas à flexibilização das relações trabalhistas com vistas a reinserir estas economias de forma competitiva na economia global. Debates dessa natureza precisam integrar a pauta política do país.
Os augúrios ou prognósticos são bons ou alvissareiros, mas não se pode descansar sobre esses louros. Não se pode esquecer do dever de casa!