A presidente Dilma foi eleita pelo presidente Lula. Um dos argumentos usados para justificar sua candidatura era a sua eficiência, que seria usada para a tão necessária melhoria dos serviços públicos. Fatos recentes em seu governo a colocam diante de um dilema: ou demite o ministro da Integração Nacional, assume as rédeas, define e exige o cumprimento das diretrizes de seu governo, e mantém a aura de executiva eficiente, ou fica com o ministro e as dispersas prioridades de cada grupelho político no comando da maioria dos órgãos públicos, e faz um governo, como tantos outros, de “deixa a vida me levar”. Isso dá certo em samba, mas não em governos....
O ministro da Integração Nacional concentrou 90% das verbas do seu ministério em seu estado natal, e acumula suspeitas de nepotismo e mesmo corrupção; balançou, mas não caiu. Ainda que venha a cair na reforma prometida, a presidente terá perdido a ocasião.
Já seu subordinado, o chefe do DNOCS, caiu. A razão da queda foi ter praticado atos em tudo semelhantes aos que fez o ministro. Qual a diferença entre os dois? Poder político; em termos de eficiência da gestão dos respectivos órgãos, a nota de cada um fica, necessariamente, perto de zero, e puxa para baixo a nota da presidente. E a eficiência na gestão da coisa pública? Ah, essa ficou subordinada à governabilidade, entendida como a manutenção da aliança que elegeu a presidente. Vale indagar: governabilidade para quê? Para fazer isso com o dinheiro dos nossos impostos? Pode ser que os nossos governantes precisem desse tipo de governabilidade, mas para nós, pagadores de impostos, certamente seria melhor nos livrarmos dela!
OK; então será mantido na equipe um ministro que concentra 90% das verbas de seu ministério em seu estado natal, sendo que a maior parte foi para favorecer seu filho e ainda encaminha algumas obras importantes para seus amigos. Mantendo em seu time alguém com esse currículo, como poderá a presidente argumentar que pretende fazer uma gestão eficiente? Haja marketing, e gasto de verbas publicitárias.... em detrimento da qualidade das escolas, da saúde, da fiscalização etc., etc., etc.
É até possível, embora pareça improvável, que o ministro nada tenha feito de ilegal. Seu comportamento, porém, além de eticamente indefensável, é administrativamente danoso. Se esse ministro pode, os demais também pensarão que podem; aliás, serão cobrados nesse sentido, pelos seus coestaduanos, e serão acusados de trouxas se não o fizerem. A presidente, diante desse quadro, nada poderá fazer, e seu governo descambará para algo próximo de uma nau sem rumo. Ou melhor, com tantos rumos quantos forem os ministérios... Sem rumo permanecerá o Brasil, capitalizando a suposta honra de ter se tornado a sexta economia do mundo!