O vazamento da informação de que o PSDB mineiro guarda o nome da executiva Andrea Neves para disputar o governo do estado, em 2014, não é um blefe como muitos podem imaginar. Sem um nome forte, dentre os conhecidos, para disputar contra o ministro Fernando Pimentel, provável candidato do PT, o ninho tucano mineiro começou a ficar assanhado. E não sem razão. O governador Antonio Augusto Anastasia, por força de lei, não pode disputar a reeleição, condição que ele queimou ao assumir a cadeira do então governador Aécio Neves, de quem era vice, em 2010, e o PSDB viu-se de uma hora para outra sem um nome de suas próprias fileiras para a disputa com Pimentel.
Essa perspectiva alvoroçou o ninho tucano. Até aqui o nome que vem sendo falado para a sucessão do governador Anastasia é o do seu vice, Alberto Pinto Coelho, ex-parlamentar de vários mandatos e ex-presidente da Assembleia Legislativa, com largo trânsito entre os deputados, tanto estaduais como federais. Alberto, no entanto, é do PP, o que não faz, óbvio, a alegria dos tucanos, a despeito da lealdade.
Essa perspectiva, em última instância, foi que ouriçou mais ainda o ninhal tucano em Minas. Velha raposa, a despeito da pouco idade, o senador Aécio Neves percebeu que era preciso acalmar seu time, nervoso diante da possibilidade de ficar sem um capitão para a disputa. E quem, senão a condestável Andrea, figura de proa na administração estadual, embora dela não participe diretamente, e cuja nome já fora lembrado até para vice do então candidato à Presidência da República, José Serra?
Nome pensado, nome posto. Com a sutileza que caracteriza os tucanos mineiros, tão diferentes na ação dos paulistas, cuidaram para que o nome de Andrea fosse posto em circulação, como uma espécie de balão de ensaio. Uma dupla surpresa: não só o tucanato se acalmou como a própria Andrea parece ter gostado da lembrança, tanto é que não recusou a missão – ao contrário da época em que seu nome foi lembrado para compor a chapa com José Serra. De forma que a entrada em cena do nome da presidente do Servas passa a ser a novidade desta pré-campanha, se que é se pode dizer assim. De qualquer forma, a partir dessa especulação, o PSDB já não pode dizer que não tem candidato. Andrea pode até não vir a ser, mas isso é outra história, é um desdobramento natural da movimentação política. O que não que dizer, também, que o vice Alberto Pinto Coelho seja carta fora do baralho. Experiente, Alberto apenas observa a movimentação, sem comentá-la, a não ser para dizer que o nome é forte, respeitável.
De sua parte, o governador Anastasia também não comenta a hipótese. Aécio, muito menos. E Andrea, o nome da vez, sorri quando lhe perguntam. Mas a política é assim, mesmo, sobretudo em Minas, onde os gestos às vezes são mais eloquentes do que as palavras. É como a hipótese de o governador Anastasia vir a ser o candidato do grupo aecista ao Senado. A menos que a provável candidatura de Aécio à Presidência não emplaque ou que, viabilizando-se, seja necessária uma outra costura, é evidente que Anastasia passa a ser o nome do PSDB para o Senado, na disputa da vaga que hoje é ocupada por Clésio Andrade, cuja permanência não é do agrado dos tucanos mineiros, menos ainda do seu líder, Aécio. Restaria ainda saber se, de fato, a candidatura de Fernando Pimentel, a essa altura, tem solidez suficiente para se manter de pé até 2014. Em tese tem, mas já há no PT quem acha que o ministro pode optar por permanecer em Brasília, a depender do que poderá lhe reservar a presidente Dilma Rousseff. Nesse caso, a depender também da sucessão presidencial, não se pode descartar o nome do prefeito Marcio Lacerda. Neste caso, seu futuro estaria ligado ao do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do seu partido, o PSB. Como se vê, tem muita água para passar debaixo da ponte.