Quinta, 23 de Fevereiro de 2012
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Interior

Praça à venda

Prefeitura de Montes Claros propõe comercializar área para concluir estádio, construir teatro e provoca debates

Texto: | Fotos: Fábio Marçal


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A venda de parte do terreno da tradicional praça dos Esportes, em Montes Claros, causa reboliço nesta cidade do Norte de Minas, com 400 mil habitantes. A praça foi construída há 70 anos, em área de 30 mil metros quadrados, dos quais entre 12 mil e 13 mil serão vendidos por valor entre 35 milhões e 40 milhões de reais. O projeto do Executivo que trata da venda já foi aprovada pela Câmara Municipal, por nove votos contra dois. A alegação do prefeito Luiz Tadeu Leite (PMDB) para negociar o terreno é que o dinheiro será utilizado em obras das quais a cidade é carente. “Ainda faltam duas grandes obras para Montes Claros: o Mocão, estádio de futebol iniciado pelo ex-prefeito Toninho Rebelo há mais de 40 anos e que até hoje ainda não foi viabilizado, e um teatro municipal”.

Luiz Tadeu diz que os recursos serão utilizados na conclusão do estádio de futebol com capacidade para 15 mil pessoas e do teatro com 500 lugares. “Nenhuma gestão conseguiu financiamento junto aos governos federal e estadual, nem teve recursos próprios para erguer estas obras.” Ele alega que a parte que será vendida é pouco utilizada pela população. “Este projeto virou um debate. Muitos políticos não querem que a venda seja executada, além de alguns setores e pessoas que movimentam a imprensa e as redes sociais”, garante.

Na visão do prefeito, a venda da praça será um grande avanço. “Esta situação transformou-se em um ovo de Colombo porque a cidade não vai perder nada. A praça vai continuar existindo e melhor porque vai passar por reforma completa. A grande maioria da população está a favor. Os candidatos a prefeito não querem sua venda, ameaçam ir à Justiça, mas a Justiça está para dar razão a quem tem. A razão é do município,” justifica. Ele conta que colocará o dinheiro em conta separada para usar somente nas obras a que está destinado e que será montada comissão com cinco pessoas da comunidade para acompanhar e fiscalizar tudo. 


 Articulação Institucional e Comunicação, Hamilton Trindade, não existe uma especificação para que empresas de determinado segmento comprem o terreno. “Qualquer empresa do país poderá participar da licitação. Porém, a que vencê-la terá de fazer obras nas proximidades, como terminal de integração de ônibus, estacionamento para 500 veículos a preço mais baixo, além de reordenamento da praça para escoar o trânsito da melhor maneira possível”. Trindade informa que as pequenas lojas instaladas nas imediações serão transferidas de local, sem que os comerciantes sejam prejudicados. 

O secretário conta que a parte da praça que será vendida abriga equipamentos esportivos ultrapassados. “A quadra de tênis é antiga, a piscina, pequena e rasa, existem poucos canteiros e árvores.” Ele afirma que as árvores arrancadas do local serão replantadas e mudas vão ser cultivadas em outras áreas como forma de compensação. “Além disto, a parte remanescente da praça será revitalizada e terá piscinas de competição, quadras de futebol de salão, de vôlei e de basquete, campo de futebol society. Também haverá área destinada a bares”, adianta. O projeto ainda está em fase de elaboração.


 
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