A venda de parte do terreno da tradicional praça dos Esportes, em Montes Claros, causa reboliço nesta cidade do Norte de Minas, com 400 mil habitantes. A praça foi construída há 70 anos, em área de 30 mil metros quadrados, dos quais entre 12 mil e 13 mil serão vendidos por valor entre 35 milhões e 40 milhões de reais. O projeto do Executivo que trata da venda já foi aprovada pela Câmara Municipal, por nove votos contra dois. A alegação do prefeito Luiz Tadeu Leite (PMDB) para negociar o terreno é que o dinheiro será utilizado em obras das quais a cidade é carente. “Ainda faltam duas grandes obras para Montes Claros: o Mocão, estádio de futebol iniciado pelo ex-prefeito Toninho Rebelo há mais de 40 anos e que até hoje ainda não foi viabilizado, e um teatro municipal”.
Luiz Tadeu diz que os recursos serão utilizados na conclusão do estádio de futebol com capacidade para 15 mil pessoas e do teatro com 500 lugares. “Nenhuma gestão conseguiu financiamento junto aos governos federal e estadual, nem teve recursos próprios para erguer estas obras.” Ele alega que a parte que será vendida é pouco utilizada pela população. “Este projeto virou um debate. Muitos políticos não querem que a venda seja executada, além de alguns setores e pessoas que movimentam a imprensa e as redes sociais”, garante.
Na visão do prefeito, a venda da praça será um grande avanço. “Esta situação transformou-se em um ovo de Colombo porque a cidade não vai perder nada. A praça vai continuar existindo e melhor porque vai passar por reforma completa. A grande maioria da população está a favor. Os candidatos a prefeito não querem sua venda, ameaçam ir à Justiça, mas a Justiça está para dar razão a quem tem. A razão é do município,” justifica. Ele conta que colocará o dinheiro em conta separada para usar somente nas obras a que está destinado e que será montada comissão com cinco pessoas da comunidade para acompanhar e fiscalizar tudo.