Quinta, 23 de Fevereiro de 2012
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Artigo

Desenvolvimento e instituições

Ao contrário do que muitos pensam, mercado e estado não são entidades antagônicas. Para que o primeiro exista é preciso que o segundo funcione e bem

Texto: Matheus Cotta de Carvalho
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Matheus Cotta de Carvalho -

Instituições fazem a diferença. Não há casos de país economicamente desenvolvido com instituições políticas fracas, isto é, ineficientes.  Mas é o desenvolvimento que dá força e eficácia às instituições ou, ao contrário, são as instituições que viabilizam o crescimento econômico?

Não há desenvolvimento sem investimento, ou seja, sem a geração de riqueza.  E não há investimento se o ambiente de negócios é errático e imprevisível.

É aí que entram as instituições políticas. Elas é que formam o ambiente jurídico e institucional requerido para o funcionamento eficiente das forças econômicas.  Contratos precisam ser respeitados e a garantia final vem das leis e da Justiça.

 Por instituições políticas entende-se a Justiça, a polícia, a escola pública, as agências reguladoras, os órgãos públicos de fiscalização, em suma,  o conjunto de organizações a que chamamos governo. 

Ao contrário do que muitos pensam, mercado e estado não são entidades antagônicas. Para que o primeiro exista é preciso que o segundo funcione e bem. Portanto, mercado não exclui o poder público, mas o pressupõe.

Além disso, parte considerável da atividade econômica privada gravita em torno de bens e serviços de interesse coletivo, cuja provisão está afeta aos governos.  Cabe a estes últimos regular tais atividades, ou seja, estabelecer regras e normas que impactam o funcionamento e a viabilidade econômica da produção desses bens e serviços. 

Se os governos mudam a toda hora as regras do jogo econômico acabam desencorajando os empreendedores e tornando os investimentos incertos e com rentabilidade instável e até inviável economicamente. 

O nome do jogo na economia contemporânea é previsibilidade.  E isso requer instituições que funcionem, que cumpram os seus objetivos, que sejam flexíveis para se adaptar a novas exigências, mas que não tenham comportamento errático. 

As instituições no Brasil têm avançado, mas o país ainda precisa melhorar  muito o funcionamento de suas instituições.  Onde as instituições são efetivas há confiança, condição essencial para as relações econômicas e políticas.  É, portanto, condição importante para o desenvolvimento econômico e social de um país a construção de instituições fortes.

Instituições são também fundamentais por outra razão não menos relevante.  A sociedade moderna, que se forjou a partir dos ideais da Revolução Francesa, assenta-se em fundamentos da igualdade e da liberdade.  Mais ainda depois que a ideia de democracia tornou-se hegemônica e dominante. 

Todos os cidadãos são em princípio iguais perante a lei. Isso pressupõe que a lei valha para todos, independentemente da condição econômica, do credo religioso, da cor da pele ou da situação política. É o grau de maturidade das instituições de um país que determina o cumprimento ou não destes fundamentos, impedindo que aqueles que dispõem de mais poder possam tirar partido de suas falhas.  

Previsibilidade e equidade são exigências necessárias para o desenvolvimento sustentado, sustentável e justo a que todos aspiramos. 

 
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