Quinta, 09 de Fevereiro de 2012
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Artes Plásticas

Texto: Ana Clara Furtado | Fotos: Daniel de Cerqueira


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A harmonia das cores e formas orgânicas que se entrelaçam e ganham vida nas pinceladas da artista plástica Fátima Pena refletem sua particular maneira de desvendar o introspectivo mundo das artes. O vai-e-vem dos pincéis, a um passo da abstração – mas sem o ser –, indica o caminho do olhar de quem admira o quadro ainda sem título. Da afluência de contornos da pintura a óleo sobre tela nascem distintas significações. Para Fátima, há uma particularmente especial. O trabalho representa sua retomada e redescobrimento do universo artístico já que, nos últimos anos, dedicou grande parte de seu tempo para a Escola Guignard, onde lecionava – e ainda leciona – e ocupava cargo administrativo. A tela, recheada por elementos originários de sua carreira que ressurgem em novo patamar, tal qual um eterno retorno, é motivo de satisfação para a artista plástica. Ao terminar esta pintura, Fátima sentiu que tinha conseguido, enfim, recomeçar.

A Artista

Despretensioso foi o ingresso de Fátima Pena nas artes. Ainda jovem, formada em Comunicação Social, matriculou-se em  aula de pintura, após passar à frente de uma casa que a anunciava. Teve início uma paixão que cresceu e a acompanha há 30 anos. Durante este tempo, os trabalhos da mineira de Teófilo Otoni, a óleo ou aquarela, foram permeados por cidades abstratas e elementos de casa. Até ela mesma, muitas vezes, foi retratada artisticamente através de pequeninos quadros que, apesar de não possuírem necessariamente seus traços físicos, remetem à artista. Entre suas exposições destacam-se A Cidade, a Casa e Eu (1996), no Espaço Cultural Cemig, e Fátima Pena (2000), na Grande Galeria do Palácio das Artes, na qual mais de 200 quadrinhos compuseram um grande painel. A artista já expôs em Portugal e no Uruguai e, no Brasil, em estados como Goiás, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Afastou-se da pintura entre 1996 e 1998, e de 2000 ao final de 2006, para dedicar-se à Escola Guignard, onde ainda é professora. Retomar os trabalhos não foi fácil, porém, gratificante. “Posso passar mais tempo pintando, enxergando, lendo, escrevendo, e é tudo que quero hoje. Sinto que é um prêmio que a vida me deu.”

 
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