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CiênciaRevolução robótica na saúdeAuxílio de robôs em diversos tipos de cirurgia projetam passo gigantesco na medicina e Minas Gerais já se movimenta para não perder o trem da história
Texto: Eliana Fonseca | Fotos: Pedro Vilela
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Ele e Fernando Santos passaram um mês em treinamento no centro médico de Illinois. A rotina iniciava às 5h30 com a preparação do paciente, equipe e robô e consistia em acompanhar, participar de pelo menos duas cirurgias robóticas por dia. Além disso eram gastas muitas horas todos os dias em simuladores que são usados para treinar cirurgiões experientes nesta nova plataforma tecnológica. Santos diz que, se houvesse um equipamento em Minas Gerais neste momento, eles já poderiam operar pacientes com a nova técnica tendo em vista que a curva de treinamento é mais curta. Montar um equipamento no estado e incorporar novas tecnologias ao hall do sistema de cirurgia, para os médicos, talvez seja o maior desafio. Isso já é realidade em São Paulo onde existem três robôs.“É uma tecnologia inovadora que está mudando a história da medicina e que beneficia os pacientes. Minas Gerais não pode perder a vanguarda desta janela de inovação e nós estamos aptos a exercitá-la”, diz. No estado, as operações que mais se beneficiariam com a robótica seriam procedimentos de cirurgia geral como colecistectomia (retirada da vesícula biliar); o tratamento cirúrgico do refluxo; a cirurgia oncológica com a ressecção radical de tumores de fígado, pâncreas, estômago, cólon; na urologia nos tumores de próstata, rim e bexiga; na ginecologia para tratamento de endometriose, retirada do útero; na cirurgia bariátrica (tratamento da obesidade mórbida), bem como na cardíaca e torácica. “Por isso é tão importante que essa tecnologia faça parte da nossa rotina o mais rápido possível. Os pacientes de Minas Gerais têm de se beneficiar dos inúmeros ganhos da cirurgia robótica”, diz Wainstein. |
Como toda tecnologia em constante evolução, a cirurgia robótica tem amplo leque de vantagens – basta treinamento aos médicos para que um procedimento possa ser executado a longa distância, com a mesma precisão. Explica-se, enquanto um médico estará na sala de cirurgia no comando da situação, outro, com maior experiência e especialista na área, poderá estar em qualquer parte do mundo acompanhando a cirurgia numa espécie de videoconferência, compartilhando decisões e mesmo manobras cirúrgicas. Além do treinamento de 30 dias, os médicos têm que fazer uma espécie de reciclagem de tempos em tempos, voltando para observar as mudanças na tecnologia. No caso de Santos e Wainstein, já há agenda para treinamento de mais 15 dias em Chicago. “Mas nosso objetivo não é apenas sermos consumidores passivos de equipamentos e tecnologias. Como toda incorporação tecnológica incipiente, queremos em Minas Gerais também gerar novos conhecimentos, aplicações de vanguarda, desenvolver tecnologias de sucesso para, também aqui, produzir ciência de Primeiro Mundo. Queremos constituir um centro de geração e difusão de conhecimentos e aplicações da cirurgia robótica”, afirma Wainstein. Neste caminho, a Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais já celebrou contrato de parceria com a Universidade de Illinois para o intercâmbio permanente de médicos, estudantes, residentes e principalmente conhecimentos e pesquisas. Outra boa notícia é quanto à queda do estresse comum à cirurgia convencional. O médico Fernando Santos explica que por estar sentado, em melhor posição, em postura mais confortável, o profissional que executa a cirurgia robótica deve ter um desgaste muito menor. “A vida útil do cirurgião tende a ser maior e sua concentração e eficiência podem ser otimizados gerando benefícios para os pacientes.” E não é somente o paciente e o médico que se beneficiam deste tipo de cirurgia. Como a internação e o risco de infecção são menores e trazem recuperação mais rápida, a especialidade traz a possibilidade de maior agilidade e eficácia para um sistema de saúde estrangulado. Como se vê, a promessa da cirurgia robótica é uma inovação em que dezenas de novos equipamentos, i0nsumos e tecnologias estarão e serão desenvolvidos para diminuir os custos e democratizar a técnica da cirurgia robótica que tem tudo para ser uma revolução. |
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