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EspecialLetras do sucessoJosé Olympio Editora completa 80 anos de uma história que ajudou a revelar vários nomes de peso da literatura nacional
Texto: Sueli Cotta | Fotos: Divulgação
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A livraria foi fechada em 1955, quando José Olympio resolveu se dedicar ao mercado editorial. Da ousadia inicial, ele teve que se adequar às mudanças políticas que ocorriam no país. Conhecido por revelar novos talentos e por redescobrir escritores, José Olympio também era um articulador político e gostava de atuar nos bastidores, nas conversas veladas. Durante as várias fases da política brasileira, do Getulismo, à ditadura militar e a retomada da democracia, o editor acompanhou tudo na rua Marquês de Olinda, no bairro Botafogo. Nos anos 40 e 50 publicou mais de 2 mil títulos, com 5 mil edições e tornou-se o maior editor do país. Nos anos 80, a editora diversificou sua grade e já não publicava só autores nacionais. Atingiu então os 30 milhões de livros publicados, de 900 autores nacionais e 500 estrangeiros. Não conseguiu, porém, acompanhar todas as mudanças que aconteciam no país e em 1984, afundada em dívidas a editora foi vendida para Henrique Sérgio Gregori, que em 2001 transferiu o seu comando editorial para o grupo Record, funcionando como uma empresa dentro da organização, onde está até hoje. José Olympio morreu em 1990, aos 87 anos. Ele acompanhava, mesmo que à distância, a evolução da editora. Maria Amélia conta que frequentava a casa do editor, com quem manteve convivência fraterna e dividia as suas ideias e projetos de livros. “Ele morava perto da editora e sempre conversávamos. Era lúcido, escrevia bilhetes”, lembra Maria Amélia, que mantém o mesmo escopo editorial idealizado por ele. “O nosso foco principal são os autores brasileiros, os clássicos e os correspondentes internacionais, como Henry Miller e Pablo Neruda”. O envolvimento de José Olympio com o escritor e sua obra era tão intenso, que, quando morreu, Rachel de Queiroz relatou na sua crônica no jornal O Povo como esse relacionamento com ela se consolidou nas longas conversas, na busca do melhor texto, do melhor formato gráfico. “É, não sei bem como se deu que, editada e editores, viramos irmãos. Não foi planejado, não foi nada repentino e dramático, foi misterioso, insensível. Quando vi já estava chamando J.O. de José”. |
No patrimônio editorial construído nesses 80 anos estão livros considerados emblemáticos na literatura brasileira, como Poema Sujo, A Pedra do Reino, Cobra Norato, O Coronel e o Lobisomem e clássicos como O Menino do Dedo Verde, do francês Maurice Druon com 2 milhões de exemplares vendidos e Menino de Engenho que está na centésima edição com 1 milhão de livros vendidos. Maria Amélia ressalta que a editora José Olympio está muito ativa e para 2012 pretende implementar vários projetos editoriais, dentre eles, o lançamento do livro infantil que será visualizado a partir da letra de uma música de Tom Jobim. “Se tivermos visão crítica nada nos faltará”, profetiza Maria Amélia, que tem como principal projeto fazer com que essas obras permaneçam vivas e atrair o jovem leitor com obras de qualidade. “Quando lançam um livro de vampiro, todos correm atrás do mesmo filão, a José Olympio não quer se parecer com elas”. |
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