Quarta, 22 de Maio de 2013
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Especial Personagens

Personagens 2011

Texto: Redação | Fotos:


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Viver Brasil chega ao quarto e último capítulo da novela da vida real iniciada em janeiro. são cinco histórias de sonhos, realizações, angústia, recomeço. aliás, recomeço foi o norte de boa parte dos nossos personagens em 2011. antônio Carlos continua na fila de transplante de rim. natália ruas ainda não encontrou seu amor, Diego Carvalho, após um início de ano de recuperação, não conseguiu vencer a guerra contra  o crack. o casal mauricio e daniele refez os planos e vai mudar a área de atuação. ele quer voltar a ser design de joia, e, ela, fotógrafa profissional. enfim, Iala Monteiro tem final feliz


Foto: Victor Schwaner
Foto: Victor Schwaner

Ainda à espera

Antônio Miranda, que no início do ano acreditava conseguir um transplante de rim, tem certeza que conseguirá em 2012

Texto por Eliana Fonseca

 

Ele completou seis anos de espera por um rim e mesmo acordando e dormindo todos os dias pensando nesse transplante, o auxiliar educacional Antônio Miranda diz que não perde o humor, a esportiva e executa uma dança com sua doença. Às vezes perde o compasso, como ocorreu este ano quando ficou em depressão, mas no geral é um dançarino profissional e enfrenta as 12 horas semanais de hemodiálise dando força ao amigo do lado que também está em sessão, tentando esquecer as limitações e, acima de tudo, sendo otimista. Em 2012, tem a certeza que o seu rim não lhe escapa. É assim que quer receber o Ano Novo.

Como o tempo é intenso para Miranda, ele não se lembra muito bem, mas este ano ficou de prontidão uma única vez, de jejum, ansioso, na expectativa da cirurgia salvadora. “No dia seguinte, o médico me ligou para falar que não seria desta vez. Tudo bem.”  No geral, ele é bastante resignado com a doença iniciada em 1992, quando uma dor de cabeça anormal o levou ao médico e ao diagnóstico: sofria de um grave problema renal. O susto logo foi substituído pela boa nova que o irmão era compatível e depois do transplante, exatos 13 anos, Miranda perdeu o rim doado. Teve de entrar na fila novamente.

“O momento mais difícil deste ano foi quando perdi a fístula do braço direito e tive que usar um cateter por cinco meses”, diz. Para quem não sabe a fístula arteriovenosa é uma microcirurgia em que uma artéria e uma veia são interligadas. Ela é necessária para a diálise porque permite que a veia fique mais larga. Se houve percalços, Miranda não se deixou vencer pelas dificuldades. Faltou uma única vez ao trabalho, mesmo assim numa combinação com o chefe, para viajar a Brasília. Aliás, mesmo sendo poucas, foram duas, as viagens fizeram sucesso na sua agenda. Em agosto, foi ao Rio de Janeiro, sua terra natal, para visitar o pai e em setembro à capital federal. “Foram viagens maravilhosas, apesar de serem uma maratona já que tinha que ir na sexta-feira, depois da hemodiálise e voltar na segunda cedo para não perder o tratamento”, conta.

Para quebrar a rotina que inclui o trajeto casa-trabalho-hemodiálise, Miranda está animado com um curso de computação que faz nas tardes dos dias que tem folga no tratamento. Como já fez inúmeros cursos nesta área e parou, resolveu começar tudo do zero. No trabalho, a alegria é fazer palestras e conversar com as crianças da escola, conscientizando sobre a doença renal. Aliás, quando pensa em conscientização diz que a situação do país deveria mudar com uma propaganda massiva do governo para conscientizar as pessoas de como a doação é um ato de amor. “É algo que deveria ser ensinado a todos ainda na escola.” 

Como é daqueles que acham que canja de galinha e prudência não fazem mal a ninguém, se arrisca a dar um conselho: “É preciso, todo ano, fazer check up. Ser mais atencioso consigo mesmo. A gente vive querendo correr na frente do tempo, mas se quisermos ser mais saudáveis, temos de parar e olhar para nós mesmos.” 

Quanto à viagem ao Rio, Miranda reviu o pai e familiares. No domingo à noite, o destino foi a volta para Belo Horizonte. Mesmo com feriado, o compromisso era a hemodiálise, de toda segunda, quarta e sexta-feira.

 


Um ano depois...

Quem: Antônio Miranda

Idade: 55 anos

No começo do ano: Estava confiante que 2011 seria o ano do segundo transplante de rim

Em maio: A perda de uma tia e de amigos da hemodiálise balançam Antônio Miranda que fica em estado depressivo e se diz apreensivo pela demora do transplante de rim

Em agosto: O sorriso de Miranda está de volta e nada melhor para comemorar o entusiasmo com a vida do que uma visita ao pai adotivo que mora no Rio de Janeiro. Diz que superou a dificuldade e a depressão e que estava preparado para não se deixar abater

Fim de 2011: A expectativa é que 2012 será o ano que receberá um novo rim. No balanço do de 2011, lembrou-se dos momentos difíceis como o da depressão e da perda da fístula do braço. “Tenho fé e esperança que o meu transplante vai ocorrer.” Faz aula de computação e aproveita as horas vagas para conscientizar as pessoas de como doar é importante: “É um ato de amor.”

Foto: Pedro Vilela
Foto: Pedro Vilela

Sem o cupido na mira

Natália não consegue relacionamento sério e pretende focar no trabalho. “Achava que para ser feliz precisava encontrar alguém”

Texto por Raquel Ayres

 

Chega ao fim a série com nossa personagem Natália Ruas, a jovem de 26 anos que procura um coração para unir ao seu. Da última vez que conversamos com ela, na edição 65, estava com a vida amorosa em suspense: havia finalmente conhecido alguém que podia ser para amar. Mas, peças deste destino cruel, ele estava de malas prontas para São Paulo. O amor exige calma. Bem, o tempo passou e este romance virou perfume. O ano chegou ao fim e Natália continua em busca de, parafraseando Erasmo Carlos, um homem pra chamar de seu. “Não consigo gostar de quase ninguém, e quando gosto, não vai para frente. Dura de dois a três meses. Até parece que a gente que é a errada da história”, diz. “Pode ser também porque ainda não chegou a hora.”

Ela conta que procura ser feliz independentemente desta realização amorosa. Mas está demorando, não é? O que não significa que nossa garota esteja em casa chorando, solitária. De jeito nenhum. É bela e não faltam rapazes que se aproximam nas baladas. “Não posso reclamar disto, sempre há quem chegue. Mas em boates, por exemplo, nem dou bola, porque, geralmente, não querem nada sério”, diz. “Solteira, sim, sozinha, nunca.” Ou seja, o tal do ficar vai de vento-em- popa, concretizando o ditado que  enquanto a pessoa certa não surge, divertimo-nos com as erradas mesmo. 

Se não errada, pelo menos bem diferente do que, a princípio, pensamos como ideal. Numa das vezes que saiu conheceu um médico. Estão saindo e vão a restaurantes e lugares sofisticados. Mas não é que ela prefere algo mais simples? “Ele está sempre presente, mas temos realidades diferentes. É rico. Não consigo imaginá-lo tomando cerveja com meu pai. Somos simples. Procuro alguém com uma história parecida com a minha”.

Não sei se por estar um pouco cansada – ah, cansa mesmo, não é? – e até decepcionada, Natália afirma que em 2012 não quer focar tanto no amor. “Quero trabalhar muito, até mesmo buscar uma promoção.” Nossa personagem mudou de emprego e transferiu-se da iniciativa privada para a pública. O que pode ser bom para desviar a atenção, já que o cupido está com a mira meio atrapalhada em seu caso. “Estava achando que, para ser feliz, precisava encontrar este alguém. Mas acabei frustrada.” Não é para menos. Um empresário de 29 anos que conheceu numa pizzaria. Bem-sucedido, sim, mas uma pessoa simples. “Ele é muito bonito e gostei dele pra caramba, mas de cara já foi me dizendo que não queria namorar porque havia terminado um relacionamento longo e estava em momento de curtir.” Puxa! A moça cortou o relacionamento: pra que ir se envolvendo quando o rapaz não estava na mesma intenção, não é mesmo? Como padece um coração! “Pra mim era o cara, mas ele não quer.”

Natália não se classifica como romântica, mas ela é e não sabe. Pois nem passa em sua cabeça estar com alguém somente para não ficar sozinha. “Isto está comum. Tenho amigas que acabam se acomodando e ficam até com quem não gostam!” Realmente isto não vale, principalmente no caso de alguém tão fiel a seus princípios. Mas o Ano Novo está aí e com ele perspectivas de que tudo pode mudar. E o amor, quando menos se espera, pode bater à porta e ocupar o coração de Natália. Nós nos prometemos contar as novidades uma pra outra. E eu já estou torcendo por ela. 


 

Quatro meses depois...

Quem: Natália Ruas

Idade: 26 anos

No começo do ano: Em busca de um companheiro para dividir os dias do fim de semana e as coisas práticas da vida

Há 4 meses: Natália conheceu um jornalista. Ela estava bem entusiasmada mas ele foi transferido de cidade e o namoro não vingou

O que espera: Focar mais no trabalho e desligar-se um pouco da busca amorosa para não ter tantas expectativas frustradas

 

Foto: Nélio Rodrigues
Foto: Nélio Rodrigues

Mais uma chance

Diego Carvalho Neves diz que reduziu o uso do crack, quer ir novamente para clínica de recuperação, a mesma meta que tinha no final de 2010

Texto por Silvânia Arriel

Foi-se o ano. A meta, o compromisso, a vontade de largar o crack caiu nos espaços dos meses, dias, horas, minutos. Cedeu, assim, quase sem querer nem ver. Quando percebeu havia, de novo, terceirizado a vida à droga. “Fumava  direto, agora tive uma reduzidaça: são duas, três vezes por dia. Quero voltar à clínica de recuperação, ficar limpo”, diz Diego Leandro Carvalho Neves, que prometera a si, no final de 2010, como as corriqueiras, eternas metas de virada de ano fugir da pedra neste 2011 para sempre. Não conseguiu, termina o ano como no passado, com a mesma determinação de se tratar, só que desta vez nem dinheiro para pagar a clínica tem: gastou o que possuía com o crack.  Quer, pede ajuda para içar-se desse mundo das drogas que o acompanha há 11 anos.

Quis, até tentou neste ano. Ficou três meses na clínica Associação Ministério Jericó, em Santa Luzia, na Grande Belo Horizonte, quando deveria ter permanecido nove. Mas houve a morte do avô Vicente de Lima Cardoso, em Juiz de Fora, na Zona da Mata, que o tirou de lá por uns dias e aí veio a vontade de trabalhar, se inserir no meio da multidão, no vaivém cotidiano. Achava que podia lidar bem no livre arbítrio, planejava tirar carteira de motorista, ser cobrador de coletivo. Chegou a ter dó, quando ia de ônibus do trabalho de pintor em Betim para a casa, em Santa Luzia, das pessoas que fumavam crack pelas ruas do centro de Belo Horizonte. Como podiam se degradar tanto, morar na rua, sem dirigir a própria existência? Não demorou a retornar àquela vida, que abominava. 

O dinheiro do terceiro salário, a ida para um simples final de semana em Juiz de Fora visitar a família, o encontro com amigos e... o crack outra vez. Só mais um, não parou, largou o emprego, nem deu baixa na carteira de trabalho, ficou por lá. “Tive uma recaidaça.” Virou farrapo, só queria saber de dinheiro para comprar a droga, mais nada. “Havia cansado de mim.” A mãe Antonieta de Lima Carvalho também. Deixou a casa. “Não julgo, porque tive tudo e joguei fora.” Firma-se na avó Felicidade Cassiano Carvalho, de 82 anos. “Ele é um bom menino, só precisa de ajuda. Hoje está mais tranquilo, bem melhor do que há alguns meses”, diz Felicidade. Não se sabe até quando. 

Mas tem novamente a meta de se livrar do crack  em 2012, desgarrar-se das estatísticas que apontam mais de um milhão de usuários da droga no país e dos números de recaídas, tão custosas de serem vencidas. É a dura batalha que Diego se compromete novamente enfrentar. Está à procura de alguém para patrocinar a clínica, o primeiro escudo para essa batalha. Precisa ir, misturar no meio da multidão, preencher a sua história neste ano, nos próximos.

 


Um ano depois...

Quem: Diego Leandro Carvalho Neves

Idade: 25 anos

No começo do ano: Está na clínica de recuperação Associação Ministério Jericó, em Santa Luzia, para deixar o crack. Pretende permanecer nove meses, conseguir emprego, voltar a viver

Em maio: Sai da clínica, logo após a morte do avô Vicente de Lima Carneiro, arruma emprego de ajudante de pintor de parede em um conjunto habitacional em Betim. Começa a guardar dinheiro para tirar carteira de motorista

Em agosto: Retorna a Juiz de Fora. Recai, volta a fumar crack e a beber

No fim de 2011: Quer ir novamente para clínica de reabilitação, mas não tem dinheiro para pagar. Reduz o uso da droga duas, três vezes por dia

Foto: Pedro Vilela
Foto: Pedro Vilela

Novos planos

Daniele Gontijo e Mauricio Piñero desistem de restaurante na Grande Belo Horizonte; ela quer ser fotógrafa e ele designer de joias

Texto por Terezinha Moreira

O ano começou promissor para o casal Daniele Gontijo e Mauricio Piñero que, no fim de 2010, abriu o restaurante Vení! Resto & Tapas no bairro Sion, região Sul de Belo Horizonte. O negócio vinha dando certo. Os dois tinham planos para expansão da casa e abertura de um bufê de tapas. Mas, no meio do caminho os projetos foram mudados. Mauricio, que é uruguaio, e ficou alguns anos longe dos grandes centros, não se acostumou à vida em Belo Horizonte. A ideia dos dois era transferir o Vení! para uma cidade menor, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mais precisamente, Brumadinho. Mas, um convite, segundo Mauricio, irrecusável, os fez mudar todos os planos novamente. O casal está em Punta del Este, no Uruguai, onde ele vai trabalhar, durante o verão, como chef em um refinado restaurante. “Também aproveitarei a estada em meu país para reativar meus contatos como designer de joias”, conta Mauricio.

As mudanças radicais nos planos aconteceram após o casal fazer levantamentos de possibilidades e viabilidades econômicas na região de Brumadinho, para abrir novamente o Vení! com uma nova proposta. “Concluímos que teríamos de recomeçar do zero, fazer mais um investimento alto, não somente financeiro, mas de energia e comprometimento na criação e divulgação de um novo local”, justifica. Além disso, o casal pondera que na temporada de chuvas, que se iniciou recentemente, a opção Brumadinho como polo gastronômico e de entretenimento perde força, só voltando à normalidade após o mês de março, devido ao período de férias e do Carnaval.

O ano de 2011 começou em alta para Mauricio e Daniele. “E isso nos fez acreditar que todos os nossos planos seriam concretizados. Mas, infelizmente, nossa vontade de mudar para uma cidade menor para não termos de conviver com o estresse da grande cidade nos fez repensar nosso projeto de vida”, enfatiza Mauricio, para quem 2011, no que tange aos negócios, foi negativo. Por isto, existe um pouco de frustração. Mauricio conta que quando ele e Daniele elaboraram a proposta do Vení! acharam que o restaurante teria maior receptividade na capital mineira. “Mas enfrentamos a desconfiança e o receio dos clientes e chegamos à conclusão que o pessoal de Belo Horizonte gosta é de boteco”, lamenta. 

Diante desta realidade, o uruguaio resolveu abandonar a gastronomia profissional. “Cansei, estou saturado. Gosto de cozinhar, mas para amigos que apreciam a boa comida. Mas não quero compromisso financeiro com a gastronomia”, desabafa Mauricio. Ele diz que retorna às suas origens e aos ofícios de designer de joias e de autor de canções. “A música é minha única paixão. Penso em negócios, mas de uma maneira mais leve, sem ter que enraizar em Minas Gerais. Meu projeto é viajar pelo mundo, participando de feiras e exposições de joias, com meu violão debaixo do braço”, conta o uruguaio. 

Já Daniele, que antes de abrir o Vení! com o marido trabalhava na área de finanças, pretende, pelo  menos por enquanto, retomar a vida profissional dentro de sua formação acadêmica. Mas, seus projetos não param por aí e não têm fronteiras. “Quero expandir meus conhecimentos em outras línguas para investir na verdadeira vocação, que é ser fotógrafa profissional.”


Um ano Depois...

Quem: Mauricio Piñero

Idade: 36 anos, chef de cozinha

Quem: Daniele Gontijo dos Reis

Idade: 38 anos, contadora

No final de 2010: Inauguraram o restaurante Vení! Resto & Tapas, no bairro Sion, especializado em culinária internacional, com expectativa de retorno em três anos  

Em maio: O restaurante contratou assessoria de imprensa para divulgá-lo em Belo Horizonte. Profissionalizou a equipe para melhorar serviço e atendimento

Em agosto: O restaurante é fechado. O casal decidiu trocar Belo Horizonte por uma cidade do interior, onde pretendia reabrir o Vení! com nova proposta

No fim de 2011: Os planos de Mauricio e Daniele mudaram. Eles vão passar o verão no Uruguai. Após o retorno ao Brasil, Mauricio vai dedicar-se ao ofício de design de joias e compor canções. Daniele quer ser fotógrafa profissional.

 

Foto: Pedro Vilela
Foto: Pedro Vilela

Família perfeita

Iala Monteiro, que, por descuido, ficou grávida, havia terminado com o namorado, tem final feliz: estão juntos e bem

Texto por Luciana Avelino

Há um ano, no final de minha primeira entrevista com a personagem Iala, confesso que torci para que sua futura situação fosse exatamente a que se encontra hoje. Na época, a estudante de administração de empresas e técnica de informática em uma multinacional, aos 22 anos, acabara de contar a Rodrigo Baêta Rodrigues Neves, 24 anos (até então, seu ex-namorado), sobre a gravidez inesperada de Isabela, a sorridente bebê que acaba de completar sete meses. Na verdade, mais do que a torcida propriamente dita, disse, intrometidamente a ela na saída do apartamento que mora com os pais, de forma nada imparcial que cabe a um jornalista, que pensasse na possibilidade de tentar se acertar com o pai de sua filha. Sei que talvez tenha sido perdoada pela sugestão imprópria, mas o fato é que meu desejo se concretizou. A explícita cumplicidade do trio, estampada na foto ao lado, deixa claro que ele vai muito bem. Juntos, Iala, Rodrigo e Isabela aprendem dia a dia a serem mãe, pai e filha. Após incertezas e dificuldades, planejam uma vida em comum. 

Enquanto economizam o que podem, procuram nos classificados uma casa para chamar de deles, alternam-se em turnos para cuidar de Isabela e, nos finais de semana, saem para passear com a pequena e revezam hospedagens nas casas dos respectivos pais junto, é claro, da filha. Quando podem, ufa!, saem sozinhos para namorar. “Hoje, sou uma mulher mais completa, madura, do que quando apenas namorava o Rodrigo e ainda não era mãe. Tanto a qualidade desse relacionamento quanto a maternidade me fizeram, em tão pouco tempo, outra pessoa.” A rotina para ambos está apertada, mas Iala diz estar feliz. A recente mãe, que voltou de licença-maternidade neste mês, cumpre alegre, apesar do esperado cansaço, sua tripla jornada diária: cumpre oito horas corridas de trabalho, estuda à noite e cuida de Isabela quando chega em casa no final do dia. “Estava apreensiva. Não sabia como ia ser ficar longe da Isabela por um período tão longo pela primeira vez. Mas está sendo melhor do que esperava. Já peguei o ritmo.”  

O romance com Rodrigo, que continua cursando administração de empresas e trabalhando como administrador de bancos de dados, está mais aquecido do que nunca. Além de emocionalmente mais próximos, Iala e Rodrigo, que têm olhos voltados para o casamento daqui a dois anos, estão também mais próximos fisicamente. No início de dezembro, Rodrigo se mudou para dois quarteirões do apartamento dos pais de Iala. “Ele achou melhor ficar mais perto de nós duas, o que facilita no revezamento com minha mãe para olhar a Isabela todos os dias. Mas morar junto, mesmo, só depois do casamento.” Pretendem ter mais filhos, pergunto no encerramento de nossa conversa. “Claro, mas só depois de estarmos estabilizados.”

Quanto ao pai de Iala, no começo superpreocupado com a situação da filha, está cada vez mais tranquilo com a evolução do relacionamento do casal e, como era de se esperar, mais feliz e carinhoso com a neta. Sobre participar da série de reportagens na Viver Brasil, Iala declara ter curtido. “Vejo como um testemunho para outras pessoas que estão passando situações parecidas ou possam vir a vivenciá-las. Precisamos ter perseverança e fé para vencer as dificuldades. Felizmente, da mesma forma que os problemas chegam, vão embora.”

 


Um ano depois...

Quem: Iala Monteiro Neves

Idade: 23 anos

No final de 2010: Descobre que está grávida, após o término do namoro com Rodrigo, pai da filha Isabela 

Em maio: Fica noiva de Rodrigo, após um mês do nascimento da filha Isabela 

Em agosto: Ainda em licença-maternidade, continua cursando administração de empresas e com o noivo

No fim de 2011: Estudando, trabalhando e economizando, pretende se casar daqui a dois anos com Rodrigo 


 
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