Sexta, 24 de Maio de 2013
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Crédito

Bons pagadores

Cadastro positivo completa seis meses e ainda não decolou, mas mercado aposta em uma realidade diferente a partir de 2012

Texto: Janaína Oliveira | Fotos: Carol Carquejeiro e arte de Paulo Werner


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Sancionado em junho pela presidente Dilma Rousseff, o cadastro positivo ainda é pouco conhecido pela população. Espécie de SPC às avessas, o banco de dados que reúne informações dos bons pagadores também não surtiu o efeito esperado no bolso do consumidor. Passados seis meses, percebe-se que a promessa de juros mais baixos e crédito facilitado para quem tem o nome limpo na praça não saiu do papel. Pelo menos por enquanto.

A discussão em torno do cadastro positivo tem argumentos prós e contras. Os bancos e as empresas de informações de crédito o adoram. Já as associações de defesa dos consumidores estão ressabiadas. “É claro que leva um tempo até que o cadastro positivo surta os efeitos alegados por seus defensores, isto é, a queda dos juros ao consumidor. Mas, até agora, não estamos observando isso. A redução dos juros sempre acaba sendo induzida por medidas governamentais que, mesmo assim, demoram para chegar na ponta do consumo”, alerta o gerente de comunicação do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Carlos Thadeu de Oliveira. 

Para Tatiana Viola, advogada da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), o cadastro positivo está longe de ser o antídoto ideal para as altas taxas de juros aplicadas no país. “O Copom (Comitê de Política Monetária) tem reduzido a Selic, mas isso nunca é revertido para o consumidor”, adverte a especialista. 

Já para quem vive de cadastros negativos, a queda dos juros é só uma questão de tempo. “Antes, alguém que pagasse suas contas em dia não teria nenhum histórico em nosso cadastro. Agora, terá. E poderá contar com benefícios como extensão no prazo de pagamento, desconto na primeira parcela e juros mais em conta”, defende Renato Loureiro, presidente da Serasa Experian no Brasil e América Latina. 


Renato Loureiro: 2,5 milhões de brasileiros na lista de quem paga em dia
Renato Loureiro: 2,5 milhões de brasileiros na lista de quem paga em dia

A aposta de Loureiro é que o grande salto do cadastro positivo seja dado em meados de 2012. Segundo ele, 2,5 milhões de pessoas já deram a autorização para entrar na lista de bons pagadores. A cada dia, pelo menos 1,2 mil consumidores vão até as agências da Serasa ou consultam o site para buscar informações. E a expectativa é que o próximo ano se inicie com a adesão de pelo menos 30 instituições entre financeiras e bancos.

A Omni Financeira, especialista em financiamento para a classe C, quer sair na frente. Promete a partir de janeiro de 2012 descontos de até 20% para os clientes adimplentes. “Hoje, o mercado trata todos os consumidores da mesma forma, porque não tem informações disponíveis que permitam diferenciar os bons pagadores. Agora, teremos condições de obter dados seguros dos clientes, a partir do seu histórico de pagamentos e, assim, ter mais segurança na concessão de empréstimos”, afirma o diretor de negócios da Omni, Tadeu Silva. 

O executivo toma como exemplo o financiamento de um veículo do ano 2000, no valor de 10 mil reais. Se o contrato for de 36 meses, calcula, ao final do período o abatimento será de 1.152 reais, desconto equivalente a três anos de IPVA do carro financiado. A Omni conta com agentes autorizados em Belo Horizonte, Contagem, Divinópolis, Governador Valadares, Juiz de Fora, Montes Claros, Patos de Minas, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Uberaba, Uberlândia, Unaí e Varginha.

Apesar das maravilhas alardeadas, há o receio entre os defensores dos consumidores de que as informações caiam nas mãos de operadoras de telemarketing, apesar da circulação dos dados ser proibida pela lei. Outra apreensão é que um grupo de pessoas acabe no limbo. “Existe o perigo da discriminação com relação aos clientes que não estão nem na lista de bons nem na lista de maus pagadores”, diz a advogada da Proteste. 

Para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que representa quem está do lado de lá do balcão, o cadastro positivo tende a ser importante para a população de baixa renda, que em geral tem patrimônio reduzido, mas que preza pelo pagamento das contas em dia – um grupo para o qual a expressão “meu nome é meu maior patrimônio” vale ouro. É esperar para ver se o desejo da sociedade – de pagar juros mais baixos – se tornará realidade.  

Nome limpo na praça

O que é o cadastro positivo? É o oposto dos cadastros de maus pagadores. Ao invés de listar os clientes que não pagaram pontualmente suas dívidas, lista aqueles que cumpriram seus compromissos em dia. Mostra a pontualidade no pagamento de contas como cartão de crédito, luz, telefone, ou na quitação de empréstimo

Como se inscrever? A adesão não é automática. A inscrição pode ser feita pelo endereço eletrônico e nas agências da Serasa Experian

Como é pelo mundo? A adoção do cadastro positivo em países como Estados Unidos, Alemanha, México e China chegou a reduzir em até 43% a inadimplência dos empréstimos.


 
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