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Os donos das festas
Eles promovem as baladas mais sofisticadas de BH e fora: investem, surpreendem
Texto: Raquel Ayres | Fotos: Nélio Rodrigues
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Tudo começou há mais de 20 anos, quando os moradores de Belo Horizonte só saíam para baladas no final de semana e olhe lá. Não havia quase nada aberto de segunda a quinta a não ser um restaurante ou outro para comemorar aniversário de casamento e afins. Até que ela chegou com sua maleta de ideias magníficas e tirou de lá nada menos que um acontecimento que mudou a vida social da cidade: uma festa, em plena quinta-feira, na boate Tom Marrom. Em 1988 este era o lugar mais top de BH. Lotou!
Os colunistas sociais começaram a apontar Mariângela Lima como fenômeno; todos seus eventos atraíam gente que não acabava mais. A Casa Cor terminava e ela entrava, fazendo a festa e aproveitando a decoração do restaurante e do bar Cafezinho, a casa mais badalada da cidade. “Na praça da Estação eu fazia a festa de Natal, decorando o hall e a plataforma. O monumento já estava todo iluminado e era o máximo porque o trem passava apitando enquanto a pista de dança bombava!”, conta. Para cada festa, novidades, lugares inéditos, cenografia, atrações musicais, petiscos incluídos. Desde então, nossas noites nunca mais foram as mesmas.
Mariângela é pioneira num segmento que vem se tornando cada vez mais sofisticado e praticamente puxou o fio desta meada na capital mineira. A ela juntaram-se outros poucos nomes que fazem as baladas realmente vips – que inclusive extrapolam os limites de Belo Horizonte – com convites vendidos e estruturas que incluem DJs internacionais, nomes estrelados da cena musical brasileira, sistema open bar, decoração requintada, tema, cenografia e até mesmo fretamento de aviões. Uma turma que passou de baladeira a empresários do setor de entretenimento, que se lançou a partir de observar a que tipo de festas gostariam de ir e não havia na cidade. Como o empresário Léo Ziller, 39 anos, que em 1994 juntou-se a dois amigos para comemorar na boate Ópera (bairro São Pedro) o aniversário de 17 anos. “Batemos recorde de público. A capacidade do local era para 600 pessoas, mas compareceram mil”, conta Ziller.
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Segundo ele, BH, hoje, tem as melhores festas do Brasil. “Por causa da produção, dos serviços oferecidos. A balada perfeita começa na hora em que a pessoa chega e para o carro com tranquilidade. Não passa por nenhum perrengue para entrar, é bem atendida, os banheiros são suficientes e bons. Ela consegue dançar e a música está dentro do que foi proposto, o ambiente é confortável, seguro e vai-se embora também tranquilamente.” Em janeiro de 2012 Léo Ziller inaugura balada nova: o BH Dance Festival. Doze horas de house à beira da lagoa dos Ingleses, para número de convidados limitados. “O mercado amadureceu e os patrocinadores investem realmente.”
Como em qualquer negócio, credibilidade é fundamental para atrair patrocínio. E o nome Didio Mendes (produtora Label #12) é praticamente um passaporte para atrair marcas capazes de viabilizar negócios que, ele conta, podem exigir pelo menos 800 mil reais de investimentos e só começam a dar lucro a partir da segunda edição. Estamos falando da festa Trancoso Wknd (12 a 15 de novembro), que começou a ser planejada com antecedência de ano e meio. Para receber, por dia, as 800 pessoas que ocuparam 18 pousadas e à noite curtiram, de frente para a praia, no hotel Bahia Bonita Beach Club, atrações internacionais como o DJ Erick Morillo e Pete Tha Zouk, Mendes mobilizou equipe de 150 pessoas, fez parcerias com promotores de evento do Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Curitiba, Goiânia e Brasília e foi pelo menos oito vezes até Trancoso. Reuniu-se com o prefeito da cidade e de Porto Seguro para garantir, entre outras coisas, segurança absoluta para os convidados e procedimentos ambientais, como licenciamento e coleta de lixo. Foi construída uma cobertura para prevenir das chuvas. O clima de luau foi desenhado pelo produtor Wellington Spindola. Foram espalhadas tochas, velas e flores pelo hotel. Palcos diferentes, atrações ininterruptas e ingressos com preços de 1.800 a 5 mil reais, transporte incluído.
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Entre os patrocinadores, a Coca-Cola e a Pernaud Ricard (conglomerado francês que detém marcas como o uísque Chivas Regal e a vodca Absolut). Na conta de Mendes, foram consumidas 150 garrafas de champanhe, 300 de uísque escocês, 800 de vodca e 8 mil energéticos. Sem contar os muitos litros de água, cerveja e refrigerante. Para comer, pizza. “O público procura ineditismo e exclusividade. Escolhemos Trancoso porque não é um lugar de tão fácil acesso e nem está popularizado. Conta com boa malha aérea, o que é fundamental observar, uma vez que muitos usam aeronaves próprias. Fretamos aviões com capacidade para 150 pessoas. Também oferecemos traslados. Um evento deste porte, fora de nossa base, exige muito trabalho e confiança. O risco sempre existe”, avalia o experiente Didio Mendes.
Se para quem vai, festa é sinônimo de descontração, papo, paquera; para quem as idealiza, produz e assina é puro trabalho. Constante e meticuloso. “Um dos grandes erros é o produtor se sentir cliente da balada. Quando vou a uma festa quero ver as rotinas, se o lugar está limpo o tempo todo, como é a apresentação dos produtos oferecidos”, destaca o empresário Bruno Carneiro, 33 anos, 11 no mercado de entretenimento. Sócio da boate naSala, ele leva para o balneário Escarpas do Lago o mesmo conceito e padrão que oferece a quem frequenta sua boate em BH.
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Para atender quase 2 mil pessoas, Carneiro tem um cronograma que segue à risca para evitar que recursos de tempo e dinheiro escorram pelo ralo. A começar por um mapa que contempla 12 dias de passo a passo, inclusive com hora e dia exatos para a chegada dos caminhões que trazem equipamentos de som, estrutura das tendas, materiais para decoração e até sacos de gelo. Posto médico e ambulância são itens que ele também considera essenciais como preocupação de quem promove a festa. “Cursei duas matérias de pós-graduação em logística para entender bem o negócio que estava fazendo. Não pode ter carregador à toa e nem a menos, senão perde-se tempo e dinheiro. É preciso formalizar processos”, revela Carneiro. “Todo mundo quer se sentir valorizado. O grande pulo é conseguir atingir cada um de modo que sinta que valeu a pena o valor gasto numa festa.”
Para além de logística, alguns princípios são básicos, em sua avaliação: relação de honestidade nos preços, agregar valor ao produto oferecido, serviços surpreendentes, investimento em atendimento, trabalhar com as melhores marcas. E o que não pode faltar de jeito nenhum: inovação. “Recentemente estive na Grécia e na África do Sul. São lugares com cenas muito diferentes. Vou com olhar crítico e focado, o tempo todo me exponho ao clima de festa. Se em 10 dias eu tiver ideia para uma da naSala já valeu a viagem. É preciso buscar novidade o tempo todo e antecipar-se para trazê-las. Não esperar para seguir tendência”, afirma Carneiro. Segundo ele, a diversão, agora, está subdividida em momentos: na Croácia, por exemplo, estão de volta os lounges com espaços vários: para conversar, comer, fumar, dançar. Uma simbiose de ambientes.
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Este ano a empresária Tatiana Gontijo, 10 anos de experiência no setor de eventos está levando sua expertise para Punta del Este: a Sunset Party réveillon 2012. O mesmo ela já fez em 2009, para 900 convidados, mas os desafios sempre existem e a responsabilidade é enorme: “Fazemos seguro de responsabilidade civil que nos respalda. Sou sempre muito perfeccionista. Trabalhamos com material humano, o que é sempre complexo. No Uruguai, por exemplo, o que há de estrutura e mão de obra é precária e tudo muito vagaroso.” Ela ensina que é preciso paciência e persistência para aprender e lidar com muitas variáveis.
Mas uma nova geração também está despontando neste cenário. Felipe Tiradentes (produtora Prime, associou-se a Didio Mendes na Trancoso Wkend), 25 anos, já firmou seu nome neste horizonte com a festa Camarim, que faz com o sócio Lucas Vereza, dono da boate Cinco. Como ousar pouco não é com esta turma, para o Natal contratou ninguém menos que Latino. Só com o cantor viaja a equipe de 34 pessoas. Entre os patrocinadores da Camarim Natal, na torre AltaVila, estão a Audi, Coca-Cola e a grife de streetwear Boundless. Por meio do mailling com mais ou menos 50 mil nomes e dependendo do perfil do evento, é que se recebe o convite. “O entretenimento no Brasil está em ascensão, mas nada garante sucesso. Tem que ser muito bem trabalhado. Os custos variam entre 200 e 600 mil reais”, diz Tiradentes, que trocou a Faculdade de Direito pela administração em função do caminho que sua vida foi tomando. Ele começou a trabalhar como produtor artístico da banda Jota Quest quase por acaso, aos 18 anos. Daí pra frente foi ganhando experiência a ponto de ter seu próprio negócio.
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Mas também há quem faça o caminho quase inverso: a festa é que vem para BH, não há divulgação, a não ser o boca a boca, nem open bar. As bandas não são reveladas com antecedência e muito menos os DJs. A festa da Insanidade Mental, que nasceu em Tiradentes, durante a Mostra de Cinema, hoje atrai média de 2 mil pessoas. O tradicional Automóvel Clube já foi um de seus palcos e a balada é caracterizada por seus participantes sempre se vestirem de acordo com o tema proposto. “Não tocamos música eletrônica, mas música para dançar. A arte dá a tônica”, conta Eduardo Fonseca Tavares, 36 e um dos idealizadores da Insanidade. De acordo com ele a venda dos convites paga o evento, que também tem patrocínio e está, inclusive, aprovado na Lei de Incentivo à Cultura. A festa é um sucesso e há quem espere o bimestre passar para a festa seguinte.
Então, enquanto você que lê a matéria pensa também que roupa vai usar para a próxima festa, como será a maquiagem, se haverá vaga para estacionar o carro, estes empresários e promotores de eventos estão conferindo planilhas, negociando com fornecedores, checando montagem de estruturas, contratando cenógrafos, localizando empresários de artistas. Porque as festas não podem parar. E não basta que elas existam e nos bote para dançar. É preciso surpreender, renovar, se especializar, arriscar e até mesmo inventar o que ainda falta ser inventado.
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Eduardo Fonseca Tavares
Pode-se dizer que começou quase por acaso, pois a festa da Insanidade Mental nasceu na casa de sua família, em Tiradentes. Chegou a 300 pessoas e, aqui em BH, acontece de dois em dois meses e costuma bater na casa das 2 mil pessoas. Não há divulgação na mídia, é mesmo no boca a boca. A festa vai entrar de férias e volta em 2012.
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Léo Ziller
Trouxe para BH raves e festivais de música eletrônica, entre eles o Creamfields e label parties, como a Pacha (boate de Ibiza). Criação do Circuito Peugeot de música eletrônica, com 15 edições entre 2006 e 2009
Em janeiro, o BH Dance Festival. Doze horas de música eletrônica na lagoa dos Ingleses, em Alphaville. Atualmente, criou e promove o #secreto, em clube privê, às quintas-feiras. Trilha sonora de dance music para público acima de 30 anos.
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Tatiana Gontijo
Inspirada nas baladas e label parties internacionais, Tatiana está com o calendário preenchido neste final de ano. Vai levar sua experiência para Punta del Este, numa festa de réveillon. É a segunda vez que ela faz a passagem de ano no Uruguai, a primeira foi em 2009. Eventos como Café del Mar, Moulin Rouge e Buddha Bar também levam sua assinatura
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Mariângela Lima
A promotora de eventos acabou migrando de segmento dentro do setor festas. Atualmente dedica-se com prioridade às festas de casamento e aniversários; mas, diga-se de passagem, em grande estilo. Reinou sozinha por quase 10 anos e atualmente só faz dois eventos no estilo venda de convites: a festa junina (há 22 anos) e a Buddha-bar, na qual é sócia de Didio Mendes.
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Felipe Tiradentes
O mais jovem da turma, mas nem por isto menos competente, Tiradentes é o idealizador da festa Camarim, que já trouxe para BH atrações como Lulu Santos, Jota Quest e Kid Abelha. Em associação com Didio Mendes, produziu a Trancoso WKND. Sua próxima festa é a Camarim de Natal, no dia 24 deste mês, com a presença de Latino.
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Didio Mendes
Suas festas são famosas por serem grandiosas, em número de pessoas, produção e atrações. Só este ano realizou a Phenomenal White, Carpe Vita, BuddhaBar, Café Del Mar, a festa junina no Chevals. Em associação com Léo Ziller, seu próximo evento é o BH Dance Festival, que tem Fat Boy Slim entre uma das atrações.
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Bruno Carneiro
Sócio da boate naSala, o empresário leva o conceito, seu trabalho perfeccionista e estrutura semelhante de sua casa noturna em BH para Escarpas do Lago em datas como Semana Santa e Ano Novo. Tudo começa com o charmoso drinque de boas vindas para saudar os convidados do réveillon 2012.
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