Quarta, 23 de Maio de 2012
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Artigo

Nova cara para BH

Saímos novamente na vanguarda. Por aqui superamos o cancro da descontinuidade

Texto: Paulo César de Oliveira
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Paulo César de Oliveira -

Belo Horizonte nasceu capital. Fruto de ideais positivistas que norteavam a recém-fundada república brasileira, a Cidade de Minas, primeiro nome da nova capital, foi projetada para ser um contraponto a Ouro Preto, considerada anacrônica com suas ladeiras apertadas e seus casarios, como a querer oprimir os desejos dos republicanos, símbolo mesmo de uma dominação que nos fez colônia por três séculos. A nova capital, já imaginada pelos Inconfidentes, seria, ao contrário, uma cidade moderna, arejada, de vias largas e imponentes, capazes de simbolizar um Brasil que surgia. Foi assim que se pensou e se fez a cidade, a primeira a ser inteiramente planejada no país. E Belo Horizonte, durante muitos anos, foi como pensada. Uma cidade quase bucólica, arejada e basicamente circunscrita à avenida do Contorno, via idealizada para ser o limite entre o urbano e o suburbano. 

O passar dos anos, mostrou, no entanto, que a cidade, inaugurada em 12 de dezembro de 1897, por Bias Fortes, então presidente de Minas, padecia de um erro de cálculo. Seu rápido crescimento transformou-a inteiramente, muito embora tenha conseguido manter, nos primeiros anos de  crescimento vertiginoso, seu núcleo central. A expansão deu-se a partir das áreas fora do trajeto de avenida do Contorno, com a ocupação, podemos dizer desordenada, de várias áreas. Não demorou muito e o núcleo da cidade, seu chamado centro, também foi vítima de uma expansão mal planejada. Ao longo destes 114 anos de existência, Belo Horizonte viveu experiências únicas na área de urbanismos. Os anos JK foram significativos para a cidade que se transformou em berço da moderna arquitetura brasileira, resultado do gênio de Niemayer que, a partir de BH, firmou uma sólida parceria com Juscelino da qual resultou Brasília. 

Mas a triste realidade é que a cidade não conseguiu manter uma trajetória sustentável de modernização, de acompanhamento de seu próprio crescimento.  Ela, como muitas outras no país, padeceu do mal da falta de continuidade de suas políticas públicas, especialmente de melhoria de suas condições urbanísticas. Dezenas de prefeitos que se sucederam cuidaram apenas de manter a cidade e realizar aqui e ali obras para a solução de problemas pontuais, sem uma visão mais ampla de desenvolvimento. Talvez até pela carência de recursos. Esta situação, forçoso é reconhecer, vem mudando nas últimas décadas. Se quisermos traçar uma linha do tempo, podemos dizer que a partir da administração Maurício Campos a cidade mudou, melhorou seu planejamento, passou a articular melhor as intervenções no tecido urbano. Foi assim com Hélio Garcia, Rui Lage, Pimenta da Veiga, Eduardo Azeredo, Patrus, Célio de Castro, Pimentel e se mantém com Marcio Lacerda, que vem dando uma nova cara, melhor evidentemente, à nossa querida Belo Horizonte. 

Nos últimos anos nossas administrações têm se pautado pela realização de grandes obras, de forte conteúdo social. E com isto BH, aos 114 anos, vai se transformando numa outra cidade. Agora mesmo, estimulada pela realização dos grandes eventos esportivos no país, Belo Horizonte vai mudando seu perfil urbano, com a prefeitura desenvolvendo um programa de obras de mobilidade urbana e de melhoria das condições de habitação nas vilas e favelas, com intervenções em parceria com os governos federal e estadual que, certamente, vão reconduzir a capital mineira à sua condição de mais moderna e melhor cidade do país. Ainda, é verdade, temos muito o que realizar em Belo Horizonte, mas a maturidade política alcançada pela nossa população e pelos nossos dirigentes nos deixa com a certeza de que o que é necessário será feito. 

Saímos novamente na vanguarda. Por aqui, superamos o cancro da descontinuidade. Entre nós, já há algum tempo, o que se inicia em um governo, tem continuidade e evolução no sucessor. Os resultados desta política já são visíveis e serão ainda maiores à medida em que o tempo passa e os governos se sucedem. Um bom exemplo a ser seguido pelo Brasil. 

 
 
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