Quarta, 23 de Maio de 2012
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Mídia derruba Lupi e mira agora em Pimentel

(...) primeiro a mídia levanta a bola e a oposição corta – no rebote, imprensa volta a atacar (...)

Texto: Carlos Lindenberg
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Carlos Lindenberg - Jornalista

A inclusão do ministro Fernando Pimentel na relação dos laureados com denúncias de malfeitos do ministério da presidente Dilma Rousseff provocou surpresa em Minas. Ex-secretário municipal de Fazenda, ex-prefeito por quase dois mandatos, sucedendo ao festejado Célio de Castro, vitimado por doença grave, Pimentel tem entre outros atributos o de amigo pessoal da presidente Dilma, cujo título vem a ser o único mineiro no ministério. Mas nem isso ou por isso mesmo está a um passo de entrar na ciranda da morte, a corrente de ministros que vêm sendo decapitados pelo noticiário da imprensa. Se entrar mesmo na fila, Pimentel poderá ser o sétimo ou o oitavo a perder o cargo por denúncias. Antes dele, no entanto, está o ministro de Cidades, Mário Negromonte, o primeiro da fila após a queda do agora ex-ministro Carlos Lupi.

A acusação contra o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, no entanto, é fraca, ainda que não deixe de causar alguma estupefação. O jornal O Globo e já agora a oposição inteira o acusam de ter prestado consultoria logo que ele deixou a prefeitura de Belo Horizonte, no rastro de uma vitoriosa campanha eleitoral da qual saiu  eleito o prefeito Marcio Lacerda (PSB) que teve o apoio tanto de Pimentel (PT) como do então governador Aécio Neves (PSDB), a entidades e empresas privadas de Belo Horizonte. Segundo O Globo, Pimentel teria amealhado cerca de 2 milhões de reais entre 2009 e 2010 por serviço que não teria sido prestado – uma espécie de Paloccinho mineiro, na comparação maldosa da oposição com o escândalo que derrubou o então chefe da Casa Civil Antonio Palocci, no início do governo Dilma. Pimentel nega qualquer irregularidade na prestação de serviços como consultor.

De fato, são coisas distintas, ao que se percebe. Primeiro, Pimentel não exercia qualquer mandato no período em que teria prestado a consultoria. E Dilma, de quem se tornou ministro, não era ainda candidata à Presidência da República, embora fosse público que Pimentel era, como é, amigo pessoal da futura sucessora de Lula e que ela seria a candidata do então presidente da República. Palocci, ao contrário, quando prestou consultoria a empresários paulistas, era detentor de mandato de deputado federal e havia sido coordenador da campanha da candidata Dilma Rousseff. São coisas diferentes, como se vê, e não podem ambos ser nivelados num mesmo inciso, o do suposto tráfico de influência. Pelo menos do ponto de vista formal.

Ocorre que na política e na explosão dos escândalos midiáticos que a compõem, o que não é pode vir a ser e o que parece ser acaba efetivamente sendo. É o que vem acontecendo de uns tempos para cá e o caso Pimentel, a exemplo de outros, cai com perfeição nessa nova faceta da política brasileira, onde não se sabe onde começa o trabalho da mídia e onde termina o da oposição, quando não é o caso de ambas atuarem juntas. Nos casos clássicos, primeiro a mídia levanta a bola e a oposição corta – no rebote, imprensa volta a atacar para a finalização da oposição, até que o alvo do tiroteio caia. Foi assim com todos os seis ministros que entraram na fila que culminou com o tombo de Lupi e que parece dar continuidade com os casos de Mário Negromonte e Fernando Pimentel. 

Em Minas, a oposição ao governo Dilma não perdeu tempo. Quer que o Ministério Público entre em ação e com isso cria uma situação curiosa. Ao mesmo tempo em que o PSDB, por exemplo, pede a investigação do petista Pimentel, seus líderes maiores tentam fechar um acordo com o PT do ministro para apoiar a reeleição de Marcio Lacerda. Por fim, a denúncia contra Pimentel é fraca do ponto de vista formal, embora não deixe de criar constrangimentos para o ministro e para a presidente Dilma, que vai fechando o seu primeiro ano de mandato numa onda de escândalos, ditos midiáticos, sem precedentes na vida do país.

 
 
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