Terça, 18 de Junho de 2013
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Turquia

Um pouco de Istambul,

única cidade do mundo localizada em dois continentes, Europa e Ásia, e de uma riqueza histórica e cultural que impressiona

Texto: Márcia Queirós | Fotos: Divulgação


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Mesquita azul, do século 17: uma das construções mais famosas do mundo

São quase sete horas da noite, quando viajo do aeroporto internacional Ataturk, em Istambul,  Turquia, em direção ao hotel. O trânsito é lento. À medida que a estrada fica para trás, um cenário de edifícios, mesquitas e monumentos seculares, banhados pelo mar de Mármara, se descortina. Lojas, livrarias e cafés estão a pleno vapor. Nos carros e calçadas, mulheres de véu ou de cabelos esvoaçantes, homens de terno e jovens de jeans voltam do trabalho. A cidade fervilha. “São quase 14 milhões de habitantes em território menor que o da cidade de São Paulo”,  avisa, em português, o guia Richard,  turco que aprendeu o idioma de olho nos brasileiros que aportam em Istambul.

Por ano, segundo informações da Sea Song Tours, uma das principais companhias de turismo da Turquia, a cidade recebe cerca de 3 mil turistas do Brasil. E motivos não faltam para cruzar o oceano e desfrutar os encantos da metrópole de vida noturna festiva, com atrações históricas e culturais. 

Durante quase mil anos, Istambul foi a cidade mais rica do mundo cristão. Era chamada de Constantinopla. Hoje é a maior da Turquia, apesar de ter perdido o título de capital para Ancara. Cortada pelo estreito de Bósforo, é a única cidade do mundo situada em dois continentes. Parte do território está na Europa, outra, na Ásia. Localização que confere à metrópole – antiga capital bizantina – aura diferenciada.


Palácio Dolmabahçe, no lado europeu de Bósforo
Palácio Dolmabahçe, no lado europeu de Bósforo

Convidada pela Four Seasons, a rede de hotéis mais luxuosa do planeta, a reportagem da Viver Brasil conferiu por três dias os encantos de Istambul. A companhia mantém duas unidades na cidade: o Four Seasons Bosphorus, antiga residência de nobres à beira-mar, e o Four Seasons at Sultanahmet, instalado em edifício do século 19, no qual funcionava uma prisão de intelectuais, no centro histórico. Ambos estão em território europeu. 

Hospedei-me em Bósforo, de onde às margens do estreito se tem vista da parte asiática. Pela manhã, logo escuto o cântico vindo das mesquitas, chamando às orações. A maioria da população é muçulmana, mas, ao contrário de países do Oriente Médio, religião e estado não se mesclam. Bebida alcoólica é livre. Nas ruas transitam jovens de roupas ousadas, em bares e cafés, ao lado de mulheres de burca em direção aos templos religiosos. Um deles é a Mesquita Azul, uma das construções mais famosas do mundo, primeiro programa do roteiro.

Ao chegar à praça de Sultanahmet, que reúne os principais monumentos, 

a fachada externa da Mesquita Azul, construção do século 17, logo encanta, com minaretes em direção ao céu. Na entrada, sou orientada a tirar os sapatos e colocá-los em um saco plástico. No interior, o que mais atrai são os azulejos de Iznik, cidade famosa pela produção de cerâmicas e porcelanas que decoravam palácios e mesquitas. A predominância é do azul, daí o nome do templo.

Na mesma praça, está a basílica de Santa Sofia, com mais de 1.400 anos. Haghia Sophia, como também é chamada, foi inaugurada pelo imperador Justiniano em 537 d.C., como templo cristão, mas transformada em mesquita no Império Otomano. Considerada uma das maiores obras arquitetônicas do mundo, impressiona sobretudo pela grandiosidade do espaço, coberto por cúpula que chega a 56 metros de altura, além dos mosaicos bizantinos.

Santa Sofia: inaugurada como igreja, transformada em mesquita e hoje é museu
Santa Sofia: inaugurada como igreja, transformada em mesquita e hoje é museu

Próximo das duas mesquitas, vou ao Palácio de Topkapi, antiga residência imperial e sede do Império Otomano, que compreendia territórios da Europa, do Oriente Médio e da África. O palácio é formado por pavilhões e quatro jardins internos imensos e, para conhecê-lo com profundidade vale uma visita de mais de duas horas. No seu interior, pode-se apreciar joias, vasos, armas e a arte islâmica.

Mas o que mais gera curiosidade aos visitantes no Palácio de Topkapi é o harém (o significado é proibido), integrado por luxuosos salões, onde viviam as mulheres dos sultões. Contam que, no apogeu, o harém tinha mais de mil mulheres, escravas trazidas de várias localidades do Império Otomano. A única chance de ascensão, era tornar-se a preferida do sultão e dar-lhe um filho. Mas, como se vê, o páreo era duro. A maioria caía em depressão, à espera de uma noite com o sultão. Muitas se entregavam ao ópio. Sorte bem diferente da Sherazade, de As Mil e Uma Noites.

O roteiro histórico não para por aí. Percorri a imensa externa subterrânea, atração turística mais curiosa da cidade. O reservatório fora construído no reinado Justiniano em 532  d.C para abastecimento do Grande Palácio, no período bizantino. A estrutura original comportava 100 milhões de litros de água, vindos de cinco rios. Hoje se transformou em atração turística, com peixes ornamentais. A cobertura é sustentada por 336 colunas com mais de 8 metros de altura.

Mesquita de Ortaköy: maioria da população é mulçumana
Mesquita de Ortaköy: maioria da população é mulçumana

Além do banho de história, fui às compras na cidade, cujo comércio é forte desde o início da sua história por ligar dois continentes. O Grand Bazar, o mais velho centro comercial, construído em 1453, reúne 4 mil lojas em 42 mil metros quadrados. Quem gosta de quinquilharias, pode se deliciar com objetos como vasos, tapetes, bijuterias, pachiminas, bolsas e souvenires a perder de vista. Mas, cuidado, são muitos os labirintos e desavisados podem se perder.

Menor e mais tranquilo de ser visitado é o Bazar de Especiarias, ou Bazar Egípcio, um mundo de cores e aromas. As barracas vendem especiarias, ervas e produtos como queijo, mel, azeites, nozes e doces. Uma dica: vale pechinchar, os vendedores sempre se rendem ao pedido de desconto. No passado, o mercado constituía importante centro de comércio entre o Oriente, onde as especiarias eram cultivadas, e a Europa. Próximo dele, saem navios para a Istambul Asiática.

E para quem gosta de sofisticação, o melhor destino é Nisantasi, onde se encontram famosas marcas nacionais e internacionais, além de bares e restaurantes luxuosos. Viajei do centro histórico para Bósforo de iate nas águas do mar de Mármara. A culinária da cidade fascina desde o café da manhã, com chás, azeites, queijos de leite de cabra, azeitonas, tomate e pães. Devido à proximidade com o mar, a cidade tem grande variedade de peixes e, com grande número de zonas climáticas, tem riqueza de frutas, destaque para os figos e os româs. Doces são consumidos o dia todo e vendidos em lojas e bancas, como o lokum, balas de goma açucaradas. 

Quando o cansaço bateu, foi a vez de experimentar um haman – famoso banho turco. Antes, toma-se sauna a vapor, seguida de sessão de banho em uma bancada de mármore, intercalado por jatos de água fria e quente, e muita espuma de sabão, esfoliação com bucha e massagem. A terapia, contam, rejuvenesce e revigora. Ideal para encarar a balada da cidade, que tem de restaurantes tradicionais a boates gays. Aliás, uma das noites foi no Distrito de Pera, exatamente no Mikle Restaurant, de cozinha mediterrânea, mas que oferece de melhor a deslumbrante vista da cidade. Um cartão-postal, certamente difícil de apagar da memória. 

Mercado de especiarias: vale pechinchar
Mercado de especiarias: vale pechinchar

Raio X

Istambul - Turquia

  • Idioma: Turco
  • Moeda: Nova Lira Turca
  • Religião: Islamismo
  • Fuso Horário: Seis horas a mais em relação ao horário de Brasília

Quem leva: A Turkish Airlines tem voos diretos 

São Paulo – Istambul
  • Segunda, terça e quinta-feiras e sábado (voo TK 016)
  • Sai de Guarulhos  a 1h15  e chega a Istambul às 17h35
Istambul – São Paulo
  • Segunda, quarta e sexta-feiras e domingo (voo TK015). Sai de Istambul às 10h45 e chega a Guarulhos às 20h20

 
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