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Festivais Limpos
Sustentabilidade vira a estrela de grandes shows de música no mundo e no Brasil; a ideia é compensar os desgastes causados por essas aglomerações
Texto: Silvânia Arriel | Fotos: Bárbara Dutra e Luiza Ferraz
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A pegada sustentável colou de vez nos festivais de música pop planeta afora. Virou a estrela, o sol, onde se gravita toda a organização, o público. Não há grande show que se preze em que não esteja presente, agarrada ao palco, sustentada na medição de gás carbônico e na reciclagem de lixo, desafiada a empurrar para o prumo o eixo natural da desgastada Terra apinhada de 7 bilhões de pessoas, contadas pelo ONU no mês passado. Essa tendência chegou ao Brasil nos últimos anos, firmou-se no Rock in Rio, no SWU, em Paulínia, no interior de São Paulo, no Planeta Brasil, em Belo Horizonte. Hoje mostra sua cara verde e não basta só conscientizar, dizer que faz, tem que provar que apaga o rastro de destruição deixado pela geração de resíduos, consumo energético, queima de combustíveis. Repor o gasto: plantar árvores, reciclar o lixo, promover ações sociais, incentivar o transporte coletivo. Aliviar, cicatrizar a face da terra de 4,5 bilhões de anos.
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Show no ano passado: proposta é neutralizar a emissão de CO² |
“O entretenimento quebra barreiras culturais. Conscientiza principalmente os jovens entre 18 e 30 anos, que serão os empresários, os políticos de futuro próximo”, diz Igor Campolina, diretor da SleepWakers Entretenimento, promotora do Planeta Brasil há três anos. Levanta a bandeira de que é preciso equilibrar o social, o ambiental e o econômico. “Sei que não conscientiza todo mundo, mas é um passo por vez. Aos poucos vão absorvendo esses hábitos.” Até mesmo os que fazem estes festivais. O Rock in Rio não tinha essa preocupação explícita antes e este ano aderiu de vez com a emissão zero de carbono e 100% de reciclagem. O Planeta Brasil colore o seu lado verde. Havia sido criado para reforçar o orgulho brasileiro e a defesa ambiental. “Mas a cada ano a sustentabilidade ganha mais força.” Sobressai, aparece, ocupa espaço.
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Reciclagem de lixo no Planeta Brasil: ações avaliadas antes e depois |
Convocou o Instituto Oksigeno para certificar, investigar que o Planeta Brasil não sai de sua órbita natural. “As ações estão voltadas para a compra de produtos ecologicamente corretos e a minimização de gastos. Isso também ocorre para a cadeia de fornecedores”, afirma Deivison Pedroza, presidente do Oksigeno. Ficam de olho no antes e pós-eventos, medem as emissões de gás carbônico. Funcionários do instituto entrevistam os participantes para saber o meio de transporte, adicionam o consumo de água, a produção de lixo e a queima de combustíveis fósseis dos geradores e chegam ao número de árvores que devem ser plantadas para compensar o desgaste causado à Terra.
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Igor Campolina e Henrique Chaves: preocupação com a sustentabilidade / Pedro Vilela |
Devem ser mais de 10 mil mudas, resultantes do festival do próximo dia 26 e dos eventos paralelos de cidadania e de esportes, que serão cultivadas no sítio Pau Brasil, município de Coruripe, em Alagoas. “Escolhemos essa reserva pelo apelo de mata atlântica”, argumenta Deivison Pedroza. Vão repor, espalhar o oxigênio no país. “Todo mundo pergunta por que plantamos lá se o festival é aqui, mas o benefício é global”, diz Igor Campolina. O lixo será reciclado, as pessoas incentivadas a ir ao festival, no Espaço Folia, bairro Olhos d’Água, de transporte coletivo. “Além de economizar o CO2, reforça a conscientização de não dirigir se for beber.”
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Alunos da rede pública: educação ambiental / Bárbara Dutra |
Fora essa parte barulhenta, alicerçada no verde, haverá o ingrediente show na terceira edição do Planeta Brasil. “Este é o primeiro ano que terá bandas internacionais. Serão três, que vêm especialmente para o festival”, informa Henrique Chaves, também diretor da SleepWakers. Nada de aproveitar a vinda para shows no eixo Rio-São Paulo-Porto Alegre e esticar até Belo Horizonte. “Foram negociações longas. O Donavan Frankenreiter queria saber cadê a praia?” Não há mar, mas montanhas o atraíram para essas bandas do Sudeste. “Gosto do fato de a sustentabilidade e a consciência ambiental estarem ligados fortemente ao festival. Embora seja realizado longe da praia”, diz o músico norte-americano e surfista profissional. “Nós estamos honrados de fazer parte do Planeta Brasil, porque encoraja as pessoas a se conscientizarem sobre ecologia, causas sociais e economia sustentáveis”, acrescenta o Playing for Change, movimento multimídia.
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SWU, em Paulínia, no interior de São Paulo / Reprodução |
A banda norte-americana Slightly Stoopid garante que está no ritmo de festival sustentável: faz a sua parte na estrada ou em casa, recicla lixo, utiliza menos plástico. Ela, Donavan e Slightly Stoopid vão dividir os palcos do Planeta com os brasileiros Nando Reis, Seu Jorge, O Teatro Mágico e seis grupos menos conhecidos, que serão escolhidos entre 70 inscritos para o Planeta Independente, outro astro paralelo do festival.
Palco alargado este ano, que deve crescer mais. “A nossa projeção é chegar ao Mineirão, em 2014, depois da Copa”, diz Igor Campolina. Mais árvores terão que ser plantadas, mais lixos reciclados, mais caronas. “A tendência é que os eventos de grande, médio, pequeno porte façam cada vez mais a adesão ao conceito de sustentabilidade”, diz o presidente da Oksigeno. É dever, obrigação. “Porque qualquer aglomerado impacta o lugar”, afirma Marieta Cardoso, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em espaços públicos. Ela acredita que as medidas propostas por estes festivais com selo verde ajudam a amenizar o desgaste da natureza. “Mas deve-se verificar se a promessa de sustentabilidade é cumprida.”
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Projeto Cidadania: reciclagem |
Está aí mais uma ação para os participantes, as organizações que certificam esses eventos. “Outra ideia de compensação é transformar, recuperar as áreas dos shows em parque ou lugar ecológico de eventos com sustentabilidade”, diz a professora Marieta Cardoso. Já há essa proposta: o SWU (Starts with You / Começa com Você), que será realizado nos dias 12, 13 e 14 de novembro, em Paulínia, promete mudar a área de 1,7 milhão de metros quadrados do festival no primeiro Distrito de Sustentabilidade, Tecnologia e Entretenimento do país. Que a ideia propague, corra ao redor do mundo, alivie os impactos de tanta gente junta no planeta Terra.
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O Teatro Mágico |
Mundo sustentável
Confira o que gira em torno do festival e quem vai se apresentar
Planeta Brasil: É o festival que acontece no dia 26 de novembro, no Espaço Folia, Rua Gabriel de Melo, no bairro Olhos d´Água, em Belo Horizonte, das 14h às 2h do dia 27
Número: 13 mil pessoas é o público estimado
Planeta Mágica
Mais de 20 artistas nacionais e internacionais se sucederam nos 90 números de magia e ilusionismo, aberta ao público, na praça JK, bairro Sion. Apareceu por lá até o mágico Mario Kamia, que treinou o ator global Rodrigo Lombardi, na novela O Astro. Foi a primeira ação do projeto, no dia 25 de setembro, que reuniu cerca de 3 mil pessoas
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Seu Jorge |
Planeta Esportes
Esse astro quer incentivar a prática de atividade física e integração. Por isso, optou-se pelo campeonato de futebol society entre empresas, promovido neste mês de novembro no Centro de Futebol Zico. Serão distribuídos 10 mil reais e 36 GPS entre os três primeiros lugares, troféu para o artilheiro e para a defesa menos vazada
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Playing For Change / Divulgação |
Planeta Independente
Bandas desconhecidas podem aparecer no Planeta Brasil. Mais 70 grupos se inscreveram ao concurso. São selecionadas de nove a 12 para se apresentarem e serem julgadas. No máximo seis são escolhidos para pisar no palco do festival no dia 26 de novembro
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Slightly Stoopid |
Planeta Sustentável
É o espaço para o debate sobre meio ambiente na Copa do Mundo. São 300 participantes que vão ouvir, no dia 9 de novembro, especialistas estrangeiros e brasileiros no Centro Mineiro de Referências de Resíduos
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Nando Reis / Vitor Salerno (Grudaemmim) |
Planeta Cidadania
Atrai crianças e adolescentes. Cinco mil alunos do ensino fundamental de escolas públicas participaram, durante uma semana de outubro, de oficinas de educação ambiental e shows
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Donavon Frankenreiter / Rodrigo Farias e Caio Palazzo |
De bem com a Terra
O que será feito para compensar o impacto ambiental dos planetas
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10 mil árvores vão ser plantadas na reserva particular de patrimônio natural (RPPN) do sítio Pau Brasil, no município de Coruripe, em Alagoas. Esse número é resultado da conta de quantas pessoas vão participar dos eventos, de como elas serão transportadas até lá. As bandas internacionais são as mais onerosas
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Mais de 8.900 árvores. Este número do dia 27 de outubro, que deve crescer, se refere à campanha no facebook: quem curtir a página tem direito ao plantio de uma árvore
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De 20% a 30% do público de 13 mil que deve ir ao show, o que dariam de 2.600 a 3.900 pessoas, devem ser beneficiadas com ações sociais
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Será incentivada a ida ao festival de transporte coletivo
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Coleta seletiva. Os resíduos recicláveis serão encaminhados às cooperativas de catadores e os não recicláveis destinados aos aterros sanitários licenciados
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