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EspecialUma pintura de hotelQuarta edição do prêmio Le Meurice de Arte Contemporânea premia projeto sobre a África, reforçando os laços do hotel com a arte
Texto: Bruno César Dias | Fotos: Divulgação
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A escolha de Mathieu Abonnenc foi feita por um seleto júri composto por grandes curadores de museus internacionais, como Henri Loyrette, diretor do Louvre, e encabeçado por Franka Holtmann, gerente-geral do hotel Meurice. Desde que assumiu o cargo, a executiva buscou a arte para destacar ainda mais o Le Meurice no cenário da hotelaria internacional. O palácio de 1835 por si só já era um espaço de arte. A começar pela localização, em frente ao Jardim das Tulherias, na rua de Rivoli. O estilo da construção, seguindo os preceitos da arquitetura neoclássica, e a decoração de seus 160 quartos, com pinturas e peças de mobiliário estilo Luís 16, são alguns dos outros motivos que sempre atraíram nobres, artistas e magnatas de todas as partes do mundo. Referências tão fortes que foram mantidas pelo grupo Dorchester Collection no período de reforma do hotel, em 2000, e retomadas pela parceria do grupo com o renomado designer Phillipe Starck. |
O térreo do Le Meurice passou por uma repaginada pelas mãos de Starck, processo concluído em 2009 e divulgado ao mundo numa bela festa de inauguração. As composições simétricas tradicionais da construção formaram a base para a redefinição do desenho do lobby de entrada. Adornos tão característicos do estilo de móveis imortalizado pelo nome do rei francês que caiu junto com a Bastilha entraram na prancheta do designer para a produção de novos móveis. Um dos grandes destaques do projeto é a tela de 145 metros quadrados pintada por sua filha, Ara Starck, decorando o salão do jantar do restaurante Le Dali. |
Hóspede surrealO gênio do surrealismo se hospedava pelo menos uma vez ao ano no hotel no auge de seu período produtivo. Já entrou para a história do anedotário da hotelaria as loucuras que o artista pedia ao staff do Le Meurice: peles de carneiros para se cobrir que eram alvejadas por balas sem pólvora; cavalos andando dentro dos corredores do prédio, caça a moscas no Jardim das Tulherias que rendiam 5 francos por inseto aos funcionários que topavam as loucuras do pintor. Além das histórias e do nome de batismo do restaurante, as marcas de Dali podem ser encontradas em fotos do artista e de algumas de sua obras que decoram o hotel e em móveis por ele desenhados e reinterpretados por Starck, como uma cadeira Daliesque, com os pés na forma de sapatos de senhoras, uma lâmpada com gavetas e a lagosta – uma das marcas presentes nas telas do artista – utilizada como gôndola de um antigo telefone. |
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