Domingo, 19 de Maio de 2013
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Empresa

Sucessão planejada

Aos 77 anos, Mascarenhas Barbosa Roscoe(MBR), uma das maiores construtoras do Brasil especializadas em obras industriais, promove mudanças na gestão de olho no futuro

Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Pedro Vilela


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O presidente da empresa, Luiz Fernando Pires e os diretores Luiz Eduardo Monteiro Pires e Luiz Alexandre Monteiro Pires

Promover mudanças na gestão corporativa para deixar a empresa mais bem preparada e competitiva; acompanhar as transformações do mercado, valorizando os profissionais com destaque na corporação e atraindo profissionais experientes para seu quadro de gerência. Esta estratégia foi adotada recentemente pela Mascarenhas Barbosa Roscoe (MBR), uma das maiores construtoras especializadas em obras industriais do Brasil, com matriz em Belo Horizonte e escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro. A empresa fatura 400 milhões de reais por ano e mantém em seus quadros 4 mil funcionários.

“As mudanças são um processo natural. A empresa precisa passar por elas. As pessoas atingem uma determinada idade e é preciso renovar. Na empresa, cultivamos treinar estagiários, formando a equipe, promovendo renovação constante. Ao mesmo tempo que se preservam os mais maduros, é preciso introduzir novos profissionais para adquirirem experiência”, analisa o presidente da MBR, Luiz Fernando Pires. E é justamente por este processo que passaram dois dos três filhos do empresário: Luiz Alexandre e Luiz Eduardo. Eles estão na empresa há cerca de 10 anos e hoje ocupam a função de diretores executivos. 


Belocal, em Arcos / Divulgação
Belocal, em Arcos / Divulgação

Luiz Fernando Pires diz que não os preparou para isto, mas desde criança, sua preparação foi para a vida, para serem profissionais e cidadãos adequados. “Se vão ser os gestores ou não, vai depender do talento deles. Eles são herdeiros naturais de patrimônio, não de conhecimento. O conhecimento tem de ser adquirido. Não é porque é filho que vai ser gestor. Eles não têm esta obrigação”, diz o presidente da MBR, que aos 67 anos ainda não está pensando em se aposentar. “A transição tem de ser feita no tempo certo, com cuidado para não criar problema inadequado para as empresas, nem para as pessoas”, opina Luiz Fernando. Seu filho mais novo, Luiz Paulo, que tem empresa de informática, recentemente passou a fazer parte do conselho de administração da MBR. 

Luiz Alexandre, que agora é diretor-executivo da construtora, diz que todas essas transformações na empresa dão um fôlego novo à corporação e fazem parte de estratégia de sucessão. “O grande objetivo das mudanças na empresa foi, em primeiro lugar, fazer uma sucessão familiar tranquila e adequada, com capacitação dos sucessores para exercer cargos de diretoria, e também ter superintendências fortes para que estes superintendentes venham a ser, posteriormente, diretores na organização. A empresa ainda tem característica familiar, mas deve ser totalmente profissionalizada nos próximos 10, 15 anos, em termos executivos”, pondera.

Os superintendentes Ângelo Albuquerque Mendes e Marcelo Barbosa Abreu
Os superintendentes Ângelo Albuquerque Mendes e Marcelo Barbosa Abreu

Ele acredita que todo bom profissional precisa ter horizonte e quanto maior o espaço que lhe é proporcionado, maior é o horizonte e o talento que se consegue segurar na empresa. O mesmo pensamento tem o irmão Luiz Eduardo, também diretor-executivo da MBR, que enxerga nas mudanças a possibilidade de reter a mão de obra preparada, qualificada e de olhar com muito   cuidado para identificar as oportunidades no mercado. “A construtora deve continuar focada e em constante desenvolvimento.” 

O atual superintendente administrativo da MBR, Ângelo Albuquerque Mendes, que era gerente de obras, foi um dos funcionários promovidos, com a criação das superintendências. “Para qualquer profissional estas possibilidades representam valorização. Se fui promovido foi porque atendi aos requisitos e prestei bom trabalho para a empresa. Além do mais, esta forma de mudança tende a facilitar nossas funções aqui, pois as pessoas que subiram têm bom trânsito dentro da empresa, já que foram indicadas por boa parte do corpo gerencial da corporação”, salienta. 

Marcelo Barbosa Abreu, superintendente de engenharia da MBR, é responsável por uma área estratégica dentro da empresa. Estão sob sua responsabilidade os setores de engenharia (inovação de processos), de planejamento e controle, e de orçamento. “No processo construtivo da construção civil, inovamos na metodologia executiva para que o trabalho fique mais rápido, com mais qualidade e menor risco de acidentes para os trabalhadores”, pontua Abreu, para quem a busca por diferenciais, pela MBR, não para, já que a troca de informações é constante no mercado, que sempre acompanha as inovações promovidas pela empresa. A idéia, segundo ele, é a inovação dos processos produtivos por meio de treinamento de mão de obra e de busca, em outros países por equipamentos novos, com tecnologia mais avançada, que reduz o prazo de execução dos projetos.

BR Rio / Divulgação
BR Rio / Divulgação

O superintendente de obras, Eduardo Abreu foi um profissional que a MBR buscou no mercado para completar seu quadro. Está a menos de dois meses na empresa, mas já exerce a função há 7 anos em outras corporações. No ramo da construção civil está há quase 3 décadas. É engenheiro civil especializado em gestão de obras industriais e divide a superintendência de obras com Annibal Ferraz, que está a 10 anos na Mascarenhas, dos quais, três como superintendente. Ferraz conta que a MBR investe na aplicação do Programa de Desenvolvimento de Líderes (PDL), para melhor identificação de seus profissionais nas áreas técnica e gerencial. “Cada um tem seu objetivo pessoal e profissional e, com isto, identificamos as afinidades de cada pessoa com cada área”, enfatiza. 

Isto é importante para uma corporação que vive em um mercado no qual as crises não são novidades. “Há turbulências e de tempo em tempo o setor passa por crises. Por isto, a empresa precisa buscar sempre as novas tecnologias para se adequar ao mercado e não perder espaço. Treinar pessoas é importante neste mercado tão competitivo”, ressalta Luiz Eduardo. Mas a alta competitividade é mais vista como um desafio do que uma preocupação para Luiz Alexandre, que está otimista com as possibilidades do setor. “A empresa tem planos estratégicos de diversificação e de crescimento em um mercado que tem tudo para se desenvolver devido à grande necessidade de investimentos em infraestrutura e reurbanizações. Boa parte da demanda vem com os eventos esportivos que serão realizados no país, mas também em função das novas plantas industriais. É importante que a empresa esteja preparada para enfrentar estes grandes desafios”, ressalta Alexandre, para quem um crescimento entre 10% e 15% ao ano é o organicamente sustentável.

Os superintendentes Annibal Ferraz Sobrinho e Eduardo Magno Barbosa Abreu
Os superintendentes Annibal Ferraz Sobrinho e Eduardo Magno Barbosa Abreu

A MBR está trabalhando na diversificação de negócios. “No momento, estamos investindo na área de logística, plataformas, com boa perspectiva de desenvolvimento”, antecipa Luiz Fernando. “A gente começa a trabalhar, mas tem de esperar para colher os frutos”, completa o empresário, que critica a burocracia para as empresas conseguirem aprovação de seus projetos e desenvolverem novos negócios. “Isso é um obstáculo para se promover o desenvolvimento do Brasil”, afirma. Para Luiz Fernando Pires, o processo de aprovação de projetos no Brasil está muito mais lento nos últimos 10 anos, pois houve aumento na demanda por aprovações, além de novas exigências, e as estruturas públicas não acompanharam, nem qualificaram seus funcionários. “Há grande número de empresários querendo investir e não conseguem. O setor público precisa dar agilidade no retorno dos projetos das empresas”, cobra o presidente da MBR, que também dirige o Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG). Uma das sugestões do empresário é o estabelecimento de metas e prazos no serviço público. Outra é simplificar o processo de aprovação de projetos. 

Enquanto isso não acontece, a MBR vem conquistando clientes, mercado e respeito no segmento da construção civil. O presidente da MIP Engenharia, João Bosco Varela Cançado, conta que cultiva boa parceria com a MBR ao longo de muitos anos, não somente executando obras em conjunto em um mesmo contrato, mas também em contratos diferentes. “Isto em função de que os serviços que a MIP executa, a montagem eletromecânica de indústrias, constituem a sequência dos que a MBR trabalha, o de construção civil. Por isto, esta parceria tem dado muito certo, pela grande proximidade das empresas e de seus gestores e proprietários, privilegiando a sinergia tão necessária. Além do mais a seriedade e o comprometimento com que as duas corporações encaram os empreendimentos fazem aumentar esta ligação. Trabalhamos para que esta parceria continue sadia e venturosa”, finaliza. Palavra de parceiro.


 
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