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ArtesMulheres do gibiPresença feminina no mundo dos quadrinhos ainda é pequena, mas registra aumento significativo
Texto: Fernando Torres | Fotos: Pedro Vilela
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Mas Erica não se restringe às publicações nacionais. Na verdade, ela trabalha mais para o mercado exterior. Recentemente, desenhou as séries Warcraft Legends e The Complete Alice in Wonderland, sucessos de público e crítica. “Acho que a narrativa dos quadrinhos feitos por mulheres é mais focada na interação dos personagens, a história é contada por meio deles. No caso dos mangás, a própria diagramação é diferente, para criar sinestesia com a emoção a ser expressa”, diz. |
Em contraponto, as HQs voltadas para o público masculino são mais focadas na história, nas ações e na temática de super-heróis, com pouca participação feminina. Para efeito de comparação, a Mulher-Maravilha é o único representante do sexo feminino entre os Sete Magníficos da célebre Liga da Justiça, criada pela editora norte-americana DC Comics. A minoria de mulheres interessadas nesse gênero também reflete nas contratações. Em setembro, a DC possuía havia apenas três mulheres entre os 160 escritores e artistas. “Não acredito que a DC Comics esteja propositadamente evitando a contratação de mulheres”, rebate a quadrinista brasileira Adriana Melo. “O que conta na hora da contratação é o portfólio, o talento, não o sexo.” |
Adriana fala com a autoridade de ilustradora free lancer da Marvel e da própria DC Comics. Aos 18 anos, agenciada pela editora brasileira Art Comics, ela conseguiu seu primeiro trabalho na Marvel, na revista Homem de Ferro. Outros trabalhos de peso no currículo são as revistas X-Men e Miss Marvel. “Nunca trabalhei com personagens próprios. Prefiro os clássicos. Minha paixão são os personagens do X-Men, como a Tempestade e o Volverine”, diz. Atualmente, ela trabalha com sketch cards do filme Os Vingadores e de um evento da Marvel, o Marvel Begins. Outra vertente explorada pelas quadrinistas é o humor refinado, como faz a mineira Chantal Herskovic. A maior parte da ação se passa na escola, universo dos estudantes Edu, Haroldo e Cacá e do professor Hugo, que trocou a sala de aula pela vida de executivo. “Tem também o diretor do colégio, o professor Pepe, inspirado em um professor que tive na UFMG”, revela. Além da tira, que já rendeu a publicação de três revistas, Chantal editou os livros Blog da Cacau: Ninguém Merece e Ai, Amigas! Ninguém Merece!, sobre os problemas de uma adolescente de 11 anos. Ela também já alçou voo no exterior: publicou desenhos na revista do quadrinista norte-americano Bryan Talbot. Como inspiração, Chantal carrega desde as primeiras leituras da infância – Asterix & Obelix, Turma da Mônica e Tio Patinhas – até Sandman, HQ criada pelo estadunidense Neil Gailman para a DC Comics, e os álbuns do francês Enki Bilal. “Atualmente, leio coisas mais autorais. Sou fã do livro Persepolis, da iraniana Marjane Satrapi”, conta. |
Ladies mineirasA ilustradora Luciana Cafaggi, a jornalista Mariamma Fonseca e a designer Samanta Coan têm em comum a paixão por HQs. O hobby das três mineiras deu origem ao site Lady’s Comics (ladyscomics.com.br), com a proposta de divulgar o trabalho de mulheres quadrinistas. A ideia veio da Mariamma. “Não existia no Brasil um site que falasse sobre a história feminina nos quadrinhos. Descobri que, depois da Segunda Guerra, já havia algumas quadrinistas, mas elas usavam codinomes masculinos”, revela. |
Para Luciana, os quadrinhos feitos por mulheres tendem a ser mais sensíveis. “A maioria publica na internet, sem passar por revisão rigorosa. Por isso, revelam momentos pessoais, emotivos. A figura feminina também não é tão erotizada, como acontece nos gibis voltados para os meninos.” Luciana, a propósito, também é quadrinista. No Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), ela vai lançar a caixa Mixtape, com quatro gibis. “São histórias de quatro mulheres diferentes e sua relação com a música”, adianta. O Lady’s Comics também irá servir como nome de batismo de uma mesa-redonda do FIQ, voltada para o trabalho feminino nos quadrinhos, com a participação das quadrinistas Erica Awano, Adriana Melo e a gaúcha Chiquinha. “Cerca de 20% dos 60 convidados são mulheres. Ainda é pouco, mas representa uma grande evolução no setor”, diz o coordenador-executivo Afonso Andrade. O evento também terá exposição sobre os quadrinhos na Coreia do Sul e a participação das coreanas Park Sang-Sun e Chon Kie-Young. |
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