Quarta, 22 de Maio de 2013
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Política

Quem é quem?

Após a mais duradoura greve de professores em Minas Gerais, um fato ficou evidenciado na Assembleia Legislativa: nem a base governista e nem a oposição se entendem entre eles mesmos

Texto: Sueli Cotta | Fotos: Divulgação


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Uma base fragilizada, uma oposição que não se entende e uma série de mal-entendidos expôs a real situação em que se encontram governo e deputados estaduais mineiros durante os 112 dias da mais longa greve dos professores da história em Minas. De um lado os professores, que queriam e conseguiram levar a greve o mais longe possível para que o sindicato da categoria, o SindUte, pudesse se colocar politicamente. De outro, a oposição tentando encontrar o seu rumo após perder a sua condição de bloco e com os seus líderes colocados em xeque, e de outro, a base governista, que não tinha informações suficientes para defender o governo e sem alguém que pudesse pôr fim ao foco de insatisfação que tomou conta dos parlamentares.

Assessores próximos do governador Antonio Anastasia não escondem a preocupação com a ausência de interlocutores importantes entre governo e deputados, como o atual vice-governador Alberto Pinto Coelho, o ex-deputado Mauri Torres, hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, considerado como um hábil negociador, e os deputados Lafayete Andrade (PSDB), secretário de Defesa Social e o deputado federal Domingos Sávio, que trocou a Assembleia Legislativa pelo mandato de deputado federal. “Os quatro eram respeitados e tinham vivência.  A base está unida, mas falta gente com experiência”, desabafa um assessor do governador, que como os deputados da base prefere o anonimato. Abertamente ninguém fala do assunto.

A atuação do atual líder do governo, Luiz Humberto Carneiro (PSDB) foi considerada satisfatória pelo governo, mas no episódio da greve dos professores ficou evidente o desconforto de deputados da base que reclamavam das vezes que usaram a tribuna ou as comissões para defender o governo e de terem ficado de fora na negociação para pôr fim à greve dos professores. “Os deputados que deram a cara a tapa pelo governo ficaram de fora. Mas os que criaram constrangimento para o governo foram todos chamados para participar da negociação que pôs fim à greve”, disse um deputado da base aliada que prefere não se identificar. O ponto crítico foi a invasão do plenário da Assembleia, com a cena de servidores acorrentados e dos ânimos exaltados, tanto de deputados quanto de sindicalistas, que quase transformaram o Legislativo mineiro em um ringue de luta livre.

O deputado Luiz Humberto garante que não privilegiou os deputados da oposição na condução dos entendimentos com os professores e que apenas atendeu a um pedido deles, no caso do deputado Antônio Júlio, que queria conversar com o governador para ter dele a garantia de que a negociação com os professores seria retomada com o fim da greve. “O sindicato não acreditou que o governo retomaria a negociação com o fim da greve. E na realidade não houve fato novo, a negociação só foi retomada com o retorno dos professores às salas de aula”, ponderou Luiz Humberto. 


A conversa com o governador aconteceu no ápice da crise e a solução veio de um parlamentar que, aparentemente, estava entre os mais exaltados no processo. “Um grupo de deputados do governo e da oposição me pediu para conversar com o governador para tentar encontrar uma saída para a situação”, disse o deputado Antônio Júlio, que foi levado ao Palácio Tiradentes, sede do governo de Minas, para uma conversa a portas fechadas com o governador Antonio Anastasia e o secretário de Governo, Danilo de Castro .

Com esse gesto o governo conseguiu pelo menos três feitos ou fatos: aproximou-se de um de seus maiores críticos, o deputado Antônio Júlio, tirou dos deputados petistas Rogério Correia e Durval Ângelo a chance de se colocarem como os responsáveis pelo fim do movimento grevista e iniciou a negociação com os sindicalistas sem alterar em nada o que vinha dizendo desde o início da paralisação, “de que só negociaria com o fim da greve”. Para um interlocutor do governo, “a conversa de Antônio Júlio com o governador foi muito boa e ele foi duro com os sindicalistas e teve atuação decisiva para pôr fim à greve dos professores.” 

A negociação, no entanto, surpreendeu os aliados do governador Antonio Anastasia. Para o líder do bloco da maioria, deputado Bonifácio Mourão (PSDB), “ocorreram alguns desencontros de informação e alguns deputados não foram informados do acordo em andamento. Mas, se havia algum mal-estar, ele foi resolvido”, acredita.

A base de sustentação do governo aproveitou a crise para também expor as suas queixas, desde a da falta de um interlocutor para defender as demandas dos parlamentares no governo a dificuldades que encontram para serem atendidos por alguns secretários. “Os secretários não atendem os deputados, eles simplesmente nos ignoram”, reclama um deputado, que é seguido por vários outros da base. As  queixas estão centradas nos secretários de Defesa Social, Lafayete Andrade; de Educação, Ana Lúcia Gazola; e de Transportes e Obras Públicas, Carlos Melles.

“A recomendação expressa do governador aos secretários é a de que eles atendam os deputados e retornem todas as ligações”, disse um assessor do governador, que teria se irritado com as demandas não atendidas dos deputados. “O assunto já está resolvido”, garantiu Luiz Humberto, que também se defende das críticas de que é um líder ausente alegando que “muitas dessas ausências foram porque eu estava envolvido em reuniões no governo. Só na semana passada tive duas reuniões com o governador Antonio Anastasia e não levei nenhum puxão de orelha, como andaram falando por aí”.

Passado o período de turbulências o saldo, por enquanto, tem sido considerado positivo. “O governo tem aprovado as matérias no plenário e nas comissões”, disse Luiz Humberto. Mas com tantos desencontros, Antônio Júlio disse que não resistiu e provocou o governador, dizendo a ele que ”a verdadeira base do governo é a oposição”. Os da base já acham que o peemedebista está é querendo aderir. 


 
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