O luxo vai às alturas, aos ares, ao avião. A crise econômica freia, mas há quem pague 30,5 mil reais, na alta temporada, para ir de Cingapura, na Ásia, a Londres, na Europa, e não ter o dissabor de ficar espremido naquelas poltronas enfileiradas dos transatlânticos, no meio de tanta gente, de línguas, de hábitos diferentes ou com pouca privacidade nas primeiras classes. Os 30,5 mil reais, mais que o preço de carro popular brasileiro, alçam o passageiro do público para lugar só dele, verdadeiro apartamento de hotel estrelado, só que mais perto das estrelas. Nem parece avião se estiver numa das 12 suítes do A380, da Singapore Airlines, separadas por portas de correr. Podem se unir e virar quarto de casal, com tanta intimidade, que levou a companhia a proibir relações sexuais durante o voo.
Mas libera, aí para todos os passageiros, 100 filmes, mais de 180 programas de televisão, jogos em 3D e o acervo de 700 CDs de música. Há muito a fazer durante as 12 horas de voo, além do sono confortável com travesseiros e almofadas da grife francesa Givenchy: as suítes têm TV de cristal líquido de 23 polegadas, conexão para laptop, mesa para jantar luxuoso. É, os cardápios são assinados por chefs reconhecidos mundo afora, como o chinês Sam Leong, o australiano Matt Moran, o britânico Gordon Ramsay e o francês Georges Blanc. Entremeados a vinhos escolhidos das melhores vinícolas por especialistas dos Estados Unidos, Austrália e Reino Unido. Servidos em porcelanas, talheres de prata e taças também com a marca Givenchy.
Estende o luxo até fora da suíte para quem paga pouco menos (12,9 mil reais) na classe executiva. Há cafeteria, com mesinhas e sofás, para relaxar e se socializar com outros passageiros. Sem tanta privacidade que as suítes, mas também vale quanto custa. Tudo se repete no voo entre Cingapura e Sidney, na Austrália, em menor tempo: 7 horas e meia. É dispor de conta bancária, se a crise permitir, e usufruir de serviços mais perto das estrelas do que hotéis.