Quarta, 23 de Maio de 2012
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Artes Plásticas

Texto: Ana Clara Furtado | Fotos: Pedro Vilela


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Brotando da sobreposição de folhas de seda sobre madeira, o pirarucu, peixe típico da bacia Amazônica, mergulha na arte ao lado do tuiuiú, pássaro que serve de depósito de penas em tribos indígenas. Alguns recortes minuciosos a mais e surgem ainda um jacaré e uma cobra jiboia, entre elementos da vegetação do Norte do Brasil e corações de filigranas, joias artesanais típicas de Natividade, cidade do interior de Tocantins. Até mesmo a religiosidade daquelas terras insurge por ali, com a mística imagem do Divino Espírito Santo. Tantos símbolos convivendo harmonicamen­te entre nomes de variados locais, numa linguagem iconográfica semelhante aos cordéis nordestinos, integram o cartão-postal criado pelo mineiro Ivã Volpi, Painel do Tocan­tins. A obra, uma lembrança artística dos lugares por onde passou e do estado que tanto gosta – como inclusive evidencia no canto superior esquerdo – é resultado de uma expedição realizada a bordo do ônibus Javaé, há dois anos, mas também é marca atual de mais uma faceta do artista plástico. Conhecido principalmente por suas experiment­ações estéticas com bambus, recentemente, Volpi tem voltado sua curiosidade exatamente para a brincadeira e pesquisa com papéis. A sobreposição, os recortes com estiletes e infinitas possibilidades si­nalizam o novo rumo de seus trabalhos na arte contemporânea.

O artista

De olhar diferenciado, o mineiro da cidade de Papagaios utiliza o que dispõe ao seu redor para fazer arte. Avesso aos preconceitos na criação e sem limites para a imaginação, Volpi reaproveita e transforma materiais e inclusive possui uma cooperativa de tapetes, a Mão Poderosa, que, desde 1990, de forma itinerante, em pequenas comunidades, resgata a tradição mineira de tecer por meio de uma técnica própria. Formado em desenho industrial, possuiu um estúdio de design gráfico até mudar-se para o vilarejo de São Sebastião das Águas Claras, onde permanece desde 1989, dedicando-se exclusivamente ao universo artístico e interferindo criativamente na região. Ambientalmente consciente, ganhou visibilidade nacional e internacional em 1993 com a land art Costurando a Trilha das Perdidas, uma instalação de bambus na Serra del Rei em protesto à destruição das montanhas mineiras. No exterior, além de uma exposição na Alemanha, ganha destaque sua participação no projeto alemão Leuchtende Beispiele (1994), para o qual foi convidado a confeccionar um modelo da tradicional Lanterna de São Martinho. Em 2006, em Belo Horizonte, participou da Cow Parade, e, no ano passado, realizou a exposição Cidades, da qual fez parte o painel do Tocantins.

 
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