Descendente de italianos, Humberto Chamarelli Sant´Anna comprou 608 hectares de terras em Lagoa Santa, Região Metropolitana de Belo Horizonte, para criar gado, cavalos e plantar. Corria o ano de 1977. A lida na fazenda, conhecida pela mata exuberante, causou tanto ciúme na mulher, a baiana Juvelina Costa Sant´Anna, que ela exigiu do marido chegar religiosamente às 11h45 à casa da cidade para almoçar, evitando que dedicasse tanto tempo às suas terras. Humberto se dividiu entre as duas paixões, mas não imaginou que a segunda delas – a fazenda Poço Verde – se perpetuasse por gerações da família, que a transformou em espaço de lazer e descanso aberto a visitantes.
Há dois anos, um dos rebentos do fazendeiro, o empresário Humberto Chamarelli Sant´Anna Filho, inaugurou no local o Hotel-Fazenda Poço Verde. “Seria egoísmo deixar tanta beleza natural só para a família usufruir”, diz ele, que junto à filha Rossana Berquó Sant´Anna administra o hotel fazenda. À exuberância natural, a família acrescentou arrojada infraestrutura turística, preservando as características rurais. As obras, que consumiram cinco anos de dedicação dos empreendedores, transformaram o casarão, sede da fazenda, em hospedagem com seis suítes, decorados com móveis antigos da família. “É ideal para as pessoas que querem ficar juntas em clima de fazenda”, sugere Rossana, que fez questão de preservar o ambiente da casa grande dos tempos em que Humberto e Juvelina reuniam filhos e netos em alegres temporadas em Poço Verde.
Além do casarão com suítes, o hotel-fazenda conta com oito chalés erguidos em meio à mata, onde é possível acordar com o canto dos pássaros ou passar horas descansando e apreciando a paisagem em redena varanda. Metade da área da fazenda – cerca de 3 milhões de m2 – é composta de mata virgem, com espécies como ipê amarelo, aroeira, cedro, jatobá, pau-brasil e jacarandá.
Para aqueles que gostam de viver intensamente o clima de roça, como cozinhar em fogão a lenha, outra opção de hospedagem é a casa caipira, antiga habitação dos peões, com dois quartos e cozinha, que foi restaurada, conservando a simplicidade da típica habitação rural. Lá, Humberto e Rossana decoraram com doces lembranças da família, como o fogão cosmopolita de 70 anos que pertenceu a Juvelina. “É uma delícia ver o sol se pondo e a lua nascendo da varanda da casinha”, diz Rossana.
As refeições – café da manhã, almoço e jantar – são servidas no restaurante com 150 lugares, em estilo cozinha mineira, com fogão a lenha e amplas mesas e bancos de madeira. Aliás, um dos grandes diferenciais do Poço Verde é o verdadeiro dia-a-dia de um empreendimento rural que pode ser vivenciado pelos hóspedes, uma vez que as atividades como criação de gado não foram interrompidas pela família.
E diversão não falta aos visitantes. Crianças e adultos podem tirar leite ao pé da vaca, fazer caminhada ecológica com guias, andar a cavalo, cuidar de animais, tomar sauna ou simplesmente relaxar ou dar braçadas na piscina olímpica de água natural. O reservatório é emoldurado e abastecido por sete quedas d´água, que vêm direto da nascente – o Poço Verde. Daí a origem do nome da fazenda. Para os amantes da pesca, o local dispõe de três lagoas.
Empreendedor nato, Humberto Filho diz que o próximo passo será inaugurar a quadra de tênis. Uma grande prova de que a dedicação às terras de Poço Verde está longe de acabar. “Cuidar do hotel-fazenda é uma forma de agradecermos ao nosso avô a oportunidade que nos deu de conviver junto à natureza”, diz Rossana, cujo lema é jamais perder a velha hospitalidade mineira no local.