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Agronegócio
Fardo nada pesado
Maior produtora de feno do Brasil, Fazenda Santa Helena, a 168 km de Belo Horizonte, é um exemplo de gestão em agronegócio
Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Victor Schwaner
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 Fábio Corrêa: “Usamos todas as ferramentas modernas de gestão”
Por lá ouve-se barulho de macacos bugio vindo da área de preservação ambiental. Também não é raro vê-los pulando de galho em galho. Os gaviões carcará sempre dão o ar de sua graça para embelezar os verdes campos. As seriemas, as garças, os tucanos não ficam para trás e também ajudam a enfeitá-los. Os micos, veados, raposas, capivaras e lobos-guará completam a preservada fauna da Fazenda Santa Helena, maior produtora de feno do Brasil. Localizada no município de Bom Despacho, a 168 km de Belo Horizonte, a Santa Helena, onde as cercas são de madeira e de plástico reciclados, produz anualmente 15 mil toneladas de feno, em área plantada de 650 hectares. O produto é vendido para 600 clientes espalhados por todas as regiões brasileiras. O Feno Santa Helena vem agradando tanto a seus clientes que, ano passado, a empresa ganhou o prêmio de melhor produtor de forragem do Brasil, o Agroleite, considerado o Oscar do agronegócio.
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Plantação do tifton-85: 650 hectares com produção de 15 mil toneladas por ano |
A história do Feno Santa Helena começou há 14 anos, quando o empresário Modesto Araujo, proprietário da fazenda, resolveu explorar a área e encomendou estudo de viabilidade ao engenheiro agrônomo Fernando Corrêa. Entre as mais de 10 alternativas oferecidas, Araujo optou pelo feno. “Apesar de o investimento inicial ser mais elevado, o feno foi escolhido porque queria uma atividade que desse bom retorno do capital investido e ao mesmo tempo não estressasse tanto quanto o negócio da cidade”, explica o empresário, que é proprietário da rede de drogarias Araujo. Com a decisão, o engenheiro agrônomo do Rehagro, Fábio Sidnei Corrêa, principal executivo da Fazenda Santa Helena, viajou para os Estados Unidos e alguns países europeus para conhecer e buscar tecnologia para implantar o projeto. “Nosso objetivo era a procura por um produto de qualidade, já que não havia, e ainda não há, produção profissional de feno no país, apenas em pequena escala”, lembra o agrônomo. Outra decisão que tinha de ser tomada era com relação ao tipo de capim que seria plantado. Após longos períodos de estudos e análises, a opção da Santa Helena foi pelo Tifton-85 por ser considerado superior aos outros em termos nutricionais e por sua adaptação à produção de feno ser melhor. Até chegar ao produto final, o capim tem de passar por oito etapas na fase de produção.
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Sede da fazenda, em Bom Despacho |
Capim escolhido, partiu-se para a compra dos equipamentos de plantio, corte, manuseio e compactação. Corrêa conta que todas as máquinas – que garantem processo de produção totalmente mecanizado e são literalmente escondidas, por serem consideradas um diferencial da Santa Helena – vieram de outros países. Por causa destes equipamentos, é possível prensar com mais eficiência o feno e colocar o dobro do peso em um caminhão, o que barateia o frete e torna o produto mais atraente. Mas o profissionalismo na Santa Helena não está somente na produção. “A ideia do Modesto era montar uma empresa rural, por isto, trouxemos o conceito urbano de gerenciamento para o campo. Usamos aqui todas as ferramentas modernas de gestão”, garante o engenheiro agrônomo. Segundo Modesto Araujo, é aplicada na Santa Helena a gestão por resultados, utilizando a metodologia do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG). “Tudo o que é bem administrado é bom, dá resultados eficientes. Apesar de ser fazenda a consideramos como uma agroindústria”, comemora o empresário, que não revela números, mas acompanha mensalmente os resultados.
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Mão de obra: treinamento e baixa rotatividade |
A modernidade na gestão não está apenas na busca por resultados, mas também no trato com os colaboradores. Prova disto, segundo o gerente da fazenda, José de Arimatéia Caputo – que vive por lá há 12 anos com a mulher e os dois filhos de 10 e 14 anos –, é que os 35 funcionários da Santa Helena são constantemente treinados para desenvolverem bem suas funções. “Além da questão dos treinamentos também nos preocupamos com o bem-estar dos nossos colaboradores, que participam ativamente da administração. Aqui, todos falam e ouvem”, diz o gerente da Santa Helena. A vantagem nesta forma de administrar é que há uma espécie de ganha-ganha para os dois lados e, com isto, a rotatividade de trabalhadores na Santa Helena é muito pequena.
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Processo de secagem do feno |
O que não é nada pequeno no local são os seis galpões construídos para armazenagem. “Todos foram dimensionados e são específicos para armazenar feno, com ventilação apropriada para garantir a qualidade do produto. Cada um tem pé direito de 11 metros e a capacidade total de armazenagem é de até 6 mil toneladas de feno”, explica Fábio Corrêa. Aliás, a estrutura de armazenagem e o fato de 50% da área de produção serem irrigadas são fundamentais para que a Santa Helena consiga produzir feno durante todo o ano. “O uso de água na irrigação é racional, pois há um sistema que mede a quantidade necessária para irrigar cada área da plantação”, informa Arimatéia. No momento, sete pivôs centrais garantem a irrigação do capim, mas a expectativa é de que até o fim deste ano, outro pivô seja instalado na propriedade, aumentando a área irrigada e, consequentemente, a produção. Atualmente, todo o feno produzido na Santa Helena é vendido no Brasil, mas a empresa já exportou para Venezuela, Líbano e Emirados Árabes. “Privilegiamos o mercado interno para honrar os compromissos com nossos clientes daqui, que sempre são fiéis”, afirma Corrêa.
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Modesto Araujo: “É uma agroindústria” |
O fim das exportações, segundo ele, é estratégico e temporário. Foi ocasionado pela queda na produção por causa da estiagem prolongada em 2010 e da chegada do inverno mais cedo este ano, além do aumento da demanda no mercado doméstico, que, aliás, ainda tem muito espaço para crescer, já que agora é que os criadores brasileiros estão aderindo à utilização maior de feno no trato de seus animais, apesar de o produto oferecer uma série de vantagens em relação a outros tipos de alimentação. De acordo com Fábio Corrêa, o feno possibilita maior ganho de peso em menos tempo, pois oferece alto valor nutritivo e, como é desidratado, é mais fácil de ser armazenado. Ele diz, ainda, que o produto auxilia na digestão, já que possui fibras de alta qualidade e também atua na precocidade do desenvolvimento dos ruminantes. Entre os clientes da Santa Helena estão criadores de bovinos de corte e de leite, equinos, caprinos, ovinos e camelos, fábricas de ração e casas especializadas em produtos agropecuários. A empresa também é a fornecedora oficial de feno para a Exposição Nacional do Manga Larga Marchador.
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José de Arimatéia: “Cada fardo recebe etiqueta com número do lote” |
Em toda a extensão da Fazenda Santa Helena não há uma só cabeça de gado. Tirando a reserva legal, toda a área da propriedade é voltada exclusivamente para a produção de feno o que, segundo Corrêa, torna-se também um ponto favorável e um grande diferencial, pois o produto fica livre de carrapatos e de outras impurezas que, muitas vezes, podem fazer mal aos animais. “O Feno Santa Helena também é rastreado. Cada fardo recebe etiqueta com o número do lote e de nosso telefone. Caso o cliente queira tirar alguma dúvida sobre o produto, ele nos liga, diz o número do lote e consultamos todas as informações sobre aquele lote em nossos arquivos, como época da colheita, quantidade de nutrientes, entre outras”, explica Arimatéia. A produção de feno é o negócio e o foco da Santa Helena, mas lá também é local de refúgio de Modesto Araujo e da família. “Vou para a fazenda quase todo fim de semana. A paisagem daquela área toda gramada me descansa muito, me tira da rotina. É lá que recarrego minhas baterias”, revela o empresário. É realmente impossível passar pela Santa Helena, mesmo que seja por algumas horas, e não se encantar com a belíssima paisagem.
RAIO X
Fazenda Santa Helena
. Localização: município de Bom Despacho, a 168 km de BH
. Atividade exclusiva: produção de feno
. Produção anual: 15 mil toneladas
. Capim utilizado: tifton-85
. Área de plantio: 650 hectares
. Número de clientes: 600, em todo o Brasil
. Número de funcionários: 35
. Quantidade de galpões para armazenamento de feno: seis, com capacidade para 6 mil toneladas
Fonte: Fabio Correia
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